Filmes e séries

Arte, crises institucionais e guerra: concorrentes ao Oscar de melhor documentário disputam estatueta

Divulgação
Pôster do Oscar 2011, que acontece em 27 de fevereiro Imagem: Divulgação

ALESSANDRO GIANNINI

Editor de UOL Cinema

25/02/2011 07h02

A disputa pelo Oscar de melhor documentário promete ser acirrada este ano. Além de "Lixo Extraordinário", sobre o artista plástico brasileiro Vik Muniz, há outros filmes tão importantes quanto na corrida pela estatueta. Com exceção de "Restrepo", que mostra a via crucis de um pelotão de soldados americanos no posto avançado mais perigoso do Afeganistão, todos os outros guardam semelhanças temáticas entre si.

Por exemplo, o citado "Lixo Extraordinário" e o ótimo "Exit Through The Gift Shop", sobre o artista Banksy, versam sobre o as artes plásticas. Enquanto o primeiro faz um perfil nada equilibrado de Vik Muniz durante a elaboração de uma obra no Aterro Santinário do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, o outro é um falso documentário sobre o misterioso artista de rua inglês que desconstrói a complicada teia de interesses que rege esse mundo.

Já "Trabalho Interno", que está em cartaz desde a sexta (18), e "GasLand" falam de crises que se abateram sobre os Estados Unidos em anos recentes. O primeiro faz uma radiografia do crack de 2008, impulsionado pela desregulamentação do mercado financeiro americano e do desmando de empresários e de parte do governo. O segundo fala de uma crise institucional, provocada por empresas petrolíferas que teriam passado por cima de regulamentações ambientais para extração de gás em cidades do interior do país.

A Academia, em geral, prefere temas contemporâneos e urgentes, o que colocaria "Lixo Extraordinário" e "Exit Through The Gift Shop" em segundo plano. Entre os assuntos mais candentes, as questões engajadas são mais populares entre os votantes, o que faz de "Trabalho Interno" e "GasLand" dois candidatos proeminentes.

Quanto a "Restrepo", que leva o nome do médico do pelotão que as câmeras seguem no Afeganistão, trata-se de um documentário mais nacionalista do que antibelicista, apesar de mostrar até mesmo a morte de um soldado praticamente ao vivo. Premiá-lo seria mais ou menos como negar uma tradição progressista que a indústria de Hollywood sempre se esforçou para manter.

As chances de cada um dos indicados ao Oscar de documentário

"Exit Through The Gift Shop" - O documentário do anônimo e misterioso artista de rua inglês Banksy revela os segredos, as manhas e os artifícios dessa nova linhagem que usa as grandes metrópoles como suporte para suas manifestações. Muito superior ao outro concorrente que versa sobre o mesmo tema, mistura ficção e realidade para dar vazão aos seus argumentos. Embora seja engenhoso, será surpresa se levar
"Lixo Extraordinário" - A co-produção britânica e brasileira de Lucy Walker, com co-direção de João Jardim e Karen Harley, acompanha o artista plástico Vik Muniz no desenvolvimento de um projeto envolvendo catadores de lixo do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, um dos maiores aterros sanitários do mundo. Trabalho que deixa evidentes os problemas de produção, é o que menos chances tem de ganhar o prêmio entre todos os concorrentes
"Restrepo" - O filme cobre um ano na vida de um pelotão de soldados americanos, entre 2007 e 2008, no vale do Korengal, no Afeganistão. Em vez de falar sobre a guerra, Sebastian Junger e Tim Hetherington simplesmente ligam as câmeras e deixam o público ver as balas voarem. Não é um filme antibelicista, embora mostre o esgotamento físico e nervoso de jovens homens expostos a uma série de tragédias que jamais esquecerão. Forte candidato
"Trabalho Interno" - O filme explica como vários bancos americanos promoveram o financiamento e refinanciamento de hipotecas, até para quem não podiam pagá-las, ao mesmo tempo em que especulavam em cima desse não-pagamento, com lucros astronômicos. Crises como a impulsionada por essa prática hedionda do mercado financeiro americano em 2008 são especialmente atraentes para os votantes da Academia
"GasLand" - A exploração desmedida de gás como fonte de energia primária nos EUA está causando desastres incomensuráveis no país. Há anos, proprietários rurais recebem propostas de empresas como a Halliburton para perfurar em suas terras à procura de fontes de energia alternativas. Elas perfuram, causam desastres ambientais e vão embora deixando um rastro de prejuízos que vão muito além do financeiro para as comunidades

 

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