Cinema

"Rio" é um belo cartão postal animado da Cidade Maravilhosa, mas não decola

ANTONIO FARINACI

Colaboração para o UOL

Chega aos cinemas brasileiros na próxima sexta (8) animação "Rio', mais novo filme do diretor brasileiro Carlos Saldanha, conhecido do público por ter estado à frente da série de sucesso "A Era do Gelo".

"Rio" é uma empreitada e tanto. O filme pega carona na atenção angariada pela capital fluminense que se tornará nos próximos anos sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas, para fazer um discurso ecológico, contar uma história de amor entre duas ararinhas azuis e ainda por cima ser um cartão postal atualizado do Rio de Janeiro com apelo mundial. Isso tudo, agradando a crianças e adultos. O problema, é que sob o peso de tantos compromissos, algumas pretensões morrem na praia.

Para se garantir, o filme conta com um elenco de dubladores da primeira linha. Como protagonistas, traz a "namoradinha de Hollywood" Anne Hathaway e Jesse Eisenberg, indicado ao Oscar por seu papel em "A Rede Social". Também estão no filme Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, Leslie Mann, além de Sérgio Mendes, Carlinhos Brown e Will.i.am (dos Black Eyed Peas), encarregados da trilha sonora.

Visualmente, o filme também impressiona. As recriações em 3D da paisagem carioca são de tirar o fôlego, assim como as cenas de Carnaval na Sapucaí. A riqueza de detalhes e o bom gosto são inéditos para o gênero - e o fato incomum de retratarem uma cidade brasileira, causam uma estranheza cativante.

TRAILER DO FILME "RIO"

Em tudo isso, Saldanha lida, como um malabarista, com os clichês de brasilidade (samba, Carnaval, sensualidade etc), que estão, sim, presentes, mas apenas na medida do bom humor. Não há nada no filme que chegue perto da enxurrada de generalizações e clichês que esmaga o Zé Carioca de "Alô Amigos" e "Os Três Cavaleiros" da Disney, e isso já é uma grande qualidade.

Impressionante também é o realismo da movimentação dos animais e suas texturas, de penas, pelos, pele e até baba. Quem já viu uma arara de perto, há de reconhecer aquele andar sacolejante - um detalhe importante, já que o protagonista emplumado passa metade do filme no chão, sem saber voar.

Os personagens e a trama, no entanto, deixam a desejar. As ararinhas Blu (Eisenberg) e Jade (Hathaway) carecem de carisma e as situações que vivem são um tanto previsíveis. O paralelismo entre o romance dos dois e o envolvimento entre Túlio (Santoro) e Linda (Mann), os protagonistas humanos do filme, é forçado e previsível. De maneira geral, é possível saber o que a história oferecerá, já nos primeiros minutos do filme. E os contratempos são todos enxertados, sem reviravoltas ou mudanças de rumo reais.

A trilha sonora também decepciona. Tendo em vista a magnitude dos nomes envolvidos, espera-se mais do que um manjado refrão “laiá-laiá” do tema principal ou ouvir "Mas Que Nada", mais uma vez. Talvez sejá o quesito do filme em que os clichês de brasilidade mais pesaram, exceção feita à canção do vilão, Nigel (Jemaine Clement), que traz um clima decadente de cabaré à cena.

No geral, "Rio" é um belo cartão postal animado da Cidade Maravilhosa. Mas não mais do que isso.

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