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"Nós procuramos ser fiéis ao original da Marvel", diz ator sobre "Thor"

Reprodução
Chris Hemsworth no traje do super-herói Thor Imagem: Reprodução

EDUARDO GRAÇA

Colaboração para o UOL, de Londres

30/04/2011 07h00

Chris Hemsworth é uma máquina. O australiano de 27 anos não é um novo Arnold Schwarzenegger, mas a massa muscular e a tendência de responder as perguntas de modo assertivo, quase como se esforçasse para fazer o interlocutor acreditar em sua narrativa, impressionam, para o bem e para o mal.

Antes de ser eleito pelo diretor Kenneth Bragnah para protagonizar "Thor", uma das mais aguardadas adaptações do universo Marvel para o cinema, ele era conhecido do público por viver o George Kirk na ótima versão de J.J. Abrams para "Star Trek" e pelo novelão televisivo "Home and Away".

Agora é dele a responsabilidade de carregar Mjolnir, o martelo mágico da mitologia nórdica, por seis outros filmes, incluindo as inevitáveis seqüências de "Thor" e, claro, "Os Vingadores", em que dividirá as atenções com o Homem de Ferro de Robert Downey Jr., o Capitão América de Chris Evans, a Viúva Negra de Scarlett Johanson, o Gavião-Arqueiro de Jeremy Renner e o Hulk de Mark Ruffalo.

Com as madeixas loiras menos esvoaçantes do que no filme e todo o jeito de bom-moço, Hemsworth conversou com o UOL Cinema em um hotel de luxo de Londres sobre o maravilhoso mundo das histórias em quadrinhos, as peculiaridades do Poderoso Thor e a curiosidade de ter sido inicialmente rejeitado por Branagh (que recebeu vídeos de atores dos quatro cantos do mundo, inclusive do irmão de Hemsworth, o ator Luke) para depois ser ungido como o deus mais mulherengo de Asgard, o Olimpo da mitologia viking.

UOL Cinema: Não é muito comum alguém ser reprovado em um primeiro teste e depois readmitido para viver o protagonista de uma super-produção estimada em US$ 170 milhões. O que é que Kenneth Branagh viu em você?
Chris Hemsworth:
Honestamente, eu não sei. Recentemente me perguntaram a mesma coisa, em uma festa, e minha reação foi a mesma: gente, eu não sei. Fiz o primeiro teste cinco meses antes do início das filmagens. Um teste de câmera, estava em Vancouver, no Canadá, filmando, e mandei de lá mesmo. Mas logo vi que não havia agradado. Estava gripado, caidinho mesmo. Mas alguma coisa boa eu devo ter feito, porque o Kenneth me ligou de novo meses depois, fiz um novo teste, e aí percebemos, os dois, que foi ótimo.

UOL Cinema: É verdade que sua mãe foi quem gravou o segundo vídeo?
Chris Hemsworth: É. Não esperava a segunda oportunidade, tudo tinha de ser para ontem, estávamos neste quarto apertado no décimo - sétimo andar de um apart-hotel em Vancouver, ela se equilibrou em um banquinho da cozinha e começou a gravar. Eu estava encostado na parede, ela ia me dizendo as falas e eu repetindo. Parece mentira, mas deu certo! Preciso agradecer a ela publicamente.

UOL Cinema: Foram quantos takes?
Chris Hemsworth: Não foram tantos assim! (rindo). Cinco ou seis. A gente se divertiu, sabia?

UOL Cinema: E na cena de beijo com a Natalie Portman, que faz seu par romântico no filme, foram quantos takes?
Chris Hemsworth: A mesma coisa, mais ou menos. Mas você sabe, não dá para ter clima, é aquela multidão ao seu lado, gritando. Não me venha com ideias, você...

UOL Cinema: Vamos mudar de assunto. O que você mais o atrai em relação ao Thor? O que ele tem de tão especial para merecer um filme só dele?
Chris Hemsworth: Gosto muito da jornada dele, do menino arrogante que se humaniza ao ser banido para a Terra, para o mundo dos mortais. Confesso que quando assinei o contrato não tinha ideia alguma de que o Thor do Kenneth seria tão arrogante, ou tão vulnerável. Acho que este é o Thor do Kenneth. Conversamos intensamente sobre isso, tive muita liberdade para explorar as facetas de um personagem que só conhecia dos gibis.

UOL Cinema: Quais as principais diferenças entre o Thor do Kenneth, como você batizou seu personagem, e o dos quadrinhos?
Chris Hemsworth: Não há grandes diferenças, nós procuramos ser fiéis ao original da Marvel. O que muda são as motivações do personagem, trabalhamos um pouco mais este aspecto. O relação dele com o pai, Odin (vivido por sir Anthony Hopkins) ganhou um tom específico, por exemplo.

UOL Cinema: Você passou seis meses se dedicando exclusivamente a Thor, antes mesmo de começar a filmar. Como foi este processo, um tanto quanto singular para Hollywood?
Chris Hemsworth:
No campo do treinamento físico fiz exercícios de halterofilismo, muito levantamento de peso, musculação. A alimentação mudou muito. No começo estava livre para comer o que queria, desde que fosse em grande quantidade, omeletes de frango e vegetais pela manhã, carne com batatas e vegetais no almoço e no jantar uma combinação de proteínas e carboidratos. Mas descobri que ficava muito cansado com esta dieta livre, aumentando consideravelmente a quantidade de gordura no meu corpo, apesar de todo exercício. Pedi para ver um nutricionista e ele eliminou os carboidratos, aumentou as proteínas, introduziu muitas frutas, e, pimba, chegamos ao corpo do Thor que você vê no filme.

TRAILER DO FILME ''THOR"

UOL Cinema: Algum prato favorito que você não pôde comer durante este período?
Chris Hemsworth: Sim, uma maldade. Empadão, algo que todo australiano adora, e batata-frita de saquinho. Mas logo fui me acostumando e durante as filmagens nem podia olhar para um hambúrguer, por exemplo, que passava mal.

UOL Cinema: Que bom que você se acostumou com a dieta, pois você voltará a viver Thor logo, não?
Chris Hemsworth: Sim, "Os Vingadores" chega aos cinemas no ano que vem e assinei um contrato que determina claramente que tenho de me manter em forma para as possíveis seqüências, tanto de "Thor" quanto de "Os Vingadores". Começo a filmar o primeiro "Os Vingadores" em abril. Fiquei preocupado e acabei perdendo peso desde o fim das filmagens de "Thor", no ano passado. Agora estou em período de engorda.

UOL Cinema: Você acabou de se casar e assinou um contrato que prende você ao Thor por anos a fio. Assinou sem pestanejar?
Chris Hemsworth:
Sim. Olhe para a minha carreira. Não estava em posição alguma de negociar termos. Assinei para pagar o aluguel! (risos). Sabia que não precisaria bater em portas, provavelmente, por alguns anos, para trabalhar. Não penso, de qualquer maneira, que caí numa armadilha. Honestamente, estou animadíssimo.

UOL Cinema: Entre um "Thor" e um "Vingadores" você filmou o remake de "Amanhecer Violento", cujo original contava com Patrick Swayze, Charlie Sheen e C.Thomas Howell, no auge da Era Reagan. Você faz o protagonista, papel que coube a Swayze. Ainda se trata de uma tremenda propaganda anti-comunista, mesmo depois do fim da União Soviética?
Chris Hemsworth: Sim. Mas desta vez os invasores podem ser russos, chineses ou coreanos. Pelo menos não são mencionados no roteiro (risos). O Dan Bradley, em sua estreia na direção, decidiu focar o filme nos jovens que se unem para defender a cidade deles da invasão estrangeira.

UOL Cinema: Você pode falar mais de "Os Vingadores"?
Chris Hemsworth: Não. Desculpe. Só posso dizer que, talvez, quem sabe, os personagens de Thor, não apenas o meu, tenham algo a ver com o início do filme. Mas, por contrato, não posso falar mais nada.

UOL Cinema: Mas alguém me disse que a Marvel já começou a trabalhar nos bonecos, os action figures, dos Vingadores...
Chris Hemsworth: Já. Meu irmão mais velho tem um. Você aperta o botão e ele fala. Meu sobrinho adora! Eu acho estranhíssimo. É hilário. Há algumas versões, algumas parece que eu tenho 17 anos. Ainda.

UOL Cinema: Você chegou a ter dúvidas se Thor seria um personagem tão interessante quanto o Homem de Ferro, por exemplo, que justificasse este investimento todo da Marvel e da Paramount Pictures?
Chris Hemsworth: Ao contrário do Homem de Ferro, Thor é um Deus. É o Poderoso Thor. Pensei sim em como ele se relacionaria com o público, ele não é, afinal, um homem de carne e osso como Tony Stark. Mas sua jornada no filme é humana. É do homem que nasceu no sucesso, foi protegido de todas as maneiras possíveis, e é forçado a ver a vida como ela é, para se tornar um melhor governante um dia. Ele é um personagem que tem a coragem de lidar com as grandes questões do homem adulto - sua relação com os pais, com o irmão (Loki, o vilão da história), o encontro do amor (com a cientista vivida por Natalie Portman). Foi isso que me interessou tanto.

UOL Cinema: A tecnologia toda o incomoda? As cenas que exigiram o uso de imagens digitalizadas por computador, o 3-D?
Chris Hemsworth:
Não, porque nada foi exagerado. Filmamos poucas cenas digitalizadas. Lembro de ter usado a tela verde apenas nas cenas das batalhas na Ponte do Arco-Íris (um dos momentos cruciais de "Thor") e na do começo, com os gigantes azuis (os antípodas dos deuses de Asgard, usados por Loki na tentativa de usurpar o trono de Odin). em outras poucas mais. Os cenários foram todos construídos, e eram fisicamente visíveis, pude interar com eles.

UOL Cinema: As primeiras imagens de Thor causaram um certo frisson. Você foi comparado a Robert Mitchum por uns e celebrado com grande intensidade pelo público gay. Como você vê estas primeiras respostas ao seu trabalho?
Chris Hemsworth:
Quanto aos fãs gays, acho ótimo. Quanto mais fãs, mais significativo o meu trabalho, só tenho a agradecer a eles. Sobre Mitchum, o que eu posso dizer? Ele era maravilhoso. Mas a semelhança, se há, hoje, é no fato de que eu o uso como espelho, gostaria de ter a mesma ética que ele teve em Hollywood. Ir além disso seria muita pretensão minha.

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