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Com Ryan Gosling, "Drive" mistura "Taxi Driver" com a violência pop de Tarantino

Francois Durand/Getty Images
Imagem: Francois Durand/Getty Images

THIAGO STIVALETTI

Colaboração para o UOL, de Cannes

20/05/2011 12h59

O filme mais divertido de Cannes apareceu no fim da competição: “Drive”, um filme noir com perseguição de carros e o maior clima dos filmes policiais dos anos 70, uma mistura de “Taxi Driver” com a violência no estilo gibi de Quentin Tarantino.

No filme, Ryan Gosling (de “Um Crime de Mestre”) é um motorista sem nome e caladão, que fala apenas três ou quatro vezes durante todo o filme. Ele divide seu tempo entre uma oficina mecânica e os frilas como dublê de filmes de ação. Outra de suas especialidades é conduzir bandidos até o local do golpe e depois comandar a fuga a toda velocidade pelas estradas de Los Angeles. Até conhecer a doce Irene (Carey Mulligan), mãe de um filho, por quem se apaixona, e que o faz arriscar ainda mais o pescoço.

Nicolas Winding Refn, o diretor, é dinamarquês e filmou pela primeira vez em Hollywood. “Eu quis reviver esse clima de nostalgia de um diretor europeu indo a Los Angeles fazer um filme. Achei que iam cortar minhas ideias e criatividade, mas tive a melhor experiência possível lá”, disse. Uma curiosidade: apesar de ter feito um filme com esse nome e com perseguições de carros, Nicolas não dirige e nem tem carta de motorista. Seu filme preferido diz muito sobre seu estilo: “O Massacre da Serra Elétrica”.

Sexo mental

Falando sem parar, Refn fez piada sobre a relação com o ator Ryan Gosling nas filmagens. “Foi como um blind date (encontro às escuras). O Ryan é esse hétero todo machão que só quer saber de sexo. Mas fomos jantar um dia, e me senti como uma garota que não foi rejeitada. Finalmente nos demos bem depois de fazer um sexo mental (mental fuck)”.

O diretor se viu obrigado a comentar a polêmica em torno do seu compatriota, Lars Von Trier, banido do festival por suas brincadeiras sobre ser nazista. “O que Lars disse foi inaceitável. Fiquei indignado. Na Dinamarca, temos uma mentalidade pequena, não pensamos nas pessoas à nossa volta. Mas se é isso o que ele quer dizer, é a vida dele. É um homem adulto de 55 anos”, comentou.

O canadense Ryan Gosling, astro em plena ascensão em Hollywood, disse que Nicolas não se animou em chamá-lo para o papel de início. “Ele estava muito ocupado querendo matar o Harrison Ford em algum momento do filme. Mas depois foi muito divertido. A gente filmava o dia todo, à noite via algum filme e saía dirigindo por aí.” Sua performance como o motorista ao mesmo tempo violento e romântico foi elogiada pelos críticos no festival. “Mas pensar num prêmio agora é como já fazer a travessura pensando no doce que vai ganhar”, brincou.

“Drive” já tem a estreia garantida no Brasil, com data a confirmar.