Filmes e séries

Steven Soderbergh diz que, em "Contágio", "tirou férias das metáforas"

AFP
Os atores Matt Damon (à esq.), Gwyneth Paltrow e Laurence Fishburne posam com o diretor Steven Soderbergh durante a divulgação de "Contágio", no Festival de Veneza (3/9/11) Imagem: AFP

NEUSA BARBOSA

Do Cineweb, de Veneza

03/09/2011 10h56

Fora de competição, “Contágio”, o filme-catástrofe de Steven Soderbergh sobre a expansão de um novo e letal vírus pelo mundo, teve direito à primeira sessão deste sábado, às 9 h da manhã, na sala Darsena, que é normalmente destinada aos filmes que concorrem ao Leão de Ouro.

Se, na sessão de imprensa, o filme de Soderbergh recebeu aplausos discretos, em compensação, o diretor foi aclamado entusiasticamente na coletiva de imprensa, no prédio histórico do Cassino do Lido, ao lado de atores famosos, como Matt Damon, Lawrence Fishburne e Gwyneth Paltrow. Esse comportamento de tiete, aliás, está há tempos se tornando habitual em Veneza. O pior é quando a coletiva termina, momento em que dezenas de repórteres, munidos de suas câmeras digitais, correm em direção à mesa dos convidados, tentando capturar um instantâneo de sua proximidade fugaz com os astros.

A aclamação, em todo caso, foi uma espécie de revanche tardia para Soderbergh, aqui mesmo onde, em 2002, seu filme “Full Frontal” recebeu uma das mais estrondosas vaias da história recente do festival.

A acolhida serviu, em todo caso, para que o diretor relaxasse na coletiva, rindo quando lhe perguntaram se “Contágio” continha alguma metáfora em relação à crise econômica mundial de 2008. “Um dos apelos desta história para mim é que não havia metáfora alguma. Estou tirando uma férias disso no momento.Temos um protagonista (o vírus) que não fala, mas todas as pessoas falam dele”, afirmou.

Quando indagado se o filme continha referências a séries de TV como “CSI”, Soderbergh respondeu que o que tinha em mente “era mais ‘Todos os Homens do Presidente’(filme de 1976, de Alan Pakula). Segundo o diretor, seu filme “é realista no conceito e estilisticamente muito despojado”.

Realismo,aliás, foi uma coisa de que ele e o produtor Scott Z. Burns (autor do argumento de “Contágio”) fizeram muita questão. “Nosso sentimento foi no sentido de que toda ciência deveria ser muito precisa, senão nada funcionaria”, acentuou Soderbergh. Essa busca de realismo, em alguns momentos, chega a exageros, como num detalhe da autópsia de uma vítima em se mostra os legistas puxando a pele de sua cabeça, sem que isso tenha uma função na história.

Gwyneth Paltrow, que interpreta uma executiva adúltera que é uma das primeiras vítimas da epidemia, não viu em sua morte nenhum sentido oculto de um “castigo moral” por sua traição ao marido (Matt Damon). “Não pensei nisto assim, nem julguei minha personagem. Penso que somos todos seres humanos. Apenas acho que ela estava no lugar errado, na hora errada”, disse a atriz.

Concorrentes novos
Na competição pelo Leão  de Ouro, agradou também o novo trabalho da dupla formada pela iraniana Marjane Satrapi e o francês Vincent Paronnaud (de “Persépolis”), que estrearam no filme live action com “Poulet avec prunes”, baseado na graphic novel “Frango com Ameixas” de Marjane, já publicada no Brasil. No centro da história, ambientada em Teerã, está Nasser Ali (Mathieu Amalric, de “Conto de Natal”), um violinista que decide morrer de amor. No elenco, a portuguesa Maria de Medeiros e a iraniana Golshifteh Farahani, de “Procurando Elly”.
 
Causou mais perplexidade, dividindo opiniões, outro concorrente, o grego “Alpis”, de Yorgos Lanthimos (vencedor do prêmio do Un Certin Regard em Cannes em 2009 e indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2011 por “Dente Canino”). No enredo, um grupo de pessoas faz parte de um pequeno grupo, que participa, a pedidos, da vida de pessoas, representando, como atores, entes queridos que morreram.

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