Filmes e séries

"Cinema brasileiro está num processo de reinventar sua imagem", diz diretor de "Transeunte", Eryk Rocha

Divulgação/Aline Arruda
O cineasta Eryk Rocha, diretor do filme "Transeunte", exibido no Festival de Brasília 2010 (25/11/2010) Imagem: Divulgação/Aline Arruda

ANA OKADA

Da Redação

07/09/2011 07h00Atualizada em 08/09/2011 11h35

O cinema brasileiro está num processo de reinvenção. Segundo o diretor de "Transeunte", Eryk Rocha, os filmes brasileiros ficaram estigmatizados por se parecerem com novelas e com a televisão em geral. "Eu senti uma rejeição dos curadores dos festivais mais importantes do mundo nesse sentido. Agora existe um movimento, de uns dois anos para cá, de reinventar essa imagem. Isso está sendo feito em parte pela nova geração", contou o diretor, em entrevista ao UOL Cinema, durante sua participação no Festival de Telluride, nos Estados Unidos, na semana passada.

"Eu estou aqui, tem dois filmes de jovens em Veneza ["Girimunho", de Helvécio Marins e Clarissa Campolina e "Histórias que só existem quando lembradas", de Julia Murat], sinto que tem novos filmes brasileiros que estão oxigenando e reconstruindo essa imagem, sem falar dos cineastas consagrados, como o Walter [Salles] e o Fernando Meirelles, que já são. Mas são duas exceções, acho que é importante eu estar aqui por conta disso."

Ele não acha que o cinema chamado comercial "queime" a imagem do Brasil no exterior, mas acha que há um desgaste na indústria. "Não quero entrar nesse mérito, mas sinto que o cinema brasileiro ou parte dele está com a imagem um pouco gasta e estigmatizada nos principais festivais do mundo. Sinto isso na minha pele. Mas tem uma geração que está abrindo espaço, que está inventando filmes, propondo linguagens mais ousadas, são filmes mais arriscados, de invenção", diz.

Com "Transeunte", que está em cartaz nos cinemas, o diretor foi convidado para outros festivais internacionais, tais como o de Biarritz, na França, no final de setembro; Rotterdam, em janeiro de 2012; e Guadalajara, também no ano que vem. No Brasil, o filme já levou prêmios no Festival de Brasília, no Festival de Cinema Latino-Americano (SP), em Gramado e no festival de Salvador.

A longa conta a história de Expedito, um aposentado solitário que acaba de perder a mãe, com quem vivia. Solteiro e sem filhos, tem na sobrinha o único vínculo com outra pessoa. "É um filme sobre a solidão, é uma questão intrínseca ao ser humano. Por outro lado, fala também do recomeçar desse homem. São duas questões que fazem parte da nossa época, vivemos um recomeçar constante na nossa existência."

Trailer de "Transeunte"

É a primeira ficção do diretor, que filmou antes documentários, tais como "Rocha que Voa" (2002), sobre seu pai, Glauber Rocha; "Intervalo Clandestino" (2006); e "Pachamama" (2006), que participaram de premiações como os festivais de Cannes, Veneza e Sundance. "Tenho alguma experiência [em festivais]. Mas esse é um dos grandes festivais, e muito especial, porque é pra se pensar e se discutir o cinema. Os diretores e os atores estão muito próximos de você no dia a dia. Em Cannes isso é muito diluído, é muito business".

O festival de Telluride tem a tradição de receber primeiro filmes consagrados em grandes premiações posteriormente. "O Discurso do Rei" e "Quem Quer Ser Um Milionário", ambos vencedores do Oscar, estrearam lá, assim como o clássico "Veludo Azul", de David Lynch.

"Fiquei uma hora conversando com Herzog, por exemplo, conversei com o Win Wenders, com o Alessandro. O Clooney veio pra cá... Então você tem um acesso às pessoas, uma troca muito intensa. É um festival que privilegia o cinema, isso é raro no mundo. É muito gratificante estar aqui e saber que ainda há lugares como esse."

Depois de lançar "Transeunte", o diretor deve lançar "Jards", que mostra o processo de gravação do último disco do cantor Jards Macalé. Rocha também está produzindo "Sobre a Neblina", dirigido por sua mãe, Paula Gaitán, baseado em livro homônimo de Christiane Tassis.

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