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Indie 2011 chega a São Paulo com retrospectivas de Béla Tarr e Claire Denis

Divulgação
Cartaz do Indie Festival 2011 Imagem: Divulgação

SERGIO ALPENDRE

Colaboração para o UOL

14/09/2011 16h00

Começa nesta sexta-feira (16/09) um dos festivais mais aguardados do calendário de cinema de São Paulo, o Indie 2011 - Mostra de Cinema Mundial, evento dedicado a obras que geralmente não chegam a nosso circuito comercial.

O Indie tem sido importante principalmente pelas retrospectivas que promove, sempre com diretores talentosos, sempre com exibições em 35mm (a não ser que a captação não seja em película). É um bálsamo para o cinéfilo que procura um cinema mais autoral, livre das amarras das grandes produções.

Até a década de 1990, o cinéfilo paulistano podia acompanhar obras integrais (ou quase) de diretores celebrados mundialmente, em retrospectivas caprichadas que permitiam um amplo conhecimento e calorosos debates. Ultimamente, essa prática ficou mais comum em casa, com os pacotões das locadoras de vídeo ou de lojas virtuais.

As amplas retrospectivas que costumavam acontecer na Cinemateca e na Mostra Internacional de São Paulo agora estão quase restritas ao CCBB. Mas o espaço deste último é pequeno demais, com uma tela insuficiente para as excelentes mostras que promove (Ford, Hitchcock, Minnelli, entre outros). É algo que precisa ser corrigido o mais rápido possível, pelo bem da programação cultural da cidade.

Enquanto isso não acontece, o festival mineiro Indie supre a ausência de boas retrospectivas em grandes espaços com sua mostra anual que já completa onze anos de portentosa existência, e há cinco anos tem sua versão na pauliceia.

O Indie tem como principal espaço de exibição o grande e aconchegante Cinesesc, uma espécie de templo da cinefilia atual. Isto faz com que seja comum os espectadores praticamente montarem acampamento em sua sala, na Rua Augusta, para acompanhar as imperdíveis retrospectivas que o festival tem mostrado.

  • Divulgação

    Cena de "O Cavalo de Turim", filme de abertura do Indie 2011

No ano passado, por exemplo, tivemos integrais do cineasta japonês Kiyoshi Kurosawa e do tailandês Apichatpong Weerasethakul. Neste ano, o nível continua altíssimo, com retrospectivas em película da diretora francesa Claire Denis e do cineasta húngaro Béla Tarr. O filme de abertura, que acontece na noite do dia 15, é de Béla: "O Cavalo de Turim".

Ao todo serão exibidos 67 filmes, de 18 países. Mas podem apostar que o maior público irá mesmo para as retrospectivas.

Tanto Claire Denis quanto Béla Tarr são velhos conhecidos do cinéfilo paulistano. Denis já teve ao menos dois filmes exibidos em circuito comercial nos últimos anos, o impactante "Desejo e Obsessão" e o recente "Minha Terra, África". A obra de Béla Tarr nunca teve tal oportunidade, mas alguns de seus filmes chegaram a passar na Mostra de São Paulo, incluindo o gigantesco "Satantango", sua obra-prima de mais de 7 horas de duração.

O cinema de Claire Denis é movido por fluxos de sentimentos, pelas imagens soltas que envolvem o espectador nas tramas do coração e dos sentidos que a diretora gosta de mostrar. É um cinema predominantemente sensorial, que privilegia o estímulo do espectador e o convida para uma espécie de transe consentido.

Béla Tarr responde por outra escola de cinema, a do mestre russo Andrei Tarkovski. Seus filmes têm imagens rigorosas, cerebrais, com fotografia espetacular (na maior parte deles em preto e branco) e andamento cadenciado, explorando tempos mortos e silêncios, personagens desiludidos e solitários. É o tipo de cinema que tende a receber adesões entusiasmadas ou a mais profunda repulsa. Mas que deve ser visto, por representar um tipo de cinema que, infelizmente, poucos têm condições de fazer em nossos dias. É um deleite visual cada vez mais raro.

O evento ainda promove a possibilidade de prospecção, com um grande número de filmes independentes recentes, pertencentes à Mostra Mundial, espalhados entre o Cinesesc e o simpático Olido, no centro velho da cidade. Infelizmente a maioria destes terá exibição em digital.

Sempre dá para encontrar algumas obras interessantes no meio de tanta coisa relativamente desconhecida. Podemos conferir se os longas tailandês "Eternidade", de Sivaroj Kongsakul, e o espanhol "Finisterrae", de Sergio Caballero, mereceram ou não o prêmio principal do Festival de Roterdã, um dos eventos mais interessantes do circuito de festivais mundiais.

TRAILER DO FILME ''O MOINHO E A CRUZ''

Há também, ainda dentro da Mostra Mundial, o novo filme do veterano diretor polonês Lech Majewski (cineasta que merece retrospectiva futura no Indie), "O Moinho e a Cruz", vencedor do recente I Festival Lume Internacional de Cinema, em São Luís.

O diretor já teve filme exibido em festivais de cinema no Brasil. Além deste último, exibido no Maranhão, seu belo longa "Wojaczek" foi exibido em 1999 pela Mostra Internacional de São Paulo.

Uma quarta mostra é especial para os amantes da música. Trata-se da mostra Música do Underground, com documentários sobre artistas e movimentos da música jovem.

O festival acontece entre 16 e 29 de setembro, e as atrações são muitas, espalhadas pelas quatro mostras. Vale ficar atento porque, ainda por cima, é tudo de graça. Preparem-se para a corrida pelos ingressos.

Destaques do Indie 2011

De Béla Tarr:
"Almanaque de Outono" (1984)
"Maldição" (1988)
"Satantango" (1994)
"As Harmonias Werckmeister" (2000)
"O Homem de Londres" (2007)
"O Cavalo de Turim" (2011)

De Claire Denis:
"Noites sem Dormir" (1994)
"Nénette e Boni" (1996)
"Bom Trabalho" (1999)
"Desejo e Obsessão" (1998)
"O Intruso" (2004)
"35 Doses de Rum" (2008)

Da Mostra Mundial:
"Amor Debaixo D'Água" (Japão, Alemanha, 2011)
"Eternidade" (Tailândia, 2011)
"Finisterrae" (Espanha, 2011)
"O Moinho e a Cruz" (Polônia, Suécia, 2010)

Da mostra Música do Underground:
"Everyday Sunshine - A História do Fishbone" (EUA, 2010)
"Sangue, Suor e Vinil: DIY no Século 21" (EUA, 2011)

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