Cinema

Abertura da Première Brasil com estreante premiado internacionalmente leva lágrimas ao público carioca

MICHELE GOMES

Colaboração para o UOL, do Rio

A abertura da Première Brasil do Festival do Rio, na noite desta sexta-feira (7), ficou por conta de “Histórias que só existem quando lembradas”, da estreante Julia Murat. Apesar de iniciante, a diretora tem grandes chances na corrida pelo troféu Redentor, já que sua história foi bem recebida em importantes eventos internacionais, como o Festival de Veneza e no Festival de Cinema de San Sebastián, onde ganhou uma menção especial do prêmio Horizontes Latinos.

“Estou torcendo muito para que a reação no Brasil seja parecida com a do exterior. Lá fora, receberam meu filme muito bem. É mais difícil trabalhar em casa, porque você está muito próximo de quem pode criticar. Meu nervosismo é maior por apresentar aqui do que em festivais internacionais. O Festival do Rio é muito especial, porque é a minha casa; foi onde vi quase todos os filmes e onde me formei”, disse Julia ao UOL, pouco antes de seu filme ser apresentado no Cinema Odeon.

A sessão, prevista para 21h45, começou com um atraso de cerca de 30 minutos, mas ganhou justificativa de Julia: “Eu vou quebrar o protocolo que diz que as apresentações devem ser breves, porque é meu primeiro Festival do Rio”. A diretora convidou toda equipe e elenco ao palco e fez um discurso emocionado.

“Dedico este filme ao meu pai, que despertou em mim a curiosidade sobre a região de onde vem nossa família. E à minha mãe, Lucia (Murat), que é produtora executiva deste filme e me ensinou muito”, completou a diretora para uma plateia ansiosa por seu trabalho, que lotava o tradicional cinema carioca.

O elenco é composto por atores profissionais e moradores do Vale do Paraíba, onde a narrativa é desenhada. Os protagonistas Madalena (Sonia Guedes), Antonio (Luiz Serra) e Rita (Lisa Favero) contracenam com os personagens locais, mergulhados no contexto da região, como “Feijão”. É dele, aliás, a frase que mais provocou gargalhadas no público. Em determinado momento, ele oferece cachaça à jovem fotógrafa que está passando um tempo na deserta e melancólica cidade e complementa com um galanteio “Eu sou velho, mas ainda dou um caldo”.

Apesar das gargalhadas, o filme passa longe da comédia. Muito aplaudido ao fim da apresentação, foi possível ver gente de todas as idades enxugando algumas tímidas lágrimas em momentos determinantes da narrativa. Mas e qual a “história que só existe quando lembrada” preferida de Julia Murat? Com os olhos fixados no horizonte e um largo sorriso no rosto, ela responde:

“A minha memória da sessão apresentada em Toronto, porque o público era formado prioritariamente de idosos, que se emocionaram muito com a história. Foi uma das coisas mais bonitas que eu já vivi”.

Depois da calorosa recepção à história no Brasil e no mundo é importante seguir os passos desta jovem cineasta. Apesar de estar começando a trabalhar seu primeiro grande projeto, Julia já tem planos para um futuro próximo.

“Estou começando a tocar um projeto sobre o romance entre uma dançarina e um escritor. Quero trabalhar a ideia da pose com o movimento”, finalizou.

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