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"Não é um show de terror", diz diretor Abel Ferrara sobre filme que retrata o fim do mundo

AP
O diretor Abel Ferrara e o ator Willem Dafoe durante apresentação do filme "4:44 Last Day on Earth" no Festival de Veneza (7/9/11) Imagem: AP

CARLOS HELÍ DE ALMEIDA

Colaboração para UOL, do Rio

Anos atrás, quando Abel Ferrara voltava para os Estados Unidos do Festival de Veneza, onde exibiu “Maria” (2005), o avião em que viaja sofreu uma pequena pane. “De repente, as máscaras de oxigênio começaram a cair do teto e eu cheguei a pensar: ‘Oh, meu Deus, desta vez eu vou morrer!’”, contou o diretor americano ao UOL no último Festival de Veneza (setembro), onde exibiu “4:44 Last Day on Earth”, sua visão sobre o fim do mundo, uma das atrações do 13º Festival do Rio. “Acho que foi a partir daquele momento que comecei a pensar sobre a morte. No filme, a questão é ampliada para a humanidade, que parece que ainda não se deu conta de que seu descaso com a natureza pode leva-la à extinção”.

Protagonizado por Williem Dafoe,  um dos mais frequentes colaboradores de Ferrara, com quem fez “Enigma do Poder” (1998) e “Go Go Tales” (2007), e Shanyn Leigh, atual companheira do diretor, o filme descreve as últimas horas da raça humana a partir da perspectiva de um casal de Nova York. Isolados em seu apartamento com vista panorâmica para Manhattan, Cisco (Dafoe), um ator bem-sucedido, e Skye (Shanyn), uma pintora, ocupam-se de suas rotinas domésticas e profissionais enquanto aguardam o juízo final, marcado para as 4:44 da manhã seguinte. O filme tem sessões neste sábado (15), às  16h e 22h no Estação Sesc Botafogo 1, e neste domingo, às 13h10, 17h30 e 21h50, no Estação Vivo Gávea 5.

Carreira

Após passar a carreira inteira explorando o comportamento de personagens amorais e algo violentos, em filmes como “Vício Frenético” (1992) e “Olhos de Serpente” (1993), Ferrara surpreende com uma história de caráter filosófico. Há serenidade e reflexão em “4:44 Last Day on Earth”, filme que, segundo o próprio diretor, serve de alerta para a irresponsabilidade do homem moderno que, aparentemente, ignora os sinais deixados pelos cada vez mais frequentes desastres naturais. “É um filme sobre a destruição do planeta, e pelas mãos de seus próprios  habitantes. Não estamos falando de meteoros ameaçadores, não é um show de terror. Estou falando sobre uma humanidade que não lida direito com a emissão de carbono na atmosfera. A culpa é nossa”, acusou Ferrara.

Diferentemente de superproduções recentes que exploram o terreno da catástrofe, não há caos, desespero e ou gente gritando pelas ruas em “4:44 Last Day on Earth”. No roteiro escrito por Ferrara, os seres humanos parecem ter aceitado pacificamente o seu destino, como demonstram as imagens que chegam ao casal via TV ou pela internet. “O ponto é: o homem está destruindo o planeta, e todos encaram esta realidade”, explicou o realizador de 61 anos. “É  fácil entender o comportamento dos personagens. Basta colocar-se na posição deles. Você sabe que vai morrer hoje e que ninguém sobreviverá. Então, o que importa é pensar no que cada um representa um para o outro, no passado e no presente. Nada mais importa, posses, dinheiro, ou mesmo poder”.

A ação do filme concentra-se, basicamente, em um único cenário, o apartamento de Cisco e Skye usam o telefone e a internet para se comunicar com parentes e amigos, e recebem comida encomendada. Em uma rara sequencia fora do prédio, Cisco, um ex-viciado, vai despedir-se pessoalmente de alguns amigos e considera a possibilidade de usar drogas por uma última vez. Na TV, o noticiário acompanha a contagem regressiva. Vez por outra, ela mostra trechos de entrevistas com o ex-vice presidente americano e ecomilitante Al Gore e o Dalai Lama alertando sobre a responsabilidade da ganância do homem moderno pela catástrofe anunciada. “Eles foram muito generosos ao ceder essas imagens. É como se todos estivem contribuindo para a causa”, observou Ferrara.

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