Cinema

Atualizada em 10.11.2011 20h42

Diretor estreante retrata raízes do terrorismo na Alemanha dos anos 1960

Divulgação
Lena Lauzemis e August Diehl em cena de "Se Não Nós, Quem?", de Andres Veiel imagem: Divulgação

ALESSANDRO GIANNINI

Editor de UOL Entretenimento

Produção de grandes proporções, "Se Não Nós, Quem?", de Andreas Veil, que estreia nesta sexta-feira (11), foi apresentado pela primeira vez no Festival de Berlim 2011,  cercado de expectativas, por abordar um período histórico atribulado da Alemanha e personagens ambíguos e complexos.


O filme mostra o início da relação entre o escritor Bernward Vesper (August Diehl) e a editora Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis, fantástica no papel) no começo dos anos 1960. E acompanha os dois personagens e suas escolhas ao longo de uma década em que a luta entre totalitarismos e liberdade tomou uma dimensão mundial. Enquanto Vesper, filho de um escritor pró-nazista, escolhe o poder da palavra, Gudrun, filha de uma família de classe média, decide se juntar à causa de Andreas Baader (Alexander Fehling), para quem não existia outra opção para se lidar com o assunto a não ser o terrorismo.


"Se Não Nós, Quem?" é o primeiro longa-metragem de ficção de Veil. Na entrevista coletiva após a exibição do filme em Berlim, em que esteve acompanhado de Diehl, Lauzemis e do produtor, o diretor explicou que dois fatores o levaram a investir no projeto. "Em 2003, li um livro ["Vesper, Ensslin, Baader - Prehistory of German Terrorism"] e achei que muitas coisas sobre esse episódio da nossa história não haviam sido ditas", disse ele. "Por exemplo, a maneira como Ensslin era retratada, comparada a uma 'Medeia' sem coração que abandona o filho para se dedicar a uma luta. E também como Vesper era visto, filho de um escritor que trabalhou a soldo de Hitler e fez o discurso que antecedeu a famosa queima de livros em Dresden, em 1933."

O outro fator que levou Veil a apostar no filme foi a necessidade de dizer algo sobre assuntos que estão ligados à atualidade. "Não sei se o Iraque ou o Egito são reflexos do que aconteceu no passado, não saberia dizer se esses assuntos estão intimamente ligados ao filme", completou ele. "Mas a crise econômica que vivemos certamente sim. E, enquanto privatizarmos os ganhos e socializarmos as perdas, não sei o que será de nós. Para evitar que isso aconteça novamente acho que temos de nos posicionar."

Antes de ser concebido como ficção, "Se Não Nós, Quem?" passou por uma tentativa de ser feito como documentário. "Chegamos a iniciar a produção, mas muitos personagens envolvidos na história não queriam falar em frente às câmeras", contou Veil. "Por isso, decidimos partir para a ficção."

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