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"Eu quero ter a minha idade", diz Isabella Rossellini, que estrela filme sobre envelhecimento

Divulgação
Imagem: Divulgação

ALESSANDRO GIANNINI

Editor de UOL Entretenimento

10/11/2011 07h00

Lançado no Festival de Berlim, no início do ano, "Late Bloomers - O Amor Não tem Fim", que estreia nesta sexta-feira (11), traz Isabella Rossellini no papel de Mary, uma mulher que começa a sentir os sinais da velhice e tenta se adaptar à nova condição procurando se cuidar e estabelecer uma meta social.

Dirigido por Julie Gavras ("A Culpa É do Fidel"), "Late Bloomers" coloca Rossellini em posição delicada em um mundo dominado pelas aparências. "Eu quero ter a minha idade", disse ela, em Berlim, ao ser questionada sobre como se sente em relação à questão que o filme coloca. "Quero ser sofisticada, elegante, me vestir bem. Acho um pouco insultante quando as pessoas me dizem que eu pareço mais jovem. É como quando veem o meu filho, que é negro, e dizem para mim:  'Mas você é tão branca'. Acho isso um insulto."

No filme, Mary é casada com Adam (William Hurt), um famoso arquiteto que começa a questionar seu próprio trabalho quando é obrigado pelos sócios a aceitar fazer o projeto de um asilo para a terceira idade. Contrariado, ele reúne uma equipe de jovens arquitetos que se voluntariam a trabalhar no projeto de um museu. Paralelamente, o processo de aceitação da esposa e o de negação do marido cria um ruído forte no casal. Há ainda o personagem de Nora, a excêntrica avó materna, que funciona como a voz da consciência para os dois.

TRAILER DE "LATE BLOOMERS - O AMOR NÃO TEM FIM"


Comédia dramática muito bem dirigida e interpretada, "Late Bloomers" tem entre suas qualidades a atuação de Rossellini e Hurt. Gavras disse no festival alemão que ensaiou bastante os atores para que as frases saíssem naturalmente e também para criar o clima de verdadeira família entre eles. "Houve pouca improvisação", disse a cineasta. "Apenas colocamos um pouco dos italianismos e gestos por que os ingleses não sabem mexer as mãos como os italianos."

Alegre, bem humorada e muito risonha, Rossellini disse que fazia muito tempo não recebia um papel de protagonista. E achou "revigorante" o roteiro de Gavras. "Há poucos filmes que falam da velhice", disse ela. "E quando falam é sempre de uma maneira muito dramática. Além disso, tem uma sensibilidade muito feminina. Quando se fala de família, que é outro tema subjacente, é preciso do toque de uma mulher."

A certa altura, em "Late Bloomers", Mary se sente incomodada por parecer invisível ao olhar dos homens. Embora seja uma celebridade, Rossellini disse que isso certamente lhe aconteceu. "E também vai acontecer com todos vocês", brincou ela. "Eu adoro andar por Roma e é muito bom não ter que passar pela experiência de escutar assovios e sentir uma mão escorregando no seu traseiro. Pode ser lisonjeiro quando se é jovem, mas não é mais o meu caso."