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Espião em novo filme, Gary Oldman diz que não poderia trabalhar na profissão por ser "péssimo mentiroso"

Gary Oldman em "O Espião que Sabia Demais" - Divulgação
Gary Oldman em "O Espião que Sabia Demais" Imagem: Divulgação

ANA MARIA BAHIANA

Especial para o UOL, em Los Angeles

30/11/2011 07h00

Apesar de fazer o protagonista de um filme de espionagem considerado candidato ao Oscar 2012, Gary Oldman diz que não poderia ser um bom espião na vida real por ser "péssimo mentiroso". "Sou um péssimo mentiroso, e ser espião quer dizer, basicamente, mentir o tempo todo. Além do mais, se existe uma coisa no mundo que detesto e que me causa aversão quase física é desonestidade, deslealdade. Digo sempre isso aos meus filhos, e ironia é que meu trabalho como ator de certa forma é ligado a um tipo de subterfúgio… não deixa de ser uma forma de enganar, se passar por outra pessoa", explicou, tomando chá numa tarde de quase inverno em Los Angeles.

Em "O Espião Que Sabia Demais", adaptação de Thomas Alfredson ("Deixe Ela Entrar") para o livro de John Le Carré, Oldman é o olho de um verdadeiro furacão de intrigas na cúpula da espionagem britânica durante o auge da Guerra Fria, nos anos 1960. Suspeita-se que um dos agentes da elite do M-16 –-o serviço secreto britânico-– seja, na verdade, um espião soviético. George Smiley (Oldman) –-personagem recorrente e essencial na obra de Le Carré-– é encarregado pelo Ministro da Defesa de conduzir uma investigação sigilosa de seus colegas de ofício, num duplo jogo de sombras e mentiras com perigosas ramificações pessoais.

O livro de Le Carré já foi adaptado uma vez para TV britânica em 1979, com Alec Guinness no papel de Smiley. Oldman, que cresceu vendo Guinness e sua geração na tela –-"mas meu favorito sempre foi Peter Sellers, para mim ele é um gênio que podia fazer qualquer papel"-- tem uma coisa em comum com o ícone: "Como ele, eu tive receio de que o papel me engolisse, e eu passasse a ser apenas um veículo para Smiley. Mais um Smiley, por assim dizer. Por isso demorei a aceitar o papel."

O personagem também é o primeiro protagonista que Oldman faz em muito tempo --ultimamente seus trabalhos se limitaram  aparições como coadjuvante nas franquias Batman (como o Comissário Gordon) e Harry Potter (como Sirius Black). Ele diz que preferiu fazer papéis pequenos para poder cuidar dos dois filhos, Gulliver e Charlie, nascidos em 1997 e 1999, respectivamente, de sua ligação com a fotógrafa Donya Fiorentino.

"Smiley é mais próximo da realidade do trabalho de espionagem do que os personagens de Ian Fleming. A vida na comunidade da inteligência não é cheia de 'aston martins', martinis e lugares exóticos. É algo perigoso, introspectivo e muitas vezes tedioso. Para mim a chave que me fez entender o personagem foi sua imobilidade, sua capacidade de ser um observador e, pacientemente, esperar. Eu também, de certa forma, esperei 30 anos para viver este personagem."

Trailer de "O Espião que Sabia Demais"