Filmes e séries

Produtor de "Agamenon" diz que cinema brasileiro precisa de mais filmes "competitivos"

Taís Toti

Do UOL, em São Paulo

11/01/2012 06h30

Comemorando um quarto lugar nas bilheterias do final de semana com "As Aventuras de Agamenon - o Repórter", Bruno Wainer, diretor da distribuidora Downtown, diz que o desafio do cinema nacional é conseguir fornecer ao mercado uma maior quantidade de filmes que consigam competir com os longas estrangeiros nas salas brasileiras.

"O número de filmes nacionais distribuídos vem aumentando, agora temos cerca de 100 filmes por ano, mas o número de filmes competitivos continua estável nesse numero ridículo de oito, nove filmes por ano. Tem que aumentar logo para 15, 20", protesta Wainer.

Trailer de "As Aventuras de Agamenon"

Ele acredita que, para as produções nacionais aumentarem o marketshare (a "quota de mercado") nas salas brasileiras, é necessário mais agilidade e uma melhor distribuição dos financiamentos. "Não falta projeto bom para isso, o que falta é que o dinheiro chegue rapidamente e seja melhor distribuído".

 

Agamenon

Com 204 mil ingressos vendidos desde a estreia na sexta (6) até o domingo, o resultado de "As Aventuras de Agamenon - o Repórter" nas bilheterias é classificado por "sensacional" por Bruno Wainer. "Nossa expectativa era cautelosa, mas nos surpreendemos. O filme foi tão execrado pela crítica que ninguém esperava. É um filme ame-o ou odeie-o, mas essa reação extrema é boa porque o público está curioso".

O filme é baseado no personagem criado por Hubert e Marcelo Madureira, do "Casseta & Planeta", e estrelado por Marcelo Adnet e Luana Piovani. "Já prevejo a melhor performance de um filme do 'Caceta'", garante o diretor da Downtown.

As comédias são maior garantia de bilheteria, mas Wainer afirma que o objetivo da Downtown é diversificar os gêneros. "É preciso ter em mente que a cinematografia não vive só de um gênero. No ano passado as comédias foram campeãs, mas tivemos surpresas como 'Assalto Ao Banco Central' e até o filme do Selton Mello, 'O Palhaço', que é um drama com toques de comédia. Ninguém pode querer colocar o cinema brasileiro num gueto'".

Em 2012, a Downtown aposta em "Xingu", épico sobre os irmãos Villas Bôas dirigido por Cao Hamburguer, e "Gonzaga, De Pai Para Filho", que sai no segundo semestre aproveitando as comemorações do centenário do músico Luiz Gonzaga.

Uma surpresa nas bilheterias pode ser "Heleno", filme sobre o jogador de futebol  interpretado por Rodrigo Santoro que estreia em março. "'Heleno' é mais fino, mais sofisticado, mas dentro dessa fatia de filmes sofisticados é o melhor que eu vi feito no Brasil há bastante tempo", elogia Bruno Wainer.

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