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Favorito ao Oscar, "O Artista" faz referências a ícones e filmes dos primórdios do cinema

Divulgação
Jean Dujardin e Bérénice Bejo em cena de "O Artista", de Michel Hazanavicius Imagem: Divulgação

Sandro Macedo

Do UOL, em São Paulo

10/02/2012 07h00

Quando estreou no último Festival de Cannes, o franco-belga “O Artista” encantou crítica e público, mas saiu apenas com o prêmio de melhor ator, para Jean Dujardin. A Palma de Ouro na ocasião foi para o americano “A Árvore da Vida”. Praticamente nove meses depois, “O Artista”, que estreia nesta sexta (10), tornou-se o principal favorito ao Oscar, à frente de produções como “A Invenção de Hugo Cabret”, “Os Descendentes”, “Histórias Cruzadas” e “A Árvore da Vida”, agora, mero coadjuvante.

Mesmo com uma indicação a menos que "Hugo", de Martin Scorsese, recordista com 11, o longa de Michel Hazanavicius já venceu mais de 50 prêmios desde Cannes, incluindo o Globo de Ouro na categoria musical/comédia, um dos termômetros da Academia.

HOMENAGEM AO CINEMA

  • Um dos filmes mais badalados da temporada, "O Artista", que recebeu dez indicações ao Oscar, destoa das produções com que concorre: o filme francês é mudo e em preto e branco, e homenageia os primórdios do cinema norte-americano


Com um orçamento de apenas US$ 15 milhões, o menor entre os indicados do ano, em preto e branco e sem diálogos, “O Artista” volta a 1927, época em que a meca do cinema ainda ostentava o letreiro Hollywoodland. George Valentin (Jean Dujardin) reinava como o grande astro do cinema mudo e suas aventuras lotavam as salas de cinema para alegria de seu produtor, Al Zimmer (John Goodman). Na saída de uma das salas, ele conhece a jovem Peppy Miller (Bérénice Bejo, mulher de Hazanavicius fora das telas), aspirante a estrela que batalha por pequenas aparições em filmes, como os estrelados por Valentin. A atração imediata do casal é freada pelo casamento do ator com Doris (Penelope Ann Miller).

Quase tão orgulhoso quanto ingênuo, Valentin não percebe o perigo da aproximação de uma descoberta, o cinema sonoro. Junta-se a isso a grande crise na economia americana no final da década de 1920, e Valentin vê seu prestígio e fortuna ruírem em pouco tempo. Sem conseguir se adaptar à nova tecnologia, ele cai no esquecimento. Ao mesmo tempo, Zimmer aposta em Peppy como uma das novas estrelas do filme falado.

Mais do que uma história do amor, Michel Hazanavicius resgata a trajetória de um gênero, e como muitos artistas não souberam lidar com a passagem do tempo e a transformação do formato. Mal comparando, é como se o 3D engolisse o método anterior e levasse vários profissionais respeitados ao ostracismo (Scorsese prova que a passagem é menos radical com seu “Hugo”, sua primeira e bem-sucedida incursão no cinema em terceira dimensão).

Além da ótima trilha sonora de Ludovic Bource, que marca toda a exibição do longa, boa parte do sucesso de “O Artista” pode ser creditado ao charme do casal principal - o mesmo de “Agente 117”, comédia também dirigida por Hazanavicius que rendeu uma sequência com cenas filmadas no Rio e em Foz do Iguaçu.

Jean Dujardin já pinta como barbada entre os concorrentes à estatueta de melhor ator (além da Palma de Ouro, levou o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores). Na noite do Oscar, salvo alguma surpresa, será possível ouvir o seu inglês carregado de sotaque francês e observar mais uma vez sua indefectível sobrancelha, a mais expressiva do cinema desde que Jack Nicholson arqueou as suas para ganhar todos os papéis de psicóticos da produção recente.

Filha do pouco conhecido diretor argentino Miguel Bejo, a “hermana” Bérénice (que vive desde os 3 anos na França) tem menos chance entre as coadjuvantes, prêmio que deve cair na mão de Octavia Spencer (a rebelde empregada Minny de “Histórias Cruzadas”).


Indicado por direção e roteiro original, Michel Hazanavicius faz uma carta de amor a Hollywood, mas nega apego à nostalgia. “Assisti a um número enorme de filmes mudos para fazer o roteiro, porque as regras não são as mesmas que as do cinema falado. Sou fascinado pelo cinema mudo, como forma de arte, mas não sou um nostálgico do passado", explicou em entrevista ao "Financial Times".

De qualquer forma, uma penca de referências a clássicos se misturam em “O Artista”, desde óbvias, como a inspiração do nome de George Valentin (Rodolfo Valentino) a outras menos sutis, como a cena do café da manhã de “Cidadão Kane”, ícone do cinema bem posterior à fase muda.

Além do galã Valentino, o protagonista de Jean Dujardin carrega a comicidade de Charlie Chaplin, o espírito aventureiro de Douglas Fairbanks e o sorriso e sapateado de Gene Kelly. A cena em que Valentin interpreta um espadachim com uma peruca comprida lembra o Dartagnan de Kelly em “Os Três Mosqueteiros”.

A própria trama, com o fim do cinema mudo e o advento do sonoro, já foi tema em “Cantando na Chuva” (de 1952, de novo com Kelly) e até na comédia “A Última Loucura de Mel Brooks” (1976).

Mas não pense que Hazanavicius abriu mão da tecnologia em “O Artista”. Algumas das cenas com o simpático cachorro, por exemplo, tiveram a inclusão de efeitos digitais. Mesmo a límpida fotografia do filme não encontra paralelo no cinema mudo. Com os recursos de hoje, Hazanavicius produziu um dos filmes mais interessantes da temporada, seja mudo, colorido ou high-tech.

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