Cinema

Aos 78 anos, filha de Walt Disney revela segredos de família por trás do clássico "A Dama e o Vagabundo"

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Diane Disney Miller e seu filho Walter E. D. Miller, fundadores do Walt Disney Family Museum, em San Francisco imagem: Divulgação

Diego Assis

Do UOL, em São Paulo

1955 foi um ano mais do que ímpar para Walt Disney. Já estabelecido como um dos maiores nomes da animação mundial e vencedor de inúmeros Oscar, foi nesse período que o artista se confirmou também como um grande visionário dos negócios. Investiu em filmes com atores de carne-e-osso, levou pela primeira vez à TV "Clube do Mickey" e - antigo sonho - inaugurou em Anaheim, na Califórnia, o primeiro parque temático dedicado às suas criações: a Disneylândia.

"Foi um grande ano para o meu pai. Tudo aconteceu ao mesmo tempo", atesta em entrevista por telefone ao UOL Diane Disney Miller, 78 anos. Filha mais velha de Walt com Lillian Bounds, sua única esposa, Diane empresta suas "memórias maravilhosas" desse tempo para os extras e comentários da edição especial em Blu-ray de "A Dama e o Vagabundo", clássico animado que a Disney devolveu às prateleiras brasileiras em janeiro e que, não por acaso, também é de 1955.

A excelência do trabalho dos estúdios Disney àquela altura - quando já haviam colocado nas telas obras-primas da animação como "A Branca de Neve os Sete Anões", "Pinóquio" e "Fantasia" - se comprova em cada quadro de "A Dama e o Vagabundo", com cenários cuidadosamente pintados à mão e uma coleção de móveis e objetos vitorianos digna de museu. Também transparece no filme, que conta a história de uma cachorrinha "de madame" que se apaixona por um vira-lata, aquela mesma vontade de viver e romper (certas) convenções que moviam a cabeça de um empreendedor como Walt naqueles anos.

Mais que isso, conta Diane em um preciosa revelação biográfica, "A Dama e o Vagabundo" também levou às telas parte do que acontecia entre quatro paredes na própria família Disney. "Meu pai pensou por muitos anos em contar essa história. Ele sempre quis usar aquela anedota, de como Lady é apresentada como um presente de Natal, porque foi exatamente isso que ele fez com a minha mãe tempos antes. Ele deu a ela um cachorrinho de Natal e o entregou dentro de uma caixa de chapéu, porque ela não queria ganhar um cachorro", lembra. "Então, ele pegou esse filhote que comprou e guardou na casa do vizinho, que era irmão dele, e na manhã de Natal o trouxe em um embrulho de presente. Quando abriu a caixa e o filhote saltou, minha mãe ficou muito feliz."

Em "Lembrando de Papai", minidocumentário que acompanha a re-edição especial do filme, Diane apresenta um apartamento especial que Walt mandou construir na Disneylândia de Anaheim, onde gostava de se hospedar com a mulher, as filhas (além de Diane, sua única filha biológica, Walt e Lillian adotaram Sharon Mae Disney) e os netos.

  • Lançado em janeiro no Brasil, "A Dama e o Vagabundo - Edição Diamante" traz o clássico de animação de 1955 em versões em Blu-ray e DVD. Nos extras, há documentários sobre Walt Disney, o lançamento da Disneylândia, além de cenas descartadas, story boards e e esboços dos personagens de "A Dama e o Vagabundo".

"A Disneylândia apareceu no tempo em que a gente já estava bem crescida. Meus filhos aproveitaram mais", explica Diane, que deu o primeiro neto a Walt em 1954, um ano antes da inauguração do parque. "Na verdade, nosso 'parquinho' sempre foi o velho estúdio da Disney, em Burbank, Califórnia, que era novidade quando a gente era criança. Nosso pai nos levava lá nos finais de semana, e eu e minha irmã perambulávamos pelos estúdios e por todo o terreno de bicicleta. Aquele estúdio era nosso verdadeiro playground."

Afastada desde a década de 1980 das atividades da Walt Disney Company, época em que seu marido, Ron W. Miller, controlava o conglomerado multibilionário de empresas de mídia, diversão e licenciamento de seu pai, Diane cuida atualmente do Walt Disney Family Museum, localizado próximo a San Francisco. Em paralelo, mantém viva uma das antigas - e provavelmente menos conhecidas - atividades da família Disney: o cultivo de vinhos no Vale de Napa.

"Foi algo em que a gente achou legal investir na década de 1970. Minha mãe era sócia. Estávamos intrigados com o crescimento da indústria de vinhos na Califórnia e, embora não conhecêssemos muito sobre vinho, resolvemos investir", explica. " A gente tinha bons vinhedos. Compramos um ótimo em 1981. Não é um bom negócio agora, por conta da recessão, mas ainda gostamos muito do nosso vinho", conclui a filha orgulhosa de Walt e da Silverado Vineyards Winery.

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