Cinema

"Me deparei com um roteiro insano, divertido, genuinamente brasileiro", diz Selton Mello sobre "Billi Pig"

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Selton Mello em cena de "Billi Pig", de José Eduardo Belmonte imagem: Divulgação

Sérgio Alpendre

Do UOL, em Tiradentes (MG)

Protagonista de “Billi Pig” ao lado da estreante Grazi Massafera, Selton Mello conversou com o UOL durante a 15ª Mostra de Tiradentes, onde o filme teve pré-estreia e o ator foi homenageado. Aqui o ator discorre sobre o cinema brasileiro, sobre direção de atores, influências e, claro, sobre "Billi Pig", que estreou nos cinemas nesta sexta-feira (2).

GRAZI NO CINEMA

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    Depois de ter feito uma pequena participação em um filme de Renato Aragão, Grazi Massafera agora estreia para valer no cinema, como protagonista de "Billi Pig". Grávida de seis meses, ela faz planos para a carreira e não pensa em parar.

 


UOL - Para iniciar com uma pergunta básica: fale um pouco de como começou sua relação com "Billi Pig".
Selton Mello -
O [diretor José Eduardo] Belmonte me enviou o roteiro, sabia que Vania Catani, produtora de “Feliz Natal” e “O Palhaço”, produziria, e me deparei com um roteiro insano, divertido, genuinamente brasileiro. Um personagem cativante numa atmosfera bem peculiar. Ou seja, convite aceito.

UOL - Qual a importância do personagem de "Billi Pig" em sua carreira?
Selton -
Tenho a impressão que consegui ali um registro de comédia diferente do que já havia feito. Algo que flerta com Billy Wilder e com as chanchadas do Oscarito. Wanderlei é um pobre diabo, um sujeito em apuros. A base de uma comédia nasce de um personagem em apuros.

UOL - Como foi contracenar com Grazi Massafera? A interpretação dela foi considerada por muitos uma grata surpresa?
Selton -
Eu já via diariamente no set como a Grazi estava indo muito bem. Quando vi o filme pronto foi uma constatação do que já intuía. Ela está excelente na tela grande, fazendo uma personagem cheia de nuances. Grazi vai surpreender nesse trabalho e tem um futuro lindo pela frente.


UOL - Você declarou ser um grande fã de Clint Eastwood. Há algumas similaridades entre sua trajetória e a dele. Ambos construíram uma forte persona cinematográfica (ele como durão e taciturno, você como garotão gente boa), e procuram desconstruí-la, ou mesmo negá-la, em alguns trabalhos. Você vê essa similaridade? Considera-se um ator-autor?
Selton -
Sou um grande entusiasta da obra do Clint, um diretor muito sensível e inspirado. Sempre fui colaborador de todos os filmes que fiz, mas acho que isso não é nada mais do que a obrigação de qualquer ator, trabalhar em prol do trabalho, oferecendo o melhor que puder no set de filmagem.

UOL - Conte um pouco mais sobre o convite para "Star Trek”.
Selton -
O que aconteceu ali foi um convite da equipe dele [J.J. Abrams], em nome do J. J., para o filme, mas não tinham um roteiro, um personagem específico. Cabia a mim me aventurar em tal travessia no escuro ou não, era pegar ou largar. E achei que não ficaria contente caso as coisas não andassem como eu gostaria. Então preferi seguir aqui o meu caminho, passo a passo. Sou muito grato pelo o que conquistei dentro de meu próprio país.

UOL - Pode enumerar os diretores que sabem dirigir atores no cinema brasileiro?
Selton -
Luiz Fernando Carvalho e Guel Arraes são os melhores diretores de atores com quem tive a sorte de trabalhar.


UOL - Na entrevista coletiva em Tiradentes você mencionou sua admiração por Tony Ramos. Que outros atores admira no cinema (dentro e fora do Brasil)?
Selton -
Os maiores atores do cinema brasileiro são Paulo José e José Dumont. Para citar um gringo, sou fãzaço do Sean Penn também.

UOL - E diretores?
Selton -
Lars von Trier, Christopher Nolan, Walter Salles, Alejandro Iñarritu, Woody Allen, Scorsese, Mallick, Fernando Meirelles e muitos outros que não caberiam nessas linhas.

UOL - Como você vê a crítica de cinema hoje? Houve alguma que te desagradou profundamente?
Selton -
A crítica pode completar um raciocínio, pode colocar luz sobre determinado aspecto de um trabalho seu que não estava sendo visto. Alguém disse certa vez que um filme passa a existir quando sai algo escrito sobre ele, uma crítica. Já tive críticas bem interessantes que me fizeram pensar de uma maneira saudável em evoluir na próxima chance e também críticas banais, pessoais, essas não valem nem esquentar a cabeça.

UOL - Pode adiantar alguns dos próximos projetos?
Selton -
Trabalho simultaneamente no lançamento de dois filmes: "Billi Pig", do José Belmonte, e "Reis e Ratos", do Mauro Lima. Enquanto isso, estou tateando o que vou fazer, lendo coisas, vendo filmes, vivendo a vida, me alimentando. No aguardo de algo que me arrebata e me faça querer transformar o que senti em alguma expressão artística.

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