Cinema

Atualizada em 20.03.2012 15h49

"Eles querem comprar ação em baixa," diz Heitor Dhalia sobre seu 1º trabalho em Hollywood

Divulgação
O cineasta pernambucano Heitor Dhalia, que participou de seu primeiro projeto internacional, "12 Horas" imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

O diretor pernambucano Heitor Dhalia ("À Deriva") está lançando agora "12 Horas", seu primeiro filme produzido nos Estados Unidos, mas já começa a entender o interesse de Hollywood por talentos estrangeiros. "É uma bolsa de valores. Eles querem comprar uma ação em baixa. Vai que esse cara que está despontando em outro lugar vai ser 'o cara', no futuro?".

Apesar de ser seu primeiro filme em Hollywood, seu namoro com o cinema americano começou muito tempo antes, em 2004, quando seu primeiro filme, "Nina", foi apresentado no Festival de Toronto e dois agentes se interessam por representá-lo nos Estados Unidos.

Eu fui um matador de aluguel.

O cineasta Heitor Dhalia, sobre sua primeira experiência em Hollywood, "12 Horas"

"Mas eu não falava a língua. Fechei com um agente lá, mas não aconteceu nada. Voltei para o Brasil e em 2005 comecei a estudar inglês todos os dias da semana. Também comecei a ir com mais frequência a Los Angeles. Levei 'O Cheiro do Ralo' para Sundance, na mostra competitiva, e fechei com uma das maiores agências de representação dos EUA. Mas meus filmes eram filmes pequenos, que não interessavam ao mercado. Então, continuei indo, tentando compreender melhor o mercado", contou o diretor, durante conversa com jornalistas em São Paulo, nesta terça-feira (20).

Foi só depois de apresentar "À Deriva" no Festival de Cannes, em 2009, que propostas mais concretas começaram a aparecer. Dhalia chegou a ser contratado para dirigir um thriller de espionagem com o título de "April 23", que acabou não sendo realizado

O cineasta, quem em "12 Horas" dirige a estrela em ascensão Amanda Seyfried, conta que além do interesse em talento estrangeiro, os produtores buscam um bom investimento. "Também tem que ser um investimento seguro, eles querem saber se o cara não vai sair andando, surtar. O talento estrangeiro também entra como uma mão de obra mais barata e mais fácil de controlar - porque você não entende o sistema e também não entende a língua", diz.

Para um diretor acostumado a assinar seus roteiros e ter controle criativo sobre seus filmes, Dhalia diz que a experiência foi difícil, pois o filme é do produtor. Dhalia conta que não pôde ensaiar nenhuma vez com Seyfried e também não podia conversar com ela sem a presença do produtor. Também não lhe foi permitido levar nenhum dos profissionais com quem já estava acostumado a trabalhar. "Ingenuamente, achei que não poderia levar ninguém porque seria outro risco para o produtor, que já estava apostando em mim. Mas na verdade é porque não podia ser ninguém ligado a mim, porque isso é poder e o produtor quer total controle sobre o filme".

O cineasta também se impressionou com o nível técnico dos profissionais. "O grau de preparo de qualquer profissional é muito alto. Mas a elite dos profissionais brasileiros não deixa nada a desejar. A diferença é do recurso e da base industrial. Você não tem que inventar um profissional, esse profissional já existe, com sindicato, com experiência".

Apesar das dificuldades, Dhalia diz estar contente por ter alcançado um objetivo ambicioso e diz que quer continuar fazendo filmes nos Estados Unidos. "Usando o exemplo do serial killer, ele mata por prazer, enquanto o matador de aluguel mata por contrato, por dinheiro. Mas, para fazer isso, já tem que gostar de matar. Eu fui um matador de aluguel nesse caso," brincou. E completou "Continuo querendo fazer um filme lá, mas não é mais a qualquer custo".

"12 Horas", que estreia no dia 6 de abril, acompanha Jill (Amanda Seyfried), uma garota que acredita que o mesmo serial killer que a sequestrou um ano antes acaba de raptar sua irmã, mas tem que tentar encontrá-lo sozinha, já que ninguém acredita nela.

TRAILER DO FILME "12 HORAS"

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