Cinema

Atualizada em 10.05.2012 11h50

"Não acho que estou passando vergonha", diz Ney Matogrosso sobre atuação em novo filme

Divulgação
Ney Matogrosso em cena de "Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha" imagem: Divulgação

Ana Okada

Do UOL, em São Paulo

Ney Matogrosso faz sua estreia como protagonista já com a difícil missão de reviver o famoso bandido "Luz Vermelha" em "Luz Nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha", dirigido por Helena Ignez e Ícaro Martins. O filme estreia nesta sexta-feira (11) em São Paulo e é uma espécie de continuação de "Bandido da Luz Vermelha" (1968), de Rogério Sganzerla, e tem roteiro do próprio Sganzerla, que morreu antes de conseguir realizar o filme.

O cantor diz que gostou do resultado geral e de seu desempenho como ator: "Não acho que estou passando vergonha. Acho que estou lá compondo dignamente o personagem". No novo filme, "Luz Vermelha", que havia morrido no filme de 68, é retratado como se fosse a versão verdadeira do personagem. Diferente do primeiro, que era um jovem inconsequente, este é um homem amargurado, que passou a maior parte da vida na cadeia, leu muito, refletiu sobre a vida e sabe que não tem perspectivas de liberdade, a não ser que arranje um meio de fugir. "Ele está mais cabeça feita, lê muito Kant, Nietzsche. Esse nosso é mais verdadeiro, mais humano; o outro é mais uma ficção."

Matogrosso, que já atuou no longa "Sonho de Valsa", de 1987 e em alguns curtas e médias-metragens, fala que esse filme foi o que lhe deu mais trabalho. Ele participou das filmagens durante um mês, às vezes das 6h da manhã às 18h, e ficava a maior parte do tempo sozinho em uma cela de um presídio desativado de São Paulo. Apesar da rotina dura e do "clima esquisito" do presídio, ele explica que a adrenalina de atuar valeu a pena: "O cinema é tão excitante... Você espera para filmar, vai lá, e uma adrenalina te percorre. É muito interessante, porque você sabe que você tem que fazer aquilo ali e tem que ficar bom, porque é para sempre".

Para atuar em "Luz Nas Trevas", Ney diz que não tentou se parecer com o personagem do filme anterior e não fez nenhuma preparação especial --pedido da diretora Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla, que o queria "o mais natural possível". O que, a princípio, o deixou tranquilo, no fim o amedrontou um pouco. "Quando foi chegando a hora de filmar, comecei a ficar inseguro. Mas durante o filme todo, sempre que acabava uma cena, Helena me dava uma resposta dizendo o que tinha achado. Isso me tranquilizou."

"Luz Vermelha" teria uma cena de nu frontal --quando lê uma passagem de um livro em sua cela. A diretora Helena, no entanto, acabou cortando o trecho. Matogrosso concordou com a edição final, mas revela que não veria problema se aparecesse pelado. "No cinema, o nu chama muito a atenção desnecessariamente. Tem circunstâncias em que fica compatível, mas não era o caso aqui, especificamente. O faot de ele estar nu na cena já desperta uma coisa nas pessoas. Isso excita as cabeças, os pensamentos... Mas não tenho nada contra a nudez", conta.

Depois de "Luz Nas Trevas", Ney já fez mais dois filmes --o curta "Gosto de Fel", de Beto Besant, e em "O Primeiro Dia de Um Ano Qualquer", de Domingos de Oliveira, e diz que quer atuar mais. "Sempre que tiver uma oportunidade e for uma coisa que me interesse, pretendo atuar, sim. Esse é um exercício do ator de que sentia muita falta, já que teatro não posso fazer, porque ocupa o mesmo espaço e tempo da música. Me interessam os personagens que sejam muito diferentes de mim, para mergulhar em universos completamente diferentes do meu", diz.

TRAILER DE "LUZ NAS TREVAS"

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