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CCBB exibe filmes de Douglas Sirk, diretor que influenciou Almodóvar e Ozon

Divulgação
Cena de "Imitação da Vida" (Imitation of Life, 1959), de Douglas Sirk Imagem: Divulgação

Sérgio Alpendre

Do UOL, em São Paulo

16/05/2012 07h00Atualizada em 14/05/2012 17h43

A partir de 16 de maio, o CCBB de São Paulo dará um bom motivo para o cinéfilo acampar em sua pequena sala no centro da cidade: a mostra Douglas Sirk - O Príncipe do Melodrama, que exibirá 29 filmes do grande diretor alemão falecido em 1987.

Douglas Sirk iniciou sua carreira no começo dos anos 1930, ainda na Alemanha, mas ficou mais conhecido com os melodramas que fez para a Universal nos anos 1950. São filmes de cores exuberantes, cenários luxuosos e elegância nos movimentos de câmera. O melodrama pedia o exagero, pensava esse diretor que influenciou Fassbinder, Almodovar e Ozon.

Não é uma mostra completa. Falta, por exemplo, o primeiro longa realizado por ele nos Estados Unidos, "O Capanga de Hitler" (1943), filme extraordinário com o qual arrombou a porta de Hollywood. Também está ausente o drama alemão "A Nona Sinfonia" (1936), que ilustra com precisão suas raízes melodramáticas.

Podemos lamentar outras ausências, como "Átila, O Rei dos Hunos" (1954), um dos diversos longas que mostram que ele era ótimo também fora do registro melodramático, ou o filme que fez no intervalo entre a produção alemã e a hollywoodiana, o holandês "Boefje", de 1939.

O que a mostra traz, contudo, é essencial para entendermos a carreira desse diretor importantíssimo e sempre subestimado. Serão exibidos, por exemplo, as obras-primas que o levaram a ser chamado de "príncipe do melodrama": "Tudo Que o Céu Permite" (1955), "Palavras ao Vento" (1956), "Amar e Morrer" (1958) e "Imitação da Vida" (1959). Saiba mais sobre os filmes no álbum abaixo:

Para confirmar que nem só de melodrama viveu Sirk, convém atentar para a excelente aventura "Sangue Rebelde" (1955), para a deliciosa comédia "Sinfonia Prateada" (1952), para o faroeste "Herança Sagrada" (1954) e para os filmes hollywoodianos dos anos 1940, que já mostravam um diretor em pleno domínio de seu enorme talento.

A fase hollywoodiana de Douglas Sirk, amplamente reconhecida como superior à fase europeia, promove o encontro com dois atores importantíssimos do cinema americano: George Sanders, com quem filmou três de seus longas dos anos 1940, e, principalmente, Rock Hudson, o ator por trás de seus melodramas clássicos.

Sanders tem o tipo ideal para filmes de espionagem e para personagens com requinte e sofisticação, conforme havia mostrado no espetacular "Correspondente Estrangeiro", de Hitchcock. Os três filmes da parceria estão presentes na mostra. Dois deles, infelizmente, passam em DVD: "Vidocq" (1946) e "Emboscada" (1947).

O outro filme com Sanders, "O Que Matou Por Amor" (1944), seu segundo em Hollywood, passa em 16 mm. Mas é inegável que a grande parceria entre Sirk e um ator se deu com Rock Hudson. Foram oito filmes ao todo, incluindo personagens tocantes como o jardineiro que ama a natureza e uma mulher mais velha em "Tudo Que o Céu Permite" e o amigo humilde de um ricaço mimado em "Palavras ao Vento". Tal ricaço, por sinal, é interpretado por Robert Stack, mesmo ator que dividiria o protagonismo com Hudson em outro Sirk de primeira, "Almas Maculadas" (1957).

Não podemos esquecer de John Gavin, soberbo em "Amar e Morrer" (1958) e presente também em "Imitação da Vida", e das atrizes Jane Wyman, que protagonizou dois filmes de Sirk, ambos dividindo a cena com Rock Hudson, "Tudo Que o Céu Permite" e "Sublime Obsessão" (1954), e Claudette Colbert, protagonista em "Sonha, Meu Amor" (1948) e "Agonia de uma Vida" (1951).
A mostra ainda apresenta dois filmes de John M. Stahl nos anos 1930, refilmados por Sirk nos anos 1950: "Imitação da Vida" (1934) e "Sublime Obsessão" (1935), que infelizmente passam em DVD.

Para completar, três filmes influenciados por Sirk: "O Medo Devora a Alma" (1974), obra-prima de Rainer Werner Fassbinder (que também escreveu um dos melhores textos sobre Douglas Sirk); "Segredos e Mentiras" (1996), de Mike Leigh, que expande os horizontes das influências do diretor alemão; e "Longe do Paraíso" (2002), um dos melhores trabalhos de Todd Haynes.

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