Cinema

Em documentário, Polanski chora ao relembrar morte da mãe pelos nazistas

Divulgação
Cena do filme "Roman Polanski: A Filme Memoir", de Laurent Bouzereau (2012) imagem: Divulgação

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes

“Revendo minha história, é difícil acreditar em livre arbítrio, que não haja alguma espécie de destino traçado.” A frase encerra o documentário “Roman Polanski – A Memoir”, de Laurent Bouzereau, apresentado nesta quarta-feira (16) em sessão especial no Festival de Cannes.

Bouzereau, amigo pessoal do cineasta há mais de 30 anos, entrevista Polanski na sua casa na Suíça. O diretor começa falando da situação surreal que foi sua recente prisão em 2009, quando passou dez semanas preso e mais oito meses em prisão domiciliar – ainda por conta das acusações de assédio sexual em Los Angeles em 1977, caso que julgava encerrado. “Uma aeromoça me conduziu para uma espécie de sala VIP. Havia três homens com ela, pensei que fossem jornalistas. Eram policiais me dando a ordem de prisão”.

Na sequência, ele lembra com emoção da infância na Polônia no auge da perseguição nazista aos judeus na Segunda Guerra. “Um dia, meu pai chegou e anunciou a mim que minha mãe não voltaria. Havia sido levada pelos alemães. O curioso é que não chorei naquele momento. E comecei a pedir para ele parar de chorar, senão levariam o resto de nossa família”, conta, às lágrimas. Seu pai também foi detido mais tarde, mas sobreviveu.

O assassinato de sua mulher, Sharon Tate, por Charles Manson em Los Angeles e o processo de assédio sexual que o levou a sair dos Estados Unidos já haviam sido tratados em documentários anteriores, mas agora ganham um tratamento mais equilibrado. Como indica o título, as memórias pessoais de Polanski ganham bastante relevo – há todo um trecho dedicado à francesa Emmanuele Seigner, sua esposa há mais de 25 anos e mãe de seus dois filhos.

Para o cinéfilo, no entanto, o maior prazer é acompanhar as associações livres entre aquilo que Polanski fala e cenas de seus filmes como “O Pianista”, “Chinatown”, “O Bebê de Rosemary” e um de seus primeiros curtas, “Os Mamíferos”.

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