Filmes e séries

Com ar de novela, filme egípcio faz ficção sobre os protestos da praça Tahrir

Divulgação
Cena do filme "Baad El Mawkeaa" ("After The Battle"), de Yousry Nasrallah Imagem: Divulgação

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes

17/05/2012 08h20

Às vezes acusado de ser um festival pouco político, ao contrário do de Berlim, o Festival de Cannes incluiu na competição deste ano o filme egípcio “Baad el Mawkeaa” (Depois da batalha), que teve cenas filmadas “a quente” durante os protestos na praça Tahrir, no ano passado, que levaram à derrubada do ditador Hosni Mubarak.

O filme enfoca o episódio dos “cavaleiros da praça Tahrir”, que ocorreu em 2 de fevereiro de 2011. Manipulados pelo regime de Mubarak, alguns civis entraram de cavalo na praça para reprimir violentamente os protestos. No filme, Reem, uma ativista de classe média e posições liberais, se aproxima de um desses cavaleiros, Mahmoud, para entender suas motivações.

Mahmoud foi derrubado do cavalo e apanhou dos protestantes, e depois disso não conseguiu mais emprego e foi humilhado no seu bairro. Ele conta a Reem que trabalhava como guia turístico em volta das Pirâmides, mas ficou sem trabalho depois que o regime construiu um muro para impedir o acesso desses guias aos turistas. Soldados do governo procuraram Mahmoud e sua turma prometendo derrubar o muro e arrumar-lhes trabalho de novo se eles reprimissem os manifestantes – e não cumpriram a promessa depois.

“Desde o ano passado, tornou-se evidente a necessidade mundial de entender quem somos nós os egípcios. Este é um filme sobre indivíduos que se recusam a se deixar massacrar pela História com H maiúsculo”, disse o diretor. “Nosso país é dominado pelas Forças Armadas há mais de 60 anos e só agora dá seus primeiros passos na democracia”.

Nasrallah falou sobre a dificuldade de se filmar no Egito hoje. “O cinema, assim como a música e todas as artes, está sendo atacado e impedido no Egito pelos islamistas.Com este filme, quero demonstrar que o cinema egípcio ainda existe. Isso é o que fez com que a equipe e os atores enfrentassem o risco de filmar nos protestos sem saber como aquilo ia acabar”, contou.

“Depois da batalha” dá uma boa noção das diferenças de classe e opinião que dividem o Egito hoje, neste período de transição para a democracia – mostrando como grande parte da população ainda se mostra conservadora e desconfiada das mudanças. Esteticamente, porém, seu formato se aproxima das telenovelas, com uma heroína exageradamente idealista, diálogos que às vezes parecem discursos e outros personagens que estão ali apenas como estereótipos sociais para tentar explicar o quadro social.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
ANSA
do UOL
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
AFP
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
do UOL
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
Topo