Cinema

Filme mexicano "Post Tenebras Lux" é muito vaiado em sessão para jornalistas

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Cena do filme "Post Tenebras Lux", de Carlos Reygadas imagem: Divulgação

Thiago Stivaletti

Do UOL, de Cannes

O filme “Post Tenebras Lux”, do mexicano Carlos Reygadas, recebeu até agora as maiores vaias na sessão de imprensa do festival. A produção faz uma montagem indecifrável de cenas e situações em torno de Juan, que se mudou com a mulher e os dois filhos de alguma cidade grande no México para o campo.

Essa vida rural tem seus momentos bons (de felicidade familiar) e ruins (os grandes fazendeiros que promovem desmatamentos ou os caseiros que planejam um assalto à casa). À maneira do tailandês “Tio Boonmee...”, uma espécie de diabo, mostrado apenas como uma silhueta vermelha, entra sorrateiro na casa da família à noite.

“Trato apenas de compartilhar o que vivo, sinto e imagino. Me sinto livre em todos os sentidos. Às vezes até tento fazer um filme mais fácil, mas não consigo”, explicou o diretor, que disse não ligar para as vaias na sessão. “Não me importa o que a imprensa pensa de mim. Se não gostarem dos meus filmes, isso pode até ser positivo. Meu objetivo não é agradar o máximo de gente possível. Me interessa que algumas pessoas possam ser tocadas pelo filme”.

“Post Tenebras Lux” é certamente um filme mais difícil de compreender do que o seu filme anterior, o transcendental “Luz Silenciosa”. Sequências de passado, presente e futuro misturam-se a momentos de fantasia, sonho ou imaginação de um dos personagens. A abertura sensacional acompanha uma menina que brinca com vacas no pasto, enquanto uma forte tempestade se aproxima. Em outra sequência, que mais parece um sonho, o casal entra numa sauna povoada de casais em diferentes salas para praticar swing. Como indica o título, o sublime e o mundano, luz e trevas, convivem lado a lado.

Queridinho do Festival de Cannes, Reygadas apresentou todos os seus quatro longas-metragens no Festival. Seu primeiro filme, “Japón” (2002), ganhou uma menção especial do prêmio Caméra d’Or, para diretores estreantes. Em 2007, “Luz Silenciosa” ganhou o Prêmio do Júri.

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