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Documentário recupera história do teatro Lira Paulistana, berço da Vanguarda Paulista

Divulgação
Clemente, da banda Inocentes, em cena do documentário "Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista" Imagem: Divulgação

Ronaldo Evangelista

Do UOL, em São Paulo

07/06/2012 07h00

Do outro lado da rua da praça Benedito Calixto, na Teodoro Sampaio, em Pinheiros, uma pequena porta se abria para uma longa escada abaixo e um porão para no máximo 200 pessoas. Ali, entre 1979 e 1986, praticamente todas as noites da semana, assistia-se shows de lançamento de novíssimos artistas, peças inéditas de jovens grupos de teatro e ativismos e atividades de todos os tipos. Era o Teatro Lira Paulistana, que abrigava a produção de diversos artistas com diferentes estilos, abordagens e referências e centralizou o movimento que se tornou conhecido como Vanguarda Paulista, de compositores como Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé e grupos como Rumo e Premê.

Além de teatro também editora e gravadora, pólo do que de mais interessante se produzia em São Paulo, precursor da agitação cultural independente e coletiva dos dias de hoje, o Lira ganha, 30 anos depois, documentário sobre sua história e importância, “Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista”. O diretor do documentário, que apresentou o filme nesta quarta (6), dentro do festival In-Edit, é Riba de Castro, um dos sócios do Lira na época e responsável por toda a programação visual de discos, cartazes e publicações da trupe.

“Estou morando na Espanha há 20 anos”, contou Riba em entrevista ao UOL, lembrando as origens do filme. “E quando o Itamar morreu, em 2003, fiquei sabendo lá e passei a noite em claro, escutando suas músicas e inevitavelmente pensando no Lira. Foi onde ele começou, gravamos o primeiro disco dele, havia uma relação forte. De repente me dei conta que era muito importante que essa história toda fosse contada com as pessoas que estavam lá. Naquela mesma noite comecei a desenhar um roteiro e a pegar material de arquivo da época. A partir da morte do Itamar percebi que aquilo não podia ficar esquecido. Estou contando uma história que é minha também.”

Grupo Um, Língua de Trapo e Premeditando o Breque, além de Itamar Assumpção e o Grupo Rumo, foram alguns artistas lançados em disco na época pelo Selo Lira Paulistana, criado no mesmo estilo "faça você mesmo" que movia a instigante programação do teatro. E, se a história dos artistas passa pela história do lugar e gravadora que lhes acolhia, a história do Lira passa por tudo que seus envolvidos realizavam.

“Quando se fala no Lira Paulistana, automaticamente se pensa na Vanguarda Paulista, mas tem um outro lado importante: o Lira não atuava só no lado musical, ele foi um catalisador das artes em São Paulo”, observa Riba. “Grafite era uma coisa que não se falava na época, mas no Lira tinha um mural em frente à praça Benedito Calixto onde a cada dois meses um diferente artista plástico fazia uma intervenção. Havia um grupo de teatro que ensaiava todos os dias lá. O Fernando Meirelles estava abrindo uma produtora e captava tudo em vídeo. Tivemos um jornal, com roteiro da cidade inspirado na 'Time Out'. Pela nossa editora, publicamos o primeiro livro do cartunista Glauco. Tudo completamente independente.”

Com rica iconografia e dezenas de entrevistas recentes com personagens centrais das histórias do Lira, o documentário passa a limpo artistas, memórias e situações coletivas e conta sua própria história em primeira pessoa, afirmando a importância do fazer. Recriando toda uma história ainda presente e quase não contada: do Lira como espaço e de toda a Vanguarda como movimento. Em um momento rico de mudanças sociais, comportamentais, políticas e estéticas, uniam-se em um espírito de inspiração e liberdade de criação.

“O momento foi realmente muito importante”, analisa ele, pensando nos fatores que propiciaram a criação do Lira. “Os astros todos conspiraram para que aquilo acontecesse da maneira que aconteceu. O Brasil estava num momento muito eufórico, a gente estava saindo de um período de anos de ditadura e de repente vinha uma luz no fim do túnel. Foi uma grande movimentação, mais que um movimento. Era uma coisa legal porque cada um fazia o que queria, cada um dava o seu recado - e tinha um canal como o Lira onde as pessoas podiam mostrar o seu trabalho.”

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