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Diretor de "Kaboom", filme de temática LGBT, diz que a era da homofobia está no fim

Divulgação
Cena do filme "Kaboom", de Gregg Araki, que estreia nesta sexta (8) Imagem: Divulgação

James Cimino

Do UOL, em São Paulo

08/06/2012 08h00

 

Famoso no circuito alternativo do cinema (especialmente entre o público LGBT), o diretor Gregg Araki traz ao Brasil, a partir desta sexta-feira (8), seu novo longa: "Kaboom", que retrata a rotina de Smith (Thomas Dekker). O rapaz é um universitário que passa mal com seu companheiro de quarto que está sempre pelado, mas que, mesmo assim, não se prende a rótulos sexuais e transa sistematicamente com London (Chris Zylka), uma garota atirada que adora levar gays para a cama.

Durante uma das inúmeras festas de sua faculdade, Smith come uns biscoitos alucinógenos e passa a acreditar que presenciou um assassinato cometido por uma seita misteriosa que tem como objetivo acabar com a humanidade. A partir daí, a trama fica cada vez mais "alucinante", com flashes de delírio, outros de realidade, o que leva o espectador a nunca saber exatamente se a viagem de ácido de Smith nunca terminou ou se o que está acontecendo é realmente o prenúncio do fim dos tempos.

Aplaudido de pé em Cannes, o filme tem como premissa principal retratar a nova geração de jovens disposta a experimentar todas as possibilidades que o pansexualismo e as drogas lhes oferecem. Mas o grande “plot” é mesmo a ideia do Apocalipse e porque esse é um sentimento tão presente no ano de 2012, seja na música, no cinema ou no comportamento da humanidade.

O diretor conversou por e-mail com o UOL – Cinema e falou um pouco sobre o que significa exatamente a sua nova história e também sobre como, em sua visão, os homofóbicos desaparecerão em breve. Leia a entrevista:

UOL – Em sua opinião, “Kaboom” é sobre o fim do mundo ou sobre o nascimento de uma nova geração?

Gregg Araki – Eu adoro o fato de “Kaboom” ter um final apocalíptico, porque, de alguma forma, há um senso de humor e otimismo em tudo isso. Eu não quero destacar tanto assim o final, mas quando a última imagem foi ao ar no lançamento do filme em Cannes, todo o público se levantou e aplaudiu. Foi um momento único na minha vida, porque era exatamente o meu sentimento sobre o final. Há um tipo de celebração punk rock nisso tudo.

Seus personagens são muito liberais em relação a sexo, drogas e moralidade. Por que o senhor escolhe esse tipo de composição para os protagonistas? Você acha que eles são o futuro da civilização?

“Kaboom” é também sobre os momentos de transição de sua vida. Você ainda está crescendo, aprendendo, tornando-se aquela pessoa que você será um dia. É sobre sexo, amor, experiência, dor, alegria, diversão, coração partido, todas aquelas noites loucas que você viveu quando era jovem e que, no futuro, você pensa: ‘Uau! Como eu sobrevivi àquilo?’ A vida nunca mais será essa que o filme retrata para aqueles personagens, que consequentemente ficarão velhos, se casarão, escalarão o Everest, se tornarão viciados em drogas ou serão eleitos à presidência da República.

Como o senhor acha que o mundo acabará?

Eu espero que o mundo não acabe, porque ainda há muito a se viver, muita beleza e muitas experiências a apreciar.

Recentemente, o presidente Obama afirmou seu apoio ao casamento gay nos EUA, mas alguns setores religiosos, inclusive entre pastores negros, criticaram sua decisão e ameaçaram fazer campanha contra sua reeleição. O que o senhor pensa disso?

Eu não classifico as pessoas entre negros, broncos, gays ou heteros. Há homofóbicos brancos e há homofóbicos negros. Qualquer que seja sua cor, os homofóbicos são apenas pessoas preconceituosas agindo por medo e ignorância e não têm lugar em uma sociedade civilizada. Felizmente, seu tempo está passando conforme o mundo se torna mais livre, aberto e igualitário a cada ano.

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