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Cláudio Assis volta às telas em versão "elegante" com o premiado "Febre do Rato"

Divulgação
Matheus Nachtergaele e Irandhir Santos em cena do filme "Febre do Rato", de Cláudio Assis Imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

21/06/2012 07h00

Seis anos depois do polêmico “Baixio das Bestas” (2006) e dez depois de sua estreia em longas-metragens com “Amarelo Manga” (2002), o pernambucano Cláudio Assis volta às telas de cinema nesta sexta-feira (22) com “Febre do Rato”, ganhador de oito prêmios no Festival de Paulínia 2011.

Menos polêmico e chocante que o último filme de Assis, que trazia uma forte cena de estupro, “Febre do Rato” acompanha o poeta recifense Zizo (Irandhir Costa), artista marginal que coloca sua indignação em sua poesia e no tabloide que publica e que dá nome ao longa.

“Ter o Cláudio próximo e perceber a postura dele na vida, diante do mundo, a maneira como ele conduz a sua obra, isso se aproxima em muito desse personagem, desse poeta”, conta Irandhir Costa, mais conhecido do público pelo papel do deputado Diogo Fraga em “Tropa de Elite 2”. “Cláudio é muito autêntico no que faz. Não há nada mais belo do que ver a coerência entre o artista e sua obra”, completa o ator.

“Acho que ele fala de questões que podem parecer ultrapassadas, mas que nunca são tangenciadas de verdade”, afirma Matheus Nachtergaele, que trabalha pela terceira vez com Cláudio e interpreta o coveiro Pazinho, um homem simples, amigo de Zizo, que vive uma história de amor com a travesti Vanessa (Tânia Granussi). A questão, dessa vez, é à limitação à liberdade. “Esse filme é um filme de amor. O horror que ele provoca é o fato de dizer sem medo que nós estamos cerceados na nossa liberdade de expressão e na nossa liberdade de amar. O poeta parece um personagem dos anos 1970, mas o discurso é válido ainda”, diz Matheus.

Ainda que “Febre do Rato” possa ser considerado leve se comparado a “Baixio das Bestas”, Cláudio Assis insiste que vem contando a mesma história. “As histórias podem ser contadas de várias formas. E ‘Febre do Rato’ é isso. É a mesma história de ‘Amarelo Manga’, de ‘Baixio das Bestas’, da crueldade que o ser humano tem com o ser humano. Então, vamos falar da mesma coisa de uma maneira elegante. Quer um poeta? Eu tenho um poeta”, diz.

Nessa obra “elegante”, a violência física explícita não tem lugar, mas a nudez e as cenas de sexo continuam presentes. “Confesso que eu fiquei chocado com o que a nudez pode causar em determinadas pessoas e setores da sociedade. Falo isso por conta de uma cena específica, na rua, onde aos poucos ia surgindo a nudez, os personagens tiravam a roupa, e isso causou um rebuliço em algumas pessoas. Foi engraçado, porque na ficção a gente conseguiu atingir uma liberdade de expressão, onde a nudez vinha para pontuar isso muito belamente, mas o mundo real veio para dizer que nem na ficção a gente pode”, aponta Irandhir.

Polêmico como sempre, Cláudio tem um diagnóstico contundente para o frisson causado por seus filmes: “O cinema brasileiro está imbecil. Porque é tudo um bando de almofadinha. Eles querem ser playboys, mas a humanidade não precisa de playboy. A questão é outra. Cinema é arte, e arte tem que ser entendida como arte. O que a gente quer com o cinema é construir uma nação”, conclui.

TRAILER DO FILME "FEBRE DO RATO"