Cinema

Woody Allen fala sobre "Para Roma, com Amor" e diz que Brasil é uma possibilidade

AFP
O cineasta Woody Allen durante as filmagens do filme "Para Roma, com Amor" (14/07/2011) imagem: AFP

Ana Maria Bahiana

Do UOL, em Los Angeles

Woody Allen continua sua jornada de realizador-viajante com uma parada em Roma a cidade que, ele conta nesta entrevista, “deu forma a quase todos os (seus) sonhos”.

Em "Para Roma, com Amor", que chega ao Brasil nesta sexta (29), Allen reuniu quatro histórias de visitantes e habitantes da Cidade Eterna: a do arquiteto (Alec Baldwin) que vê outro visitante, o estudante de arquitetura Jesse Eisenberg (ou seria ele mesmo na juventude?) se apaixonar pela garota errada (Ellen Page); a do diretor de óperas (Woody Allen) que, inesperadamente, descobre um grande tenor (o astro da ópera Fabio Armiliato), que só consegue cantar no banheiro; a do "zé-mané" (Roberto Benigni) que um dia acorda e descobre que virou celebridade; e a do casal (Alessandra Mastronardi e Alessandro Tiberi) que chega do interior e se mete num extraordinário imbróglio de identidades trocadas envolvendo uma garota de programa (Penelope Cruz, maravilhosa) e dois astros da Cinecittá (Ornella Muti e Antonio Albanese).

“Eu vou onde sou bem-vindo, onde meus filmes podem ser financiados sem restrições à minha visão criativa”, diz Allen. “E onde eu possa passar três meses agradáveis enquanto filmo.” E confirma: o Brasil poderia ser um destino próximo para suas aventuras turístico-cinematográficas.

UOL - Por que Roma?
Woody Allen -
Eu sou, em grande parte, produto do cinema italiano. Minha visão do mundo e do cinema foi formada em grande parte pelos filmes maravilhosos de Fellini e De Sica, de Antonioni, Visconti, Pietro Germi, Mario Monicelli… Isso vale para todos os filmes que vi enquanto crescia. Mesmo a Nova York dos meus filmes não é exatamente a Nova York verdadeira, mas a que eu vi nos filmes de Hollywood, uma versão muito melhor e mais glamourizada da minha cidade. Mais tarde, quando conheci Roma -- e eu já visitei Roma várias vezes -- sempre a visão que eu tinha, dos filmes, era mais forte que minha experiencia. Então minha visão de Roma não é de um italiano, mas de um americano que viu muitos filmes italianos.

Os italianos, aliás, ficaram um tanto aborrecidos com o modo como você os retrata no filme… Como você reage a isso?
Eu tenho dos italianos a mesma impressão que tenho dos franceses ou dos ingleses ou dos norte-americanos… que em qualquer lugar existem pessoas ótimas e pessoas idiotas. Por que os italianos seriam diferentes? Eles têm seu estoque de pessoas incrivelmente maravilhosa e seu estoque de pessoas bobas como qualquer outro país. Na verdade, um romano vivendo em Roma, hoje, é bem capaz de fazer um filme muito mais incisivo, crítico mesmo, mostrando duramente as questões que afetam a população da cidade de modo profundo. Como disse, eu sou apenas um americano que cresceu amando filmes italianos. Eu vi Roma através de lentes cor de rosa…

TRAILER DO FILME "PARA ROMA, COM AMOR"

Por que você tem concentrado seu trabalho recente na Europa?
Acho que foi um feliz acidente. Eu me formei como realizador vendo e admirando filmes europeus. Na verdade meu grande sonho sempre foi ser um diretor estrangeiro, daqueles que só faz filme legendado… E filmar na Europa me deu oportunidade de ser um diretor estrangeiro, pelo menos lá! E ter que por legendas nos diálogos que não são em inglês e que, aliás, são, para mim, uma das coisas mais divertidas desses meus filmes mais recentes. O fato é que os europeus financiam meus filmes. Não interferem em coisa alguma. Não lêem meus roteiros. Não querem saber o que estou fazendo. Tem confiança em mim, fé que eu vá fazer um filme que não seja vergonhoso. E além do mais Londres, Paris, Barcelona e Roma são belas cidades para se passar três meses…

O Brasil pode vir a ser uma dessas cidades?
Há tempos estou considerando seriamente uma proposta que me foi feita por pessoas no Brasil. A questão, para mim, é achar a história certa para cada país, e ainda não achei a história certa para o Brasil. Cada país exige histórias com características proprias, um filme que eu faça na Suécia, por exemplo, tem que ter uma história muito diferente do que um que se passa no Brasil. Para mim, o Brasil exige uma ideia muitissimo glamourosa, romântica. Quando isso estiver resolvido será um enorme prazer filmar no Brasil.

Neste filme você volta a trabalhar como ator. Por que este papel?
Como ator eu conheço bem minhas limitações: eu posso fazer um canalha, um personagem de índole duvidosa, ou eu posso fazer um tipo professoral, que transita na alta cultura. Não posso fazer um texto de Tchekov ou uma variedade de personagens, como Dustin Hoffman. Posso fazer um motorista de táxi ou um agentezinho teatral de terceira categoria como em "Broadway Danny Rose". Ou então, como neste filme, um diretor de ópera, coisa que, aliás, já fiz na vida real. Não tenho método nenhum, como aliás a maioria dos comediantes não têm. Meu treino foi em stand-ups, em clubes de comédia. Dou conta dessas coisas simples. Para algo mais complexo é melhor chamar Dustin Hoffman.

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