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Novo "Homem-Aranha" dissipa desconfiança inicial dos fãs, mas passa longe do espetacular

Divulgação
Imagem: Divulgação

Roberto Sadovski

Do UOL, em São Paulo

05/07/2012 18h25

“É muito cedo para um reboot!"

“A origem, de novo?”

“Não passa de um caça-níqueis!”

Bastou "O Espetacular Homem-Aranha" ser anunciado, com novo papel de parede e cortinas novas para o personagem no cinema, que o cordão dos descontentes começou a reclamar. Afinal, depois que a trilogia comandada por Sam Raimi nos deu uma origem bacana, um segundo filme espetacular e uma conclusão irregular, como os produtores se atrevem a passar uma borracha e voltar ao zero? Bom, a resposta óbvia é, “porque eles podem”. Mas o que realmente vale aqui é mais simples ainda: por que não?

Se a gente voltar à fonte, às histórias em quadrinhos, nada é mais bacana que ver como cada equipe criativa interpreta personagens icônicos. Com o Homem-Aranha, são cinco décadas de material, visto e revisto, recontado e revirado.

Depois de três filmes com Tobey Maguire no papel de Peter Parker, que ao lado de Sam Raimi deixou a série por, na falta de uma explicação melhor, um “beco sem saída criativo”, restava aos produtores duas saídas. A primeira era abraçar um esquema James Bond, mudar os atores e continuar a série, mais ou menos obedecendo a continuidade estabelecida. A outra era recomeçar. Foi a que venceu.

É difícil, então, assistir a "O Espetacular Homem-Aranha" sem carregar tanta bagagem, tantos “e se” ou “como seria”. Mas é o melhor exercício: ver o filme pelo que ele é.

Marc Webb, que assumiu a função de diretor, entendeu o trabalho e entregou um produto elegante, divertido e lindo de ver. Fez da saga do Aranha uma história de amor entremeada por um mistério. Escolheu um ótimo ator para seu protagonista – Andrew Garfield traz o equilíbrio perfeito de rebeldia adolescente com rigidez moral e um oceano de culpa e responsabilidade.

Salpicou a produção com gente de primeira – da fotografia cintilante de John Schwartzman à bela trilha sonora de James Horner. Fez de Emma Stone a perfeita tradução da Gwen Stacy por quem o herói se apaixona perdidamente. Só esqueceu de um detalhe: "O Espetacular Homem-Aranha" é pouco.... espetacular.

Talvez seja a ressaca de "Os Vingadores", mas a nova aventura do cabeça de teia capricha nas relações humanas como nenhum outro filme de super-herói – é até mais um “filme-evento com coração” do que o Homem-Aranha de 2002 – mas em nenhum momento empolga como aventura.

Muita atenção é dada a Garfield e Emma, e pouca ao Aranha pendurado por entre os prédios de Nova York. Na verdade, toda a transformação de Parker em seu alter ego, depois de quase uma hora de preparação, surge apressada: fica difícil sentir a população abraçando seu novo habitante, o que prejudica a empatia com suas ações heroicas. O plot da criação do Lagarto (Rhys Ifans) e a responsabilidade do Aranha fica em segundo plano para a trama do garoto que descobre seus grandes poderes, mas não ainda sua grande responsabilidade.

VEJA TRAILER DE "O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA"

Ainda assim, é louvável a intenção dos produtores em dar mais estofo ao que motiva o herói, e não somente à pirotecnia. Ainda assim, o tom mais sombrio, centrado na morte prematura dos pais de Peter e em seu papel na própria transformação do jovem, não parece encaixar na natureza do personagem. O humor que ele demonstra quando coloca a máscara do Aranha vem na hora certa, mas o filme podia usar mais cor.

E mais: eu sinto falta do tempo em que um filme era só um filme. O Espetacular Homem-Aranha termina com rombos de lógica e narrativa – tudo sendo deixado para “as outras partes da trilogia”, como o estúdio já anunciou.

É diferente de Christopher Nolan, que tinha tanto em "Batman Begins" como em "O Cavaleiro das Trevas", tramas completas, que formam um todo com um terceiro filme. "Os Vingadores" é a realização de um plano, mas os cinco filmes que apresentaram os heróis também tinham começo, meio e fim. Neste ponto, "O Espetacular Homem-Aranha" surge como "Prometheus", deixando respostas para o próximo capítulo. É o futuro, mas incomoda.

  • Divulgação

    Gwen Stacy (Emma Stone) e Peter Parker (Andrew Garfield) em cena do filme

No fim das contas, "O Espetacular Homem-Aranha" nem de longe é o desastre anunciado pelos reclamões, e o trabalho de reapresentar o herói sob um novo prisma é redondinho. Andrew Garfield é charmoso e surge como um Peter Parker mais completo do que Tobey Maguire – mais humanizado e mais identificável com a molecada uma década depois do primeiro filme.

O filme traz cenas memoráveis (todo o resgate na ponte equilibra à perfeição o senso de perigo de uma aventura de super-heróis com o lado humano característico do herói), e a fórmula de recriar personagens conhecidos com uma nova equipe criativa funciona (minha aposta é que o Batman vai demorar menos que cinco anos para ser reapresentado no cinema depois de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge").

Peter Parker, atormentado por perguntas elementares e com um fardo de responsabilidade nas costas, é a figura que cola nas retinas ao fim da sessão. Mas não tem como não sentir falta de mais Homem-Aranha na equação.

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