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'Não existem filmes bacanas para adolescentes', diz diretor de "O Menino no Espelho"

Gustavo Baxter/Alicate
O diretor Guilherme Fiúza Zenha durante gravação de "O Menino no Espelho" (agosto/2012) Imagem: Gustavo Baxter/Alicate

Fabíola Ortiz

Do UOL, no Rio

Para o diretor de "O Menino no Espelho", Guilherme Fiúza Zenha, uma das motivações para produzir o longa-metragem, adaptado da obra de Fernando Sabino, foi fazer um filme que gostaria de ver quando era adolescente. "Não existem filmes bacanas para eles, assim como não tinha para a minha geração", opinou o cineasta. O filme tem lançamento nacional previsto para meados de julho de 2013.

"O Menino no Espelho" é seu segundo longa, mas o primeiro que dirige sozinho. Fiúza, 43, foi assistente de direção de Nelson Pereira dos Santos, Helvécio Ratton e Sergio Machado e estreou na direção de um dos episódios do longa “5 Frações de Uma Quase História”, produzido pela Camisa Listrada, da qual é sócio.

Mineiro, Fiúza se disse decepcionado por não ter conseguido autorização de rodar cenas na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, local onde Fernando Sabino morou. Outra dificuldade, segundo o diretor, foi a incerteza de conseguir captar todos recursos para a realização do filme, após quatro anos de roteiro.

Fiúza conversou com o UOL no set de filmagens em Cataguases, no interior de Minas Gerais. Leia abaixo a entrevista:

 
UOL - Como descobriu Cataguases?
Guilherme Fiúza Zenha - Sou mineiro de Belo Horizonte. Quando comecei o projeto, tive um convite para vir e dar um oficina para um festival em 2008. Fiquei encantado e fazia lembrar BH da minha infância. Atualmente seria praticamente impossível filmar em BH, só com um nível de computação gráfica muito grande.
 
Você fica frustrado por não poder filmar na Praça da Liberdade em Belo Horizonte?
Estou chocado. O tal do Fernando Sabino morou na tal da praça que é hoje chamada de corredor cultural de BH, e a gente teve negativas da companhia de trânsito para todas as solicitações que fizemos. Seria fazer um desvio de trânsito durante períodos curtos. Na Praça da Liberdade seriam filmadas duas cenas que foram feitas na praça principal de Cataguases. A gente tinha o desejo de filmar lá, é a minha cidade, é a cidade da produtora e a gente tem um compromisso com a cidade de gerar emprego nessa área. Fico impressionado, foram dois meses de negociação.
 
O que mais te encantou no Fernando Sabino?
Gosto da alucinação dos personagens dele. Sabino é um cara que não está preso na Terra, ele fica no campo do sonho.
 
O que motivou a fazer um filme para adolescente?
Não existem filmes bacanas para eles, assim como não tinha para a minha geração. Eu escrevo um filme que iria gostar de ver quando eu era criança.
 
Como foi a interação do ator Lino Facioli com os pais interpretados pelo Mateus Solano e Regiane Alves?
Foi divertidíssimo. Conseguimos que eles se transformassem numa família. A gente teve um processo de laboratório muito curto, foram apenas dois dias. Solano e Regiane são pais de 1938 e o pai do personagem Fernando tinha alguma coisa do Sabino, ele era mais cúmplice das coisas do filho, um pai mais libertário que, nas costas da mãe, incentiva as maluquices do filho.
 
Qual é a rotina de filmagem?
A gente tem 12 horas de set de filmagem, de 6h às 18h ou de 12h à meia-noite. Ou ainda de 18h às 6h para as cenas noturnas. Gravamos no Rio de Janeiro, no Real Gabinete Português de Leitura, substituindo o que íamos gravar na Academia Mineira de Letras.
 
Qual é a maior dificuldade para fazer ‘O Menino no Espelho’?
Esse é o meu primeiro filme solo. O processo mais difícil para qualquer realizador é conseguir dinheiro e a incerteza se conseguir recursos ou não. Foram quatro anos de roteiro e captação. A gente investiu dinheiro do nosso bolso. Hoje a gente tem um orçamento de R$ 4,5 milhões. É um filme de orçamento médio. O lançamento nacional está previsto para meados de julho de 2013.
 
Qual a expectativa que o filme gere nos espectadores?
É um filme para toda a família. Existe uma identificação dos pais com o filme e, para a criança, é um filme de aventura. Filmar para mim é como construir uma casa, um tijolinho de casa vez. Não é um parto, eu só faço isso porque me divirto.
 
Como você descreve o clima no set?
A primeira coisa que a gente não tem é grito nem estresse, não existe discussão. Como diretor eu prefiro ser assim. Não dá para ter um set tenso e crianças. Essas coisas imprimem no filme. Não é brincadeira, mas pode ser divertido. É isso que eu tento fazer com eles. Todos os meninos são muito especiais.

Ator mirim de ‘Game of Thrones’ é aposta do longa

  • Gustavo Baxter/Alicate

    Para interpretar o protagonista Fernando e seu alter ego, Odnanref (Fernando ao contrário), o escolhido foi o ator-mirim Lino Facioli, de anos (agosto/2012)

O brasileirinho Lino Facioli, 12 anos, ator mirim da série americana do canal HBO ‘Game of Thrones’ e também no filme ‘Get Him to the Greek’ (em português ‘O Pior Trabalho do Mundo’, de 2010), se prepara para estrear em breve pela primeira vez como protagonista de um longa-metragem em português.

Desde pequeno morando em Londres, Lino é a grande aposta de Guilherme Fiúza Zenha para transformar a obra de Fernando Sabino ‘O Menino no Espelho’ em longa infanto-juvenil. No filme, Lino interpreta o personagem Fernando e seu alter ego, Odnanref. Numa narrativa cheia de aventuras por parte do criativo Fernando, que no livro de Sabino tem 10 anos, o menino sonha em ter um clone que fizesse todas as tarefas chatas em seu lugar, como ir à escola mesmo sem ter vontade ou tomar injeção no hospital.

“Às vezes eu ficava meio confuso, no começo eu não sabia muito a diferença entre os dois personagens”, disse Lino Facioli que conversou com o UOL durante as gravações no set de filmagem em Minas Gerais. “Agora eu estou há sete semanas em Cataguases town, essa cidade gigante ... (risos), bem diferente de Londres”, brinca Lino que admite estar acostumado já com a rotina de 10 horas diárias de gravações na pequena Cataguases, no interior mineiro.

O ator mirim admite que, no início, seu maior medo era errar o português nas suas falas, já que o inglês é a língua que Lino está mais habituado a falar e a atuar. Este é o seu primeiro trabalho em português e o maior de sua carreira até agora. “Tinha medo do meu português não sair tão bem, eu tinha um cantado diferente. Mas até que foi mais fácil do que achava”, conta o menino que recebeu o apoio de uma fonoaudióloga para  melhorar a pronúncia.

“Mas teve momentos difíceis no set”, lembra Lino. “A maior dificuldade foi quando eu estava nos ensaios e achava que não conseguia entrar no personagem. Fiquei meio estressado”, recorda o menino que teve apenas duas semanas de laboratório para entrar no personagem e dois dias de oficina para contracenar com os atores Mateus Solano e Regiane Alves, que fazem os pais do menino espoleta.

Perguntado se vai voltar para a Inglaterra um Lino diferente após dois meses vivendo no Brasil, o menino é enfático: “Cresci muito emocionalmente, e até meu aniversário foi aqui. No dia 29 de julho eu fiz 12 anos. Vou voltar bem mais mudado, mais solto, mais brasileiro quando for para Londres. Eu era mais encolhidinho, eu era mais Odnanref quando vim, e estou voltando mais Fernando”, brinca ao comparar-se aos personagens de Sabino.

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