Filmes e séries

Dez anos depois, o Zé Pequeno de "Cidade de Deus" conta que quase trocou as telas pela farda

Divulgação/AgNews
O ator Leandro Firmino, quando atuou em "Cidade de Deus" (2002) e na pré-estreia de "Totalmente Inocentes" (2012) Imagem: Divulgação/AgNews

Carla Neves

Do UOL, no Rio

29/08/2012 07h00

Nesta quinta-feira (30), faz dez anos que o filme “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles e co-dirigido por Kátia Lund, estreou nos cinemas. Até hoje, o ator Leandro Firmino, de 34 anos, é abordado nas ruas como “Zé Pequeno”, traficante que interpretou no longa. “O filme ainda é muito vivo na mente das pessoas”, justificou Leandro durante conversa com a reportagem do UOL.

Reprodução/Facebook
Arte era coisa para playboy, para branquinho da zona sul. Jamais para um negro de comunidade carente

Leandro Firmino

Além de atuar, Leandro atualmente participa de projetos ligados ao cinema da periferia. Morador da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, o ator afirmou que o longa foi “o ponto de virada” de sua vida. “Antes do filme, nunca tinha pensado em trabalhar com arte. Vim de uma comunidade carente. Lá não tinha essa possibilidade, isso era coisa para playboy, para branquinho da zona sul. Jamais para um negro de uma comunidade carente”, argumentou.

Na ocasião do filme, Leandro foi convidado pela equipe de Fernando Meirelles e Kátia Lund para participar do processo seletivo para o elenco. “Eles me chamaram para o teste. No primeiro instante, falei que não. Depois fiz o teste e acabei passando. Durante a oficina fui entendendo a arte de interpretar e tendo contato com as pessoas do Nós do Morro (grupo teatral). Aquilo foi me fascinando e ali comecei a trabalhar, decidi a minha vida”, lembrou ele, que antes de estrelar o filme pensava em seguir carreira militar.

Leandro afirmou que, além de ter dado um novo rumo à sua vida, “Cidade de Deus” também serviu para incentivar os moradores das comunidades carentes a investirem em cinema. “Os movimentos de periferia ganharam muita força com o embalo do filme”, disse ele, que também já atuou nos filmes “Cafundó”, "Trair e Coçar, É Só Começar”, “O Homem que Desafiou o Diabo”, entre outros. “De lá para cá, fiz mais cinema. Também participei da novela ‘Vidas Opostas’, da Record, onde fiquei uns dois anos e meio”, acrescentou.

O ator disse, contudo, que apesar de “Cidade de Deus” ter aberto oportunidade para os atores negros e a temática da favela, a cultura brasileira ainda tem que mudar muito. “É um processo. Ainda tem que evoluir”, afirmou ele, que atualmente é pai do pequeno Luiz Miguel, de um ano. O menino é fruto do seu relacionamento com Priscila Donato.

No dia 7 de setembro, Leandro estreia mais um filme em seu currículo, desta vez uma paródia aos 'favela movies' - gênero originado a partir de "Cidade de Deus". Em “Totalmente Inocentes”, de Rodrigo Bittencourt, ele interpreta o policial militar Tranquilo, que faz dupla com o Nervoso, papel que ficou a cargo de Fábio Lago. “Meu personagem, na verdade, de tranquilo não tem nada. Ele é super estressado e faz tempestade em copo d´água. É bem bacana”, adiantou.

VEJA O TRAILER DO FILME "CIDADE DE DEUS"

Veja o que outros atores de “Cidade de Deus” dizem sobre o significado do filme em suas vidas:

Alexandre Rodrigues, o Buscapé:

"Estava estudando teatro na época, deu uma alavancada na profissão. Acho que como hoje o filme é tido como um divisor de águas no cinema nacional, ele também foi um divisor de águas na minha vida. Depois da estreia viajei bastante, conheci lugares que nunca pensei que pudesse conhecer. Foi muito bacana. Acredito que para a maioria dos atores e para todo mundo que participou internamente, ‘Cidade de Deus’ teve uma repercussão bem legal. Quando fizemos não sabíamos que o filme seria bem visto e tão bem-sucedido no futuro. Acho que nem o Fernando Meirelles [diretor] e o Paulo Lins [autor do livro homônimo] sabiam o quanto o filme ia repercutir no mundo todo. Fico muito feliz por ter participado e ter tido a sorte de pegar um personagem tão bacana”.


Thiago Martins, o Lampião:
“‘Cidade de Deus’ é um marco do cinema mundial. Como ator foi muito importante ter feito, é muito bom olhar para todo mundo que saiu do filme e ver que ainda está trabalhando, como o Seu Jorge, a Alice Braga”.
 

Jonathan Haagensen, o Cabeleira:

  • Jonathan Haagensen

“Antes do filme, já estudava teatro e tinha o objetivo de estar nas produções. Fui escalado para participar e não sabia que ele ia representar isso tudo. O filme, na verdade, é um divisor de águas na história cinematográfica do Brasil. Assim como temos filmes como ‘O Pagador de Promessas’ e ‘Central do Brasil’, ‘Cidade de Deus’ veio para marcar uma geração. Me preparei durante um ano para entrar nesse projeto, que mostra uma nova linguagem, como a sociedade se encontrava naquele momento. De um dia para o outro fiquei conhecido no país inteiro e conheci o mundo. Fiz campanhas para grifes internacionais. E chegar em um outro país e ser reconhecido por um trabalho é de extrema importância”.
 

Matheus Nachtergaele – o Cenoura

  • Matheus Nachtergaele

"Para mim foi um grande presente ter sido convidado para fazer o filme. Eu aprendi muito como ator porque o Fernando [Meirelles] fez um filme quase que totalmente de carne viva, usando pessoas que de alguma maneira se relacionavam com o universo do filme e que estreavam com o filme. O Fernando me chamou para fazer o 'Cidade de Deus' pouco antes de eu fazer 'O Auto da Compadecida'. Quando nos encontramos no Rio ele disse que havia um problema, porque eu havia me tornado famoso e ele queria um filme de pessoas desconhecidas, ele queria causar um susto, e perguntou se eu conseguia desaparecer no meio deles.  Participei do processo e dos laboratórios como todos os outros, nunca tive camarim especial, nos trocávamos dentro de um caminhão na Cidade de Deus. Fiz questão de só ler o roteiro na hora de gravar. Sinto que o Cenoura é um dos meus trabalhos mais sinceros. O Fernando conseguiu tirar de mim uma espontaneidade que é difícil de conseguir com um ator profissional. Tenho muito orgulho do 'Cidade de Deus', é um filme que marcou não só a todos nós, mas deixou marcas fortes no cinema brasileiro e fora do Brasil. Esteticamente inaugurou uma coisa que ainda hoje é vista em outros filmes.  O Fernando arriscou e deu certo."

Documentário registra atores de "Cidade de Deus", 10 anos depois

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