Filmes e séries

Takeshi Kitano rejeita o 3D em Veneza: "Só serve para filmes pornográficos"

Max Rossi/Reuters
Diretor japonês Takeshi Kitano chega para a divulgação de seu novo filme, "Outrage Beyond" (3/9/12) Imagem: Max Rossi/Reuters

Neusa Barbosa

Do Cineweb, em Veneza

Concorrendo novamente ao Leão de Ouro – que ganhou em 1997 com o poético “Hana-Bi – Fogos de Artifício”-, com um novo e violento filme sobre yakuzas (os mafiosos do Japão), “Outrage - Beyond”, o diretor japonês Takeshi Kitano fez uma veemente crítica ao 3D na coletiva do filme, nesta segunda (2).

Indagado sobre o que pensava do formato, em alta no cinema mundial, Kitano declarou: “Se são 3D, são filmes pornográficos, o 3D não serve para outra coisa”.

Em “Outrage - Beyond”, Kitano assina, pela primeira vez em sua carreira, uma sequência de trabalho anterior, no caso “Outrage”, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes em 2010. Ele admitiu que pode haver um terceiro filme e já tem até um roteiro pronto. “Depende de eu conseguir produzi-lo”, disse o diretor. Ao seu lado, o produtor Massayuki Mori, descartou: “Neste momento não pensamos nisto, vamos ver”.

Em “Outrage – Beyond”, Kitano também atua, interpretando Otomo, um yakuza banido do clã Sanno que estava na prisão e se acreditava morto. Mas é solto por um policial corrupto, Kataoka (Fumiyo Kohinata), que recebe dinheiro dos gângsters e cria uma série de situações que levarão a um banho de sangue.

Violência explícita e cômica
Embora seja menos violento do que o primeiro “Outrage”, o novo filme não deixa de conter cenas explícitas, bem ao gosto do humor negro peculiar de Kitano – caso do uso de uma furadeira como instrumento de tortura; quando um bandido (Hideo Nakano) arranca um pedaço do próprio dedo a dentadas; e particularmente numa execução usando-se uma máquina lançadora de bolas de beisebol contra uma vítima amarrada numa cadeira.

Todas estas situações foram recebidas com risadas nas sessões do filme, o que Kitano comentou assim na coletiva: “Quando criei estas cenas, não pensei especificamente em produzir risos. Mas é claro que eu procuro um certo tipo de excesso, de contraste. Se o público se diverte, melhor”.

Ele rejeitou cobranças de maior realismo, como numa sequência em que um chefão anda pela rua sem qualquer guarda-costas. “Este é um filme, uma forma de diversão”, afirmou.

Mas o diretor admitiu que há mais realismo na ênfase que coloca na corrupção policial, mostrando agentes de alto escalão na folha dos pagamentos da Yakuza. “É o mesmo que acontece em todo o mundo. Aqui na Itália, também existe a máfia, e ela está igualmente muito ligada à polícia. No Japão é a mesma coisa, algo que se vê todos os dias”.

Kitano também admitiu sem rodeios ter tido contatos com mafiosos reais, quando lhe perguntaram se algum dia eles reclamaram da maneira como são retratados em seus filmes. “No passado, eu cheguei a ter vários yakuzas por perto e ouvia muitas opiniões diferentes. Depois, no Japão baixou-se uma lei proibindo qualquer tipo de contato com eles. Agora, só posso dizer que não tenho mais esse acesso, não sei o que pensam de meus filmes”.

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