Filmes e séries

Tim Burton diz que longa sobre Abraham Lincoln lembrou filmes de monstro da infância

Divulgação
Benjamin Walker (Abraham Lincoln) em cena de "Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros" Imagem: Divulgação

Ana Maria Bahiana

Do UOL, de Los Angeles

03/09/2012 07h00

Imagine que os grandes proprietários de terras e escravos do sul dos Estados Unidos fossem vampiros, e que sua sede de sangue (entre outras coisas) tivesse um papel importante na Guerra Civil que dividiu o país em 1861. Imagine que Abraham Lincoln, décimo-sexto presidente dos Estados Unidos e uma das figuras mais importantes da história do país, fosse, na verdade, um caçador de vampiros, treinado desde a juventude para identificar e eliminar as sinistras criaturas.

Essa é base do filme “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”, adaptação do best seller do mesmo título escrito por Seth Grahame-Smith, produzido por Tim Burton e dirigido por Timur Benkmambetov (“Guardiões do Dia”, “O Procurado”). “Eu fiquei interessado na ideia antes mesmo de Seth escrever o livro”, disse Tim Burton ao UOL. “Quando ele anunciou o título do livro eu já fiquei intrigado e querendo ver o filme que poderia surgir dali. Me lembrou minha infância vendo filmes de monstros no bairro onde nasci, Burbank—tinha um cinema que passava três filmes pelo preço de um ingresso, e eu vivia lá. O título do livro me remeteu imediatamente a esse mundo”.

Grahame-Smith começou sua carreira de escritor de livros na linha “almanaque”, como “The Big Book of Porn: A Penetrating Look at the World of Dirty Movies”, sobre a história do cinema erótico, e “The Spider-Man Handbook: The Ultimate Training Manual”, uma espécie de almanaque do Homem-Aranha. Mas seu grande sucesso veio em 2009, com “Orgulho, Preconceito e Zumbis”, uma mistura da aclamada obra de Jane Austen com uma trama de mortos-vivos.

A ideia—que na verdade foi do editor Jason Rekulak—deu origem a um novo sub-gênero, o mash up literário, com “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” dando continuidade e atraindo a atenção de Tim Burton. “Sempre fui um péssimo aluno de história”, diz Burton. “Talvez porque ninguém conseguia tornar o assunto interessante para mim. Com esta história eu imediatamente me liguei—é uma outra perspectiva, e coincidiu com algo que sempre me impressionou em Lincoln: como ele sempre me pareceu intenso, como alguém assombrado por algo sinistro. Não é demais imaginá-lo caçando vampiros… ele já tem um bocado dessa vibração”.

“É um filme único, e foi isso que me empolgou”, completa Timur Bekmambetov. “No início eu estava envolvido apenas como produtor, e não imaginava que um russo, como eu, pudesse algum dia dirigir um filme sobre uma página da história americana, ainda mais em torno de uma figura icônica como Abraham Lincoln. Foi preciso muita coragem da minha parte – era um risco tremendo”.

O fato de Lincoln ser uma figura conhecidíssima nos EUA, mas menos popular no exterior – de cuja receita  Hollywood depende cada vez mais – não diminuiu o entusiasmo de Bekmambetov—aliás, como um estrangeiro na indústria americana, ele pôde ver o projeto por um ângulo novo: “A história dos Estados Unidos no século 19 é hoje parte da história mundial, mas o ângulo, aqui, é, em primeiro lugar o ineditismo desta mistura, e a possibilidade de mostrar a época de um modo diferente… e em 3D!”, diz o diretor. “Além disso, acho interessante no filme, além da diversão pura, a possibilidade de vermos uma camada de temas sérios por baixo de tudo. Principalmente o tema da liberdade – ninguém é realmente livre num mundo em que há escravidão, e neste filme a ideia de “escravidão” é vista por um ponto de vista completamente novo”.

Com a dupla responsabilidade de viver um grande presidente – que será revisto ainda este ano interpretado por Daniel Day Lewis, no filme "Lincoln", de Steven Spielberg – e um caçador de vampiros, Ben Walker precisou, ao mesmo tempo, malhar (para perder os 15 quilos que tinha acumulado em seu projeto anterior) , treinar luta corpo a corpo e estudar a personalidade e os maneirismos de Abraham Lincoln. “Existem 16 mil livros escritos sobre ele. Infelizmente para mim, a maior parte deles é sobre política.”, diz Walker (que, fora das telas, é genro de Meryl Streep) “Encontrei um – “Lincoln’s Melancholy” – que reúne uma grande parte de seus diários, poemas e anotações, e isso me deu uma tremenda ajuda para compreendê-lo. Isso, e as inúmeras fotos dele. Em quase todas ele está muito sério, muito compenetrado do seu papel como estadista, mas quase sempre com um quase-sorriso irônico nos lábios. Isso é uma tremenda janela para sua alma”.

Veja abaixo um trailer de "Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros" que brinca com a Independência do Brasil e transforma Dom Pedro 1º em matador de mortos-vivos.

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