Filmes e séries

Em Toronto, "Disconnect" joga na cara do espectador os perigos da internet

Chris Pizzello/Invision/AP
Da esquerda para a direita, o diretor Henry Alex Rubin, Jason Bateman, Paula Patton, Frank Grillo e Aviad Bernstein no Festival de Toronto (11/9/12) Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP

Mariane Morisawa

Especial para o UOL, de Toronto

13/09/2012 19h29

Alguém precisa avisar os cineastas que a moda de pegar um assunto e comentá-lo por meio de várias histórias, como “Crash”, “Traffic”, “Babel” e “Magnólia”, está tão démodé quanto a palavra démodé. Em “Disconnect”, de Henry-Alex Rubin, que teve exibição para a imprensa na tarde desta quinta-feira (13), no Festival de Toronto, o tema é: com as novas tecnologias, estamos cada vez mais desconectados daqueles que estão a nosso lado.

Há pertinência no assunto: quantas vezes você saiu com uma pessoa que ficou mais interessada no smartphone? Pois é. Também é comum abrir a guarda para todo o tipo de perigo na internet, de caras que roubam sua senha a gente que difama, passando por exploração sexual.

O problema é que o roteiro de Andrew Stern e a direção de Rubin deixam pouco espaço para o público tirar suas próprias conclusões. É um filme “abra os olhos” e, por isso, carrega a mão para marcar posição. Por exemplo, a jornalista Nina (Andrea Riseborough) cultiva sua fonte, Kyle (Max Thieriot), um menino que se oferece na internet em troca de presentes, de forma pouco ética, tudo para ganhar um bom espaço com uma reportagem para o telejornal onde trabalha.

Já o adolescente Jason (Colin Ford), filho de Mike (Frank Grillo), um investigador de crimes pela internet, cria um perfil falso no Facebook de uma tal Jessica, atrai um colega de escola e posta uma foto nu do menino, que tenta se matar. Aí, o pai do menino (Jason Bateman) descobre que não conhecia o próprio filho. Derek (Alexander Skarsgård) e Cindy (Paula Patton) descobrem-se sem dinheiro depois que ela bate-papo com um desconhecido na internet, revelando coisas íntimas como a perda do filho.

Rubin tem o cuidado de não demonizar ninguém. Mas as situações são tão extremas para renderem um filme que tudo fica um tanto artificial. Nem boas atuações como a de Andrea Riseborough e Jason Bateman salvam. Bacana é o uso da câmera superlenta, normalmente empregada em filmes de ação, para as cenas dramáticas do final.  

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