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Documentário que critica patrocinador do Festival de Brasília é o 1º a ser aplaudido em pé

Divulgação
Manifestação antes da exibição do curta "A Ditadura da Especulação" no Festival de Brasília (22/9/12) Imagem: Divulgação

James Cimino

Do UOL, em Brasília

23/09/2012 15h35

A penúltima noite da mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi marcada por protestos pouco antes da exibição do documentário de curta metragem “A Ditadura da Especulação”, que narra o processo de desalojamento de uma comunidade indígena para a construção do setor noroeste da capital federal.

Um grupo de estudantes e indígenas da comunidade Santuário dos Pajés discursou contra a especulação imobiliária da área, cujo metro quadrado, o mais caro da capital, pode chegar a R$ 25 mil.

  • Divulgação

    Manifestante na exibição do documentário "Ditadura da Especulação"

O curta metragem, que segundo os créditos de abertura não recebeu qualquer patrocínio, mostra as tentativas de impedir que as máquinas derrubassem a vegetação local para construção dos edifícios e diversos confrontos entre índios, estudantes, seguranças da administradora Terracap (estatal que administra as terras públicas do Distrito Federal e uma das patrocinadoras do festival), e a polícia militar. Ao fim da exibição, o público, pela primeira vez desde o início da mostra competitiva, aplaudiu um filme em pé.

A direção do filme é assinada por um certo Zé Furtado, mas segundo a assessoria de imprensa do festival e um manifesto distribuído pelos realizadores pouco antes da exibição, trata-se de um nome fantasia que seus realizadores usaram.

“Zé Furtado é um voluntário do Centro de Mídia Independente, uma locutora de rádio livre, uma trabalhadora que pega quatro ônibus lotados por dia”, diz um trecho do documento, que também avisa que o curta está disponível para download na internet.

Ainda de acordo com esse manifesto, intitulado “A Ditadura da Especulação Pode Ser Derrotada”, a administração pública da capital do país está realizando uma política de especulação imobiliária higienista, que expulsa os menos afortunados para longe do centro da cidade. Também se critica as obras para a Copa do Mundo e os incentivos à indústria automotiva.

No dia seguinte a sua exibição, o coletivo que produziu o filme não compareceu aos debates que ocorrem todas as manhãs durante o festival. A reportagem do UOL tentou contatar os realizadores do filme, mas eles não atenderam ao telefone.

*O repórter James Cimino viajou a convite do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Veja o trailer do documentário "A Ditadura da Especulação":

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