Cinema

Comediantes mostram bastidores sórdidos da política americana em "Os Candidatos"

Montagem/Divulgação
Will Ferrell e Zach Galifianakis se enfrentam nas eleições de "Os Candidatos" imagem: Montagem/Divulgação

Ana Maria Bahiana

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

Em ano de eleição nos EUA, o diretor Jay Roach e o astro e produtor Will Ferrell estão oferecendo uma boa alternativa para o constante metralhar das campanhas: a comédia "Os Candidatos" ("The Campaign", em cartaz nos EUA, e no Brasil a partir do dia 19 de outubro). Com uma sólida carreira como diretor de comédias ("Entrando numa Fria", "Austin Powers"), Roach tem se especializado, mais recentemente, em ótimas abordagens da absurda realidade da vida política norte-americana: os filmes "Recount" e "Game Change", ambos para a HBO.

Seu talento é uma parceria idal para Ferrell na história de dois candidatos a deputado federal pelo mesmo distrito eleitoral -- o veterano Cam (Ferrell), maculado por um recente escândalo sexual, e o novato Marty (Zach Galifianakis),  um funcionário público tirado do anonimato por dois poderosos milionários (John Lythgow e Dan Aykroyd), que desejam criar um substituto à altura, garantindo a defesa dos seus interesses em Washington.

Curiosamente, Ferrell e Galifianakis têm muito em comum em seu passado como comediantes e eleitores -- a não ser por suas respectivas experiências políticas.

WILL FERRELL

Divulgação
Eu disse logo: quero uma peruca igual ao cabelo dele [John Edwards] para o meu personagem!

Will Ferrell, sobre a caracterização de seu personagem no filme "Os Candidatos"

UOL -- Seu personagem, Cam, é inspirado em políticos de verdade?
Ferrell - Meu personagem é uma mistura de vários políticos. Vi muitas horas de material com vários políticos diferentes e tirei um pouco de cada um. Claro que John Edwards foi um deles. Muito da aparência física do meu personagem veio dele – a postura, o modo como ele conversa com as pessoas. E eu adoro o cabelo dele! Acho que ele tem o melhor cabelo entre nossos políticos! Eu disse logo: quero uma peruca igual ao cabelo dele para o meu personagem!

Você tem alguma experiência política no seu passado?
Eu concorri a representante de turma no meu último ano de colégio. E ganhei! Mas devo confessar que eu não me interessava muito pelo posto. Acho que nunca fui a nenhuma das reuniões.

Qual sua relação com a política, hoje?
Eu procuro me manter informado, mas não sou exatamente uma pessoa ativa na política. E Jay e eu não pensamos em fazer o que se poderia chamar de um filme político… Acho que pensamos mais em dar uma alternativa divertida para as pessoas, um refúgio de todo o bombardeio que sofremos em época de eleição. E, ao mesmo tempo, colocar um ponto de vista que, espero, seja inteligente, dentro de um grande filme comercial.

Quando você descobriu que era engraçado e queria ser ator?
No segundo ano da escola nós tínhamos que escrever nossa própria peça de teatro ou coisa parecida, e a professora nos dividiu em grupo. Não sei por que ou como eu me tornei o principal escritor no meu grupo. Acabei escrevendo uma espécie de pequeno esquete, e dizendo aos meus colegas o que fazer. E todo mundo riu na sala, inclusive a professora. Isso me deu um sentimento tão bom, tão gostoso, tanto que me lembro dele até hoje. Não sei se foi ali que resolvi ser comediante, mas com certeza esse foi um momento importante na minha escolha de carreira.

Dizem que todo bom comediante tem um passado sofrido, cicatrizes emocionais. Você tem?
Eu tenho uma cicatriz que atravessa minhas costas inteiras, vai até minha nádega direita, faz uma volta e continua pela perna, e outra que é quase um da Virgem Maria na minha coxa. (Gargalhadas).  Não, não tenho cicatrizes emocionais. Não sou desse tipo de comediante. Eu sei que existem muitos comediantes que tiveram  grandes problemas e sofrimento em suas vidas. Não sou assim.Tive uma infância relativamente normal. Você pode ter uma infância normal e ser engraçado. Eu costumo dizer que tenho dois cérebros, um que funciona como todo mundo, no meu dia a dia, e outro que só tem pensamentos bizarros e ideias esquisitas. E muito, muito engraçadas.

ASSISTA AO TRAILER DE "OS CANDIDATOS"

ZACH GALIFIANAKIS

Divulgação
O que acontece com Marty é muito semelhante ao que aconteceu com Sarah Palin [candidata a vice-presidente na chapa republicana]

Zach Galifianakis, sobre a natureza de seu personagem no filme "Os Candidatos"

Quem você acha que se parece com Marty, seu personagem?
Galifianakis -- Meu personagem é um exemplo de uma pessoa comum, que  talvez nunca tivesse se imaginado como ambiciosa, sendo colocada numa situação onde de repente ego e ambição passam a ser fatores. O que acontece com Marty é muito semelhante ao que aconteceu com Sarah Palin. É como se alguém chegasse para mim e dissesse: Zach, você quer ser vice presidente? Eu pensaria primeiro: 'Não, não tenho a menor qualificação para isso'. Mas meu ego provavelmente ia ficar super satisfeito e talvez obscurecesse minha lucidez.

Qual sua relação com a política, hoje?
Minha opinião atual sobre política e campanhas é que hoje a midia força as pessoas a revelarem tanto elas mesmas, sobre suas vidas privadas, que acabam distraindo das verdadeiras questões. E muita gente boa desiste de se candidatar porque não quer  passar por isso. De um modo geral, eu vejo muito desejo de mudança positiva, e muita burocracia e jogo de poder se metendo pelo caminho. As mudanças na nossa política de saúde pública são certamente necessárias, e estou torcendo para que sejam implementadas.

Você tem alguma experiência política no seu passado?
Eu concorri a representante de turma no sexta série  e perdi de lavada, para uma menina chamada Susan. Foi o fim da minha carreira política. Eu era muito arrogante e tinha certeza de que ia ganhar. Depois eu soube que ela tinha distribuído bala para comprar os votos. Foi uma grande lição para mim a respeito de como a política funciona -- na base da bala. Fiquei desencantado completamente. Mas tenho um tio, Nick Galifianakis, que foi deputado federal e concorreu ao Senado. 25 anos depois ele ainda usava os discursos de campanha dele em festas de casamento. Era sempre um sucesso.

Quando você descobriu que era engraçado e queria ser ator?
Quando eu era garoto havia um programa de TV, o 'Andy Griffith Show'. Andy Griffith morreu há pouco tempo e eu me lembrei de tudo. O programa tinha uma canção tema que era assobiada. E um dia o cara que assobiava a canção veio se apresentar na minha escola. Fiquei absolutamente fascinado com ele. Na hora tive essa vontade de estar na frente das pessoas fazendo alguma coisa tão fabulosa quanto ele. E aí um dia pedi para assobiar a canção em frente da turma. E um garoto veio e puxou minhas calças, e a turma toda riu. Não foi o dia mais feliz da minha vida mas aprendi o que faz as pessoas rirem. Depois vim para Los Angeles tentar a carreira, trabalhei muito como garçom e assistente de cozinha, aqui mesmo neste hotel, e um dia consegui um papel numa série de TV e vi que podia ganhar a vida com aquilo.

Dizem que todo bom comediante tem um passado sofrido, cicatrizes emocionais. Você tem?
Tenho uma cicatriz no meio da minha barriga, é do cordão umbilical que me ligava à minha mãe. Se chama umbigo. (Gargalhada). Não, não tenho cicatrizes emocionais, Acho que a ideia do comediante que tem um passado sombrio, sofrido,  esquisito, é um estereótipo. Eu tenho um passado normal. Admito ser uma pessoa sensível. Mas isto é importante nesta profissão.

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