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Em "Hotel Mekong", Apichatpong Weerasethakul rompe os níveis de realidade

Cena do filme "Mekong Hotel", de Apichatpong Weerasethakul - Divulgação
Cena do filme "Mekong Hotel", de Apichatpong Weerasethakul Imagem: Divulgação

Chico Fireman

Do UOL, em São Paulo

29/09/2012 11h00

Os filmes de Apichatpong Weerasethakul não oferecem respostas fáceis, mesmo para o espectador assíduo de festivais de cinema, acostumado a discursos e estruturas pouco convencionais. Mas o nível de experimentação do tailandês nunca havia ganho a dimensão que vemos em “Hotel Mekong”, um filme-ensaio em que o diretor passeia por múltiplas camadas de realidade, fragmentando, ou melhor, pulverizando qualquer possibilidade de se estabelecer uma linha narrativa. 

A anarquia que toma conta do filme deriva de sua proposta: o cineasta decide usar o local, um hotel às margens do rio que separa a Tailândia do Laos, como cenário para ensaiar “Ecstasy Garden”, um filme que escreveu anos atrás. Mas Apichatpong não está mais interessado em apresentar a história da mãe vampira e de sua relação com a filha humana de uma forma linear. O diretor viu no material uma oportunidade de investigar o processo de criação de uma linguagem cinematográfica diferente.

Perto de “Hotel Mekong”, os filmes mais conhecidos do diretor, como “Mal dos Trópicos” e o vencedor da Palma de Ouro em Cannes, “Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”, trabalhos elaborados e cheios códigos e simbologias, são um cinema mais perto do convencional. Ambos os filmes, mesmo diante de sua complexidade em trabalhar a memória e o fantástico, são realizados com um apuro visual e sonoro que traz um conforto inesperado ao espectador. São o ponto de apoio de quem assiste para receber o turbilhão de signos que o diretor oferece.

O novo filme rejeita esse conforto. Rodado em digital como se fosse um filme caseiro, parece retirar dos improvisos e das locações a matéria-prima para tecer sua estrutura. As inundações no rio Mekong servem como uma metáfora para o encontro dos níveis de representação da realidade que o filme oferece. É como se as águas fora de controle tivessem invadido as filmagens daquele filme que nunca existiu, abrindo espaço para a permissividade narrativa, varressem a necessidade de se explicar. Compra a ideia quem quiser. Ou quem puder.


Hotel Mekong (Mekong Hotel) / (Mekong Hotel), Diretor: Apichatpong Weerasethakul. Tailândia / Reino Unido, 2012. 61 min. Mostra: PANORAMA. Leg Elet Português. 14.

29/9/2012 - Est Vivo Gávea 4 - 15:40 - GV408

29/9/2012 - Est Vivo Gávea 4 - 22:10 - GV411

4/10/2012 - Est Sesc Botafogo 1 - 13:30 - BT147

4/10/2012 - Est Sesc Botafogo 1 - 22:30 - BT151

* A programação é de responsabilidade da organização do Festival do Rio 2012. É recomendável checar horários e lotação no site oficial do evento ou nos telefones de informação listados.