Filmes e séries

"Moonrise Kingdom", de Wes Anderson, é "fantasia pré-adolescente" nos anos 1960

Divulgação
Cena do filme "Moonrise Kingdom", de Wes Anderson Imagem: Divulgação

Ana Maria Bahiana

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

30/09/2012 09h00

O poder da inocência, capaz de verdadeiros milagres e curas, é o tema central de "Moonrise Kingdom", sétimo filme  de Wes Anderson. Suzy e Sam (os super estreantes Kara Hayward e Jared Gilman),  firmemente ancorados no coração da pré-adolescência, conhecem-se numa festa natalina na igrejinha de sua pequena comunidade numa ilha (fictícia) ao largo da Nova Inglaterra. Ela está fantasiada de pássaro , aguardando sua vez para entrar em cena numa montagem da ópera O Dilúvio de Noé, do compositor britânico Benjamin Britten. Ele está onde não deveria – nos “bastidores” da peça – porque tem uma natureza inquieta, exploradora. Ela tem obsessão por Françoise Hardy, e já exibe todos os maneirismos de uma diva nouvelle vague/iê iê iê (a história se passa em meados dos anos 1960). Ele é escoteiro, com vários distintivos de mérito.

Todos esse elementos – a ilha, a música de Britten, a metáfora do dilúvio, os escoteiros, a nouvelle vague – cuidadosamente orquestrados e minuciosamente  compostos por Anderson, com o habitual rigor estético de sua visão da direção de arte , são essenciais para elevar a nível de lirismo a simples história do que os dois fazem depois de se encontrar (fugir de casa, o que não vai muito adiante numa ilha).

Os adultos da ilha – os pais de Suzy (Frances McDormand e Bill Murray), advogados preocupados com o “comportamento problemático” da menina; o lider da tropa de escoteiros (Edward Norton), que vive para normas e regras; o chefe de polícia (Bruce Willis), cansado da vida – andam em círculos, existencialmente. Uma tempestade de proporções bíblicas se aproxima, apresentada em hilário tom de documentário por um “historiador local” (Bob Balaban). Mas Suzy e Sam tem a engenhosidade, a coragem e a inocência bruta para criar uma saída para os dois. E a integridade do amor deles – onde o sexo ainda é apenas uma vaga possibilidade—afeta toda a ilha.

Anderson, que nasceu em 1969 e portanto não podia se lembrar de como era crescer nos 60, diz que escreveu o  filme (com Roman Coppola) como “um sentimento de uma memória”. “O filme é uma fantasia de como deveria ser a pré-adolescência naquela época”, ele diz. “Mas vários elementos foram retirados diretamente da minha infância: a crise entre os pais (os pais de Anderson se divorciaram quando ele ainda era garoto, um acontecimento que ele diz ter sido “o momento definidor” de sua vida), o fato de eu ser o filho do meio, como Suzy. O folheto “Como Lidar Com uma Criança Problema”, que está no filme, foi tirado diretamente da minha vida de garoto. Eu não acho que eu era uma criança problema, mas obviamente meus pais não concordavam com isso…”

A presença de dois não-atores nos papéis principais é essencial para o frescor e a energia de Kingdom. “Isso era muito importante para mim. Eu queria garotos que não tivessem feito nenhum teste, que realmente fosse crianças”, Anderson explica. “Kara e Jared são assim, absolutamente zero experiência em cinema, o que é exatamente o que eu queria.”

Anderson deu a si mesmo e a seu jovem elenco – os atores que compõem a tropa de escoteiros da ilha também são não-atores, “mas agora são quase como uma familia para mim” – tempo extra antes das filmagens, para preparar a garotada. “Adoro trabalhar  com crianças. O problema é o oposto de atores adultos, profissionais – eles tem entusiasmo demais. É preciso trabalhar essa energia toda, direcioná-la. Eu previ um longo tempo adicional de pré-produção só para trabalhar com meus jovens atores, dando exercícios e lendo o roteiro com eles.”

Lançado no início do verão norte-americano logo após sua passagem por Cannes, Moonrise Kingdom foi aclamado pela crítica e se transformou num inesperado sucesso de bilheteria.

ASSISTA AO TRAILER EM INGLÊS DE "MOONRISE KINGDOM"


MOONRISE KINGDOM (Moonrise Kingdom), de Wes Anderson. Com Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton. Estados Unidos, 2012. 93min. Panorama do Cinema Mundial - (LP) - 14 anos

DOM (30/9) 16:00 Est Sesc Botafogo 1 [BT117]
DOM (30/9) 22:00 Est Sesc Botafogo 1 [BT120]
TER (2/10) 14:00 Kinoplex Leblon 4 [KL017]
TER (2/10) 19:00 Kinoplex Leblon 4 [KL019]
QUI (4/10) 15:00 Est Vivo Gávea 5 [GV532]
QUI (4/10) 21:40 Est Vivo Gávea 5 [GV535]

* A programação é de responsabilidade da organização do Festival do Rio 2012. É recomendável checar horários e lotação no site oficial do evento ou nos telefones de informação listados.

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