Filmes e séries

Senso de adaptação é o que mantém James Bond vivo após 50 anos de sua estreia

Divulgação
Daniel Craig estampa o cartaz nacional de "007 - Operação Skyfall", 23º filme da série Imagem: Divulgação

Eduardo Torelli

Do UOL, em São Paulo

No escurinho do cinema, os primeiros acordes de um tema musical famoso (reconhecido por gerações de espectadores) antecedem uma cena familiar: um agente secreto caminha pela tela, volta-se para o público e dispara. E quando aquela cortina de sangue turva o nosso olhar, estamos prontos para aceitar o “inaceitável”. É de boa vontade que mergulhamos no absurdo e glamuroso mundo de James Bond, onde as mulheres são sempre belas e fatais, o suspense e o romance coexistem com a ficção científica e vilões fabulosos conspiram para subverter a ordem mundial.
 
Sim, é um jogo marcado. O agente 007 sempre vence no final, independentemente dos venenos, chapéus com abas mortais ou lasers industriais que os inimigos usem contra ele. Mas não há porque se sentir culpado: um cinéfilo que jamais vibrou com pelo menos uma aventura do superespião criado pelo escritor Ian Fleming (1908-1964) é como um gourmet que se recusa a reconhecer o apelo de um bom fast-food, só porque a comida é feita no esquema “linha de montagem”.

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    Ursula Andress e Sean Connery em cena de "Dr. No", filme de estreia da série 007


A julgar pelo que se passa em seus filmes, muitos poderão atribuir a invejável longevidade do cinquentão 007 – na verdade quase “sessentão” se considerarmos o ano de publicação de “Cassino Royale” (1953), primeiro romance de Fleming – à sorte e às engenhocas que ele usa em suas missões (carros com assento ejetor ou equipados com desfibrilador; cigarros explosivos; minissubmarinos em forma de jacaré; a lista é extensa!).

Mas, na verdade, a “arma secreta” que mantém Bond eternamente jovem é o notável senso de adaptação do personagem, que surgiu como um paradigma das ansiedades do Ocidente na época da Guerra Fria e acabou se tornando um herói quase “apolítico” em tempos mais recentes.

Um espectador atento notará que os sotaques dos vilões mudam de acordo com o cenário político de cada era: de inimigo dos russos e da China Vermelha nos primeiros filmes, lançados na década de 1960, Bond passou a trabalhar com agentes desses países nas aventuras dos anos 80 e 90, à medida que os terroristas se configuravam uma ameaça mais atual e plausível para o público.

Os produtores que criaram a mais famosa série cinematográfica de todos os tempos – a dupla Albert Broccoli e Harry Saltzman, que adquiriram os direitos sobre os livros de Fleming e fundaram a EON Productions – também se mostraram hábeis em adaptar o conceito original do personagem (e seu surreal universo) às demandas do público. Bond foi idealizado por Fleming como um sujeito fisicamente semelhante ao cantor Hoagy Carmichael – moreno, de cabelos pretos, com nariz longo e reto e 1,83m de altura – mas, no cinema, encarnou em biotipos tão diferentes como os de Sean Connery, Pierce Brosnan e, mais recentemente, Daniel Craig (de longe, o intérprete que menos corresponde à ideia que Fleming fazia de Bond). Sempre correspondendo aos ideais estéticos de cada tempo.


Quando analisamos James Bond no microscópio, notamos que um único elemento de seu “DNA” original se mantém virtualmente intocado após tantas aventuras e romances atribulados: a imortalidade. O mundo se tornou mais efêmero e urgente desde 1962 (ano em que “O Satânico Dr. No” chegou aos cinemas). Mas duas coisas se mantêm eternas: os diamantes e 007.

 

 

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