Topo

Filmes e séries


Com filme "elétrico", Tim Burton retorna à infância e saúda ciência em "Frankenweenie"

Divulgação
Victor e seu cão Sparky em cena do filme "Frankenweenie", de Tim Burton (2012) Imagem: Divulgação

Mário Barra

Do UOL, em São Paulo

01/11/2012 16h40

O diretor Tim Burton volta ao passado duas vezes com o lançamento da animação "Frankenweenie". De um lado, o cineasta retoma a infância e revisita a estética de Dia das Bruxas que o tornou famoso. Por outro, Burton conta novamente uma história que havia levado às telas há 28 anos, quando o projeto homônimo foi lançado como curta-metragem.

Agora, a história em preto e branco de amor entre um garoto e um cão chega aos cinemas em versão longa-metragem. Gravado no formato 3D e com técnica de stop-motion, a produção vai estrear nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (2) e também será exibido durante o encerramento da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

"Frankenweenie" mostra a história de Victor Frankenstein, um garoto comum que adora seu cachorro chamado Sparky. Introvertido, não é exagero dizer que o personagem tem mais empatia pelo animal do que pelos colegas na escola, vizinhos e habitantes da cidade de New Holland.

Retratado como apenas mais um entre os jovens desajustados e inofensivos do local, o menino tem a vidinha pacata alterada quando o fiel companheiro morre após ser atropelado. Inconsolável, Viktor só encontra alegria quando evoca a tradição de seu sobrenome -- uma das muitas referências aos filmes de horror tão admirados pelo cineasta -- e tenta trazer à vida o seu amigo falecido.

Com o jovem tentando entender o sucesso de seu experimento, o universo científico passa a ganhar espaço na animação. Influenciado pelo austero professor Rzykruski, Victor descobre que é possível conduzir eletricidade através do corpo de um cadáver. Ao ver a contração dos músculos causada pela passagem dos elétrons, o menino tem a ideia de utilizar todo tipo de eletrodoméstico durante uma noite de tempestade para ressuscitar Sparky.

VEJA TRAILER DUBLADO DA ANIMAÇÃO "FRANKENWEENIE", DE TIM BURTON

O resultado é um divertido animal que continua a amar o seu dono e não consegue mais engolir alimentos -- para viver, o bicho-cadáver precisa apenas de uma recarga elétrica. As crianças, invejosas do feito de Victor, começam a forçá-lo a revelar o segredo por trás da façanha, com uma série de momentos engraçados em seguida, todos repletos de eletricidade e do visual dark "bonitinho" das produções de Burton.

Amor pela ciência
O diretor celebra o espírito de curiosidade e observação típicos da ciência, com um filme leve e repleto de momentos que envolvem o mundo da física. Além do experimento com seu cachorro, Victor derruba um monstro usando eletricidade e a cidade chega a debater os métodos de ensino do mestre Rzykruski, que encarna um professor bravo, mas apaixonado por ciência.

Rzykruski é mal interpretado quando os pais revoltados de New Holland questionam a existência de animais retornados do mundo dos mortos e apontam o professor como responsável. Fiel ao conhecimento, o professor afirma querer "entrar na cabeça das crianças" para estimulá-las a pensar livremente. Mas a visão fechada dos cidadãos da pequena cidade transforma a fala do mestre em algo a ser temido, como se Rzykruski fosse um monstro malvado tentando roubar a mente de criancinhas.

A defesa da ciência estimulada por Burton caminha lado a lado com a reprodução do universo próprio dos filmes do cineasta. Um exemplo é a vizinhança da casa de Victor, muito parecida com o cenário de "Edward Mãos de Tesoura", filme que marcou o início da parceria do diretor com o então ascendente Johnny Deep.

Outra riqueza do filme é o grande número de personagens, cada um com trejeitos próprios e ligados à remontagem do universo infantil que Burton propõe: a garota com olhar obcecado na escola, o vizinho ordeiro e bisbilhoteiro, os pais carinhosos e preocupados, os garotos invejosos e uma fauna com bichos com os traços fantamagóricos que são esperados a cada filme do cineasta (conheça os personagens no álbum abaixo).

Mas qual seria a fórmula para o sucesso do experimento de Victor? Burton sugere a mais doce das respostas para aqueles que tiverem curiosidade de ver, novamente, a visão do diretor sobre o próprio passado.