Filmes e séries

Ben Affleck conta uma história tirada das manchetes do passado em "Argo"

Divulgação
Ben Affleck em cena de "Argo", filme que aborda a Revolução Islâmica no Irã Imagem: Divulgação

Cindy Pearlman*

Do Hollywood Watch

07/11/2012 05h01

Há não muito tempo, Ben Affleck, com 20 e poucos anos, era um dos atores mais badalados de Hollywood. Nas telas, ele estrelou em sucessos como “Armageddon” (1998). “Pearl Harbor” (2001) e “Demolidor – O Homem Sem Medo” (2003), e fora das telas chamava a atenção na companhia de atrizes como Gwyneth Paltrow e Jennifer Lopez.

Esses dias são coisa do passado. Affleck está com 40 anos e faz uma década desde seu último sucesso como ator. Atualmente ele evita as festas e passa suas noites em casa com a atriz Jennifer Garner, sua esposa há sete anos, e seus três filhos, Violet de 6 anos, Seraphina, 3, e o bebê Sam.

Ah, e ele é um dos jovens diretores mais elogiados de Hollywood, sendo enaltecido pela crítica como roteirista/diretor de “Medo da Verdade” (2007) e “Atração Perigosa” (2010). Ele dirigiu e estrelou “Argo”, que estreia nos Estados Unidos em 12 de outubro, com muitos comentários sérios sobre Oscar.

Segundo Garner, entretanto, o segundo advento de Affleck como o próximo grande lance de Hollywood é acompanhado por um novo senso de perspectiva, que ela viu pessoalmente há poucos meses, quando voltou para casa após uma semana filmando em Porto Rico.

“Ele ficou sem ver as crianças por uma semana”, Garner recorda durante uma entrevista no recente Festival de Cinema de Toronto. “No minuto em que o pé dele pisou na entrada da garagem, Ben estava com as duas meninas erguidas no ar, uma criança em cada braço. Ele olhou para mim com o maior e mais feliz sorriso no rosto.”

“Como marido e pai, ele realmente faz por merecer.”

Situado durante a crise dos reféns no Irã de 1979, “Argo” é um thriller baseado em fatos que apresenta Affleck como Tony Mendez, um agente da CIA trabalhando para extrair seis diplomatas que se refugiaram na embaixada canadense em Teerã. Sua solução: convencer um produtor de Hollywood (Alan Arkin) a montar um falso filme de ficção científica chamado “Argo”, que seria filmado no Irã, e retirar os diplomatas do país como membros do elenco e equipe técnica.


A conversa sobre múltiplas indicações ao Oscar não afeta Affleck, que já tem um Oscar por “Gênio Indomável” (1997), que rendeu a ele e ao amigo Matt Damon o prêmio de Melhor Roteiro Original.

“Eu não tenho a menor ideia sobre o Oscar”, diz Affleck durante uma entrevista em um hotel em Beverly Hills. “No momento, eu estou mais preocupado em fazer com que pessoas de fato venham assistir meu filme e paguem pelo ingresso. Eu mantenho uma perspectiva saudável a respeito do restante disso.”

O filme chega aos cinemas após os mais recentes ataques contra postos diplomáticos americanos, mais notadamente o assassinato em setembro do embaixador americano na Líbia, em meio aos distúrbios em Benghazi.

“O mundo lá fora continua perigoso”, diz Affleck com um suspiro. “As consequências não intencionais da revolução continuam se desdobrando. Eu acho que temos que examinar qual tem sido nosso papel historicamente e quais são os benefícios quando fazemos negócios com esses líderes.”

“Eu considero o filme muito relevante para nosso mundo atual.”

O presidente Bill Clinton removeu o sigilo da história da missão de resgate em 1997, e Mendez escreveu um livro revelando detalhes da história improvável. Isso apresentava um problema para Affleck, já que ele estava contando uma história cujo final era amplamente conhecido.

Sem problema, ele diz de modo confiante.

“Se você tem um roteiro realmente bom, apoiado na realidade, e você dispõe de bons atores que interpretam de modo crível, então eu acho que o público se entrega de um modo momento a momento. Eu estava confiante de que, apesar de muitas pessoas saberem o final, o público não passaria o tempo todo pensando ‘eu sei que eles sobreviverão, porque ninguém faria um filme sobre seis pessoas mortas a tiros na pista de decolagem’.”

O filme não é exatamente a forma como as coisas aconteceram na vida real, diz Affleck, mas ele é fiel aos fatos básicos.

“Há uma clara diferença dos documentários, dos quais você espera uma fidelidade mais rígida. Nós tivemos que comprimir a história. No filme, eles vão diretamente à casa do embaixador canadense. Ocorreram outros passos na vida real, mas é um filme, de modo que não podemos mostrar todos os momentos.”

Felizmente, ele diz, a história real é por si só cinemática.

“Nós tivemos muita sorte. O que aconteceu na história real foi extremamente envolvente. Os personagens eram interessantes. Isso fez com que fosse um prazer, porque eu podia me apoiar no que realmente aconteceu. A história real estava do meu lado.”

Assim que escolheu o elenco do filme, Affleck trancou os atores principais em uma casa em Los Angeles por seis dias com discos de vinil, jornais, revistas, livros e programas de televisão sobre o final dos anos 70 e a crise dos reféns. Ele até mesmo os deixou sem celulares.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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