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"Quero que as pessoas saibam quem é Jorge Mautner daqui a 100 anos", diz Bial sobre longa

Foto Rio News
23.jan.2013 - Pedro Bial, Jorge Mautner e Heitor D'Alincout apresentam "Jorge Mautner - O Filho do Holocausto", no Rio Imagem: Foto Rio News

Renato Damião

Do UOL, no Rio

23/01/2013 15h43

O jornalista e apresentador Pedro Bial se reuniu com a imprensa na tarde desta quarta-feira (23), em um cinema no Rio, para uma entrevista sobre o lançamento do filme "Jorge Mautner - O Filho do Holocausto", no qual divide a direção com Heitor D'Alincourt. Bial disse que o documentário musical ajudará as pessoas "daqui a 100 anos saberem quem foi Jorge Mautner".

"Tenho muito orgulho como jornalista desse filme . O Jorge é um artista que faz a gente pensar grande, ele tem um projeto de nação, por essa característica que o assemelho muito ao Guimarães Rosa", comparou Bial que em 1999 dirigiu o filme "Outras Estórias" baseado em contos do escritor mineiro.

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Para mim Mautner é uma Adriana Partimpim. A música dele é de uma liberdade de criança

"Minha primeira experiência com o cinema foi traumática. Não havia ainda a tecnologia digital, filmei tudo em 35mm, acabei precisando gastar o dinheiro de uma vida toda e quebrei. Prometi a mim mesmo que nunca mais voltaria ao cinema", contou o apresentador do "Big Brother Brasil 13".

Em 2008 Heitor apresentou a ideia de um documentário sobre Jorge Mautner a Bial e ele aceitou. "Li o livro sobre o Mautner e me identifiquei com essa questão da família dele judia que se refugiou no Brasil, sem falar que as canções do Mautner são poesias preciosas", explicou Bial que dessa vez "não ganhou nada, mas também não perdeu". "Ganhei em espírito e em satisfação pessoal", pontuou ele.

No longa, sua mãe, Susanne Bial aparece em depoimento falando sobre os campos de concentração na Alemanha nazista. Além dela, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Nelson Jacobina e Amora Mautner, filha de Mautner, também falam sobre o músico filho de pais judeus que se exilaram no Brasil.

A ideia de enxugar a quantidade de depoimentos e a escolha por ambientar todas as entrevistas em um único cenário, segundo o cineasta, partiu de uma questão orçamentária. “Não tínhamos grandes verbas, filmamos tudo em quatro dias e tivemos uma preocupação em criar um filme realmente bonito, essa era nossa principal preocupação”, frisou ele. A fotografia de Gustavo Habba chegou a ser premiada no Festival de Gramado de 2012.

“Não criamos um documentário tradicional, em algumas exibições tivemos pessoas que acreditaram que o filme se tratava de uma ficção”, contou ele. Indagado se Mautner demorou para ser reconhecido no cenário musical brasileiro, Bial desmentiu.

“Acho que Mautner sempre foi um homem à frente de seu tempo. Ele já sabia o que era rock’n roll antes mesmo do Elvis [Presley] fazer sucesso. Acho que há pouco tempo nasceram as crianças e os adolescentes para receberem a obra do Mautner. Para mim ele é uma Adriana Partimpim. A música do Mautner é de uma liberdade de criança”, elogiou.

Sobre os recentes sucessos dos chamados "documentários musicais" como "Uma Noite em 67" e "Tropicália", Bial acredita que a obra artística de maior impacto e sucesso no Brasil é a música. "Somos um país de grandes músicas e grandes movimentos. A Bossa Nova por exemplo é uma coisa que ganhou o mundo". Expectativas a respeito da bilheteria também não preocupam o diretor.

"Meus filhos são meu termômetro e assistiram com prazer. Quero apenas que todas as pessoas que tenham o desejo de assistir ao filme tenham essa possibilidade”, ressaltou. "Jorge Mautner - O Filho do Holocausto" estreia dia 1º de fevereiro nos cinemas brasileiros. Nesta segunda (28) ele será exibido na casa do "BBB13".