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Diretor de "O Som ao Redor" diz que Globo Filmes atrofia diversidade do cinema brasileiro

O diretor Kleber Mendonça Filho (dir). ao receber o prêmio de melhor longa-metragem de ficção por "O Som ao Redor", no Festival do Rio 2012 - André Muzell e Roberto Filho/AgNews
O diretor Kleber Mendonça Filho (dir). ao receber o prêmio de melhor longa-metragem de ficção por "O Som ao Redor", no Festival do Rio 2012 Imagem: André Muzell e Roberto Filho/AgNews

Do UOL, em São Paulo

20/02/2013 23h04Atualizada em 21/02/2013 14h52

O cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho, diretor de "O Som ao Redor", disse que a empresa Globo Filmes faz mal à ideia de cultura no Brasil e atrofia o conceito de diversidade no cinema brasileiro. A crítica é uma resposta à ironia de Cadu Rodrigues, diretor-executivo da distribuidora, que desafiou o diretor a alcançar 200 mil espectadores em um fim de semana com filme apoiado pela Globo Filmes. 

"O sistema Globo Filmes adestra um público cada vez mais dopado para reagir a um cinema institucional e morto", escreveu Kléber na noite desta quarta (20), na página do Facebook de "O Som ao Redor".

Em uma entrevista publicada pela “Folha de S.Paulo” no último domingo (17), Kléber afirmou: “Se meu vizinho lançar o vídeo do churrasco dele no esquema da Globo Filmes, ele fará 200 mil espectadores no primeiro final de semana". Depois da crítica feita por Kléber, Cadu Rodrigues propôs: "Desafio o cineasta Kleber Mendonça Filho a produzir e dirigir um filme e fazer 200 mil espectadores com todo o apoio da Globo Filmes! Se fizer, nada do nosso trabalho será cobrado do filme dele. Se não fizer os 200 mil, assume publicamente que, como diretor, ele talvez seja um bom crítico", afirmou Rodrigues, em uma lista de e-mails de cineastas.

À reportagem da Folha, Kléber havia afirmado que o esquema de distribuição montado pela Globo Filmes possibilita que qualquer produção, independente da qualidade, alcance um grande público. "São filmes feitos com muita grana e lançados com muita grana. Gastam R$ 6 milhões mas parecem ter custado R$ 800 mil porque têm dois apartamentos, quatro atores da Globo, um cachorro e um gato", disse Kléber.

Aclamado pela crítica nacional e estrangeira, "O Som ao Redor", que custou R$ 1,8 milhão, foi visto por 72 mil pessoas em sete semanas de exibição.

Depois da resposta de Cadu, Kléber, que chegou nesta quarta de Istambul, onde "O Som ao Redor" será exibido, agradeceu o desafio e afirmou que não concorda com a proposta. "Preciso lhe agradecer pelo desafio, mas sua proposta associa a não obtenção de uma meta comercial (200 mil espectadores) como prova irrefutável de que eu não seria um cineasta. Isso não me parece correto, pois o valor de um filme, ou de um artista, não deveria residir única e exclusivamente nos números", escreveu no Facebook.

O cineasta conclui sua mensagem com um contra-desafio: "Devolvo eu um outro desafio: Que a Globo Filmes, com todo o seu alcance e poder de comunicação, com a competência dos que a fazem, invista em pelo menos três projetos por ano que tenham a pretensão de ir além, projetos que não sumam do radar da cultura depois de três ou quatro meses cumprindo a meta de atrair alguns milhões de espectadores que não sabem nem exatamente o porquê de terem ido ver aquilo. Esse desafio visa a descoberta de novos nomes que estão disponíveis, nomes jovens e não tão jovens que fariam belos filmes brasileiros que pudessem ser bem vistos, se o interesse de descoberta existisse de membro tão forte da cadeia midiática nesse país, e cujos produtos comerciais também trabalham com incentivos públicos que realizadores autorais utilizam".

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