Cinema

"G. I. Joe: Retaliação" é homenagem ao Exército dos EUA, diz The Rock

Divulgação
Channing Tatum e Dwayne "The Rock" Johnson em cena de "G.I. Joe: Retaliação" imagem: Divulgação

Cindy Pearlman

Do Hollywood Watch

Dwayne Johnson, o lutador-que-virou-ator está chorando, sim, durante a nossa entrevista num hotel de Las Vegas. Com 1,94 m e 117 kg, ele não consegue segurar a emoção.

"Eu sou daquele tipo que gosta de analisar a vida de vez em quando", ele diz. "Nunca vou esquecer de quando tinha meus 14 anos, lá no Havaí. Matava as aulas da manhã, saía de fininho e ia ver 'Rocky III' (1982); fiz isso nem sei quantas vezes. Eu e meus amigos saíamos e deixávamos de assistir às aulas quase um mês, o que não era a coisa mais esperta do mundo de se fazer."

E lá está ela, a lágrima, brilhando no olho dele à lembrança de um filme considerado um clássico por muito poucos.

CARREIRA NO ESPORTE

  • Frederic J. Brown/AFP

    Johnson foi criado em Honolulu, onde abandonou os estudos, começou a andar com as pessoas erradas e, é claro, acabou encrencado.
    "Acabei preso", confessa. "A sorte é que tive meus pais, gente fina, superpacientes, que acreditaram no meu potencial quando ninguém mais botava fé. Mesmo quando estava tirando as algemas, eles me disseram: 'Você continua sendo um garoto e tanto, com um potencial enorme'."
    A princípio, ele achava que o sucesso viria dos campos, pois jogava pela Universidade de Miami e sonhava com a glória da NFL; porém, não recebeu nenhuma oferta e acabou indo jogar na liga canadense – da qual foi cortado na metade da temporada de 1995.
    A luta livre é uma escolha pouco comum dos jogadores de futebol que não deram certo, mas para Johnson representou a volta ao "negócio de família": seu avô, Peter Maivia, e o pai, Rocky Johnson, foram lutadores profissionais.
    Ao entrar para a WWF, Johnson assumiu o apelido "The Rock" e descobriu o estrelato que buscou nos campos de futebol. Acabou se tornando um dos maiores nomes da modalidade, de onde foi "pescado" para filmar "O Retorno da Múmia" e "O Escorpião Rei" (2002); na última década, foi visto em produções como "Bem-Vindo À Selva" (2003), "Com as Próprias Mãos" (2004), "A Gangue Está em Campo" (2006), "Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio" (2011) e "Viagem 2: A Ilha Misteriosa" (2012). E acabou se arriscando na comédia com "Treinando o Papai" (2007), "Agente 86" (2008) e "A Fada Do Dente" (2010).
    Apesar disso, garante que os erros que cometeu foram tão importantes quando os acertos.
    "Com a idade aprendi que quando as coisas começam a cair ao seu redor, é bom ter as costas apoiadas na parede", filosofa ele. "É aí que você aprende até que ponto pode chegar, que geralmente é muito além do que você imaginava."
    Johnson confessa que não esquece os anos difíceis por que passou.
    "No começo da carreira, não deu nada certo", relembra. "Não tinha grana. Aliás, a coisa estava tão feia que, um dia, estava passando por um lixão e vi um colchão velho que tinham deixado ali. Estava tão duro que parei para pegar. Ele virou a minha cama, apesar de todo sujo. Eu me senti um zero à esquerda porque nem cama eu podia comprar."
    "Acabei aprendendo que os erros são os momentos mais importantes da vida da gente", ele prossegue. "Claro, fiquei deprimido um tempo; triste mesmo. Frustrado. Acho que é natural, principalmente porque eu botava muita fé no esporte."
    "Aí você descobre que pode e vai se reerguer", conclui ele. "Aprende com os tropeços. São eles que garantem que você não fique parado, estagnado."

"Aprendi muita coisa da vida no cinema", ele continua. "Adorava o Rocky porque era um cara como eu, que começou do nada, só com garra e, por isso, conseguiu conquistar tanto. Apanhou muito da vida, mas não caiu. É a história da minha vida."

"E olha só para mim hoje", diz. "Nunca imaginei que aquele garoto que matava aula ia acabar fazendo filmes. Realizei o meu sonho."

Aos 40 anos, Johnson não apenas faz filmes; na verdade, é um dos astros mais disputados do cinema, com três longas de ação prontos para lançamento: "G.I. Joe 2: Retaliação", que chega aos cinemas nesta sexta (29), "O Acordo", que estreia no Brasil em 19 de abril, e "Suor e Glória", em que contracena com Mark Wahlberg, com lançamento previsto para agosto.

"G.I. Joe: Retaliação"
No primeiro, "G.I. Joe 2: Retaliação", Johnson trabalha ao lado de Channing Tatum e Bruce Willis na sequência de "G.I. Joe: A Origem da Cobra" (2009). O ator garante que os fãs vão ver uma grande diferença do original.

"O primeiro fez bastante sucesso, mas todo mundo sabia que tinha bastante espaço para ser aprimorado", admite. "Então, agarramos a oportunidade à unha."

Ele descreve a continuação, para a qual passou por um treinamento rigoroso, como "mais árida, mais estéril".

"Presta uma verdadeira homenagem ao nosso Exército", ele explica. "Eu me matei de treinar, afinal é uma franquia visada. É muito popular e os fãs adoram e levam a sério, então caprichei um pouco mais. Eu mesmo exigi mais de mim porque cresci brincando com os G.I. Joes."

"Tendo a chance de representar um militar de novo, não podia me permitir decepcionar ninguém."

A grande novidade da sequência é a presença um tanto surpreendente do "novato" Willis, ícone do cinema de ação que também está em cartaz com "Um Bom Dia Para Morrer", o quinto filme de sua série mais memorável.

"O Bruce foi gente finíssima há doze anos, quando eu estava começando", conta ele. "Bom, todo mundo foi legal, até os mais boçais, mas o Bruce não foi só legal, ele foi sincero em seu apoio e receptividade."

"O Acordo"
Em um clima mais dramático, "O Acordo" traz Johnson como um pai que vira agente infiltrado para o Departamento de Narcóticos do FBI para ajudar a libertar o filho, preso por causa de uma acusação falsa de tráfico de drogas.

"É uma história sobre família", explica. "Eu sou pai, sei o que é fazer qualquer coisa para ajudar o filho. Nem consigo me imaginar numa situação dessas, mas sei que iria aos confins do mundo para socorrer a minha menina."

"E só a ideia de alguém tentando machucá-la... não dá para pensar", engasga o ator, cuja filha, Simone, tem onze anos.

Ele explica que parte do apelo do filme foi a combinação de ação e drama, das cenas carregadas de emoção servindo de motivo para as brigas.

"Quero mostrar para o público que posso crescer como ator", revela Johnson, que começou a carreira em "O Retorno da Múmia" (2001). "Adoro fazer cenas de ação, é ótimo, mas também gosto do lance dramático. Quero ser capaz de contar histórias completas."

BASTIDORES DE "G.I. JOE: RETALIAÇÃO"

"Suor e Glória"
Mas ele volta à ação ao lado de Mark Wahlberg em "Suor e Glória", de Michael Bay, que conta a história de dois fisicultoristas da Flórida que se envolvem num caso de extorsão e esquema de sequestro. Os dois malharam muito, além de seguirem uma dieta rigorosíssima para ganhar músculos – a ponto de levar Wahlberg, de 1,72 m, a brincar com a imprensa dizendo que ele estava maior e mais perigoso que Johnson.

"É o que acontece quando um cara inseguro abre a boca", Johnson diz com uma gargalhada. "A verdade é a seguinte: se acertasse Mark, eu o mataria; se errasse, só o vento produzido pelo soco o faria pegar pneumonia e ele morreria do mesmo jeito."

Mais sério, Johnson elogia muito o colega e o filme.

"Foi ótimo trabalhar com Mark em Miami naquele que, durante anos, foi o projeto dos sonhos de Michael Bay", conta. "Ele me deu o roteiro para ler em 2005 e, na época, eu já queria fazer o filme – mas aí o Michael suspendeu tudo para fazer 'Transformers' (2007)."

"É uma história bem intrigante", ele continua. "Na verdade, é uma história absurda que aconteceu de verdade. E é brutal, o que a torna ainda mais interessante."

(Cindy Pearlman é jornalista freelancer em Chicago.) 

TRAILER DE "G.I. JOE: RETALIAÇÃO"

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