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Filmes e séries

"Juliette Lewis é impossível de dirigir", diz Márcio Garcia sobre novo filme

Mário Barra

Do UOL, em São Paulo

11/04/2013 05h00

O passado como ator parece acompanhar Márcio Garcia em seu segundo filme como diretor. "Angie", uma espécie de road movie sobre uma jovem artista em busca do autoconhecimento, será lançado nesta sexta-feira (12) no Brasil. Da experiência como apresentador de "O Melhor do Brasil" -- programa que deixou nas mãos de Rodrigo Faro em 2008 na Rede Record -- à atuação em novelas e filmes, Garcia ressurge para o público brasileiro em nova investida na indústria cinematográfica. No longa, ele trabalha ao lado de nomes como Andy Garcia e a "impossível" Juliette Lewis, que recebeu carta-branca do cineasta para atuar.

Na trama, uma garota chamada Angie deixa o Brasil para buscar uma figura perdida em seu passado, que ela acredita estar nos Estados Unidos. "É um filme de arte, tem outra proposta. No 'Predileção' [curta de estreia do diretor] era um filme de ação, mais comercial. Já no 'Amor por Acaso' era mais um filme de 'Sessão da Tarde', a pegada era outra", disse Garcia ao UOL. "Esse aqui é um road movie, com câmera na mão e uma linguagem própria dentro da história."

Amadurecendo um estilo próprio de dirigir, Garcia aposta em um meio-termo com os atores na hora de conduzir seus filmes. "Se o ator vem para somente obedecer, bater continência, ele vai chegar e simplesmente perguntar sobre a próxima cena. Mas, por outro lado, se você concorda com tudo o que eles perguntam, eles ficam inseguros", explicou o diretor, citando como a experiência anterior em sua extensa carreira no mundo do entretenimento o auxiliou. "O Andy deu muito valor ao fato de eu também já ter sido ator."

  • Divulgação / H2O Films

    A atriz Juliette Lewis foi descrita por Márcio Garcia como "impossível de dirigir"

Além do diálogo, a organização no set também é citada por Garcia como algo que colaborou para o desempenho dos atores. "A gente tinha um mínimo de tempo para ser criativo e deu certo porque a gente veio afinado, organizado", disse o diretor, que brincou ao lembrar o nome mais "indomável" na hora de comandar. "A Juliette é impossível de dirigir. Ela tem o jeito dela, vem com um personagem pronto."

Defensor de um estilo de direção que não seja muito controlador, o brasileiro de quase 43 anos -- o aniversário será em 17 de abril -- comentou sobre como até mesmo os erros podem ser relevados quando a história e os atores são ideais. "Com ator e roteiro bons, tudo vira licença poética", afirmou.

Garcia explica que seu jeito para coordenar os atores foi um dos atrativos para Andy Garcia aceitar participar do filme. "Ele é um cara que gosta de ser dirigido, mas também quer ter o espaço para criar", contou o diretor, que teve um primeiro contato com o astro indicado ao Oscar em 1991 por meio de uma videoconferência. "Serviu para ele fazer todas as perguntas. Isso já quebrou esse estigma de grande astro. Depois a gente se encontrava na casa do Uri [produtor] para passar o texto. Quando chegou a hora do set, o gelo já havia sido quebrado."

Já entre os desafios citados por Garcia ao filmar "Angie" está o curto período de set, apenas 20 dias, segundo o diretor. Por mais breve que pareça, o tempo de gravação foi maior do que os 15 dias utilizados pelo brasileiro em "Amor por Acaso", seu primeiro longa, estrelado por Dean Cain e Juliana Paes em 2010. "Adiantamos tudo antes de começar a filmar, pois na hora foi tudo muito rápido. Tinha cena que eu fazia com take único", lembrou o cineasta, que enxerga um avanço apesar da curta carreira atrás das câmeras. "Sinto uma evolução, você aprende bastante com os erros."

O elenco também conta com outros nomes conhecidos como John Savage, mas o principal destaque está na figura da Camilla Belle, norte-americana que possui família brasileira e versa bem nas duas culturas. "Ela tem a mistura que a gente procurava, tem um temperamento bastante parecido com o da personagem Angie", afirma o diretor. "Ela se moldou ao perfil reservado dos norte-americanos, mas preservou aquela doçura e jogo de cintura brasileiros."