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Filme francês do diretor de "A Separação" é aplaudido em Cannes

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

17/05/2013 11h01

O iraniano Asghard Farhadi é um diretor de sorte. Seu filme “A Separação” venceu o Oscar de filme estrangeiro e o Urso de Ouro no Festival de Berlim.  Agora, “Le Passé” (O passado), seu primeiro filme rodado na França com boa parte do elenco francês, recebeu aplausos na sessão para a imprensa.

“Le Passé” segue um caminho parecido de “A Separação”. É um drama familiar intenso sobre uma mulher, Marie (Bérénice Bejo, de “O Artista”), que recebe em sua casa, em Paris, a visita do ex-marido iraniano, Ahmad (Ali Mosaffa), que hoje mora em Teerã e que ela não vê há quatro anos. Ele retorna para que eles oficializem os papéis do divórcio.

Marie agora mora com o marido, Samir (Tahar Rahim, de “O Profeta”), dono de uma lavanderia, e três filhos – dois de um casamento anterior a Ahmad e o terceiro é um menino filho de Samir. Uma tragédia assombra a família: a ex-mulher de Samir vive em coma após tentar se matar quando descobriu a nova relação do marido. Lucie, a filha mais velha, não aceita a situação e vive deprimida. Como em “A Separação”, esse ato do passado encobre alguns segredos que proporcionam boas reviravoltas na parte final.

A francesa Marion Cottilard, Oscar de melhor atriz por “Piaf”, era a primeira opção de Farhadi para o papel de Marie, mas teve de abandonar o projeto por problemas de agenda.

Farhadi quase concorda que o filme poderia ter se chamado “Depois da Separação”. “No meu filme anterior, todos os eventos se passam aqui e agora, sob o olhar do espectador. Neste, nós vemos apenas as conseqüências dos eventos passados, seus efeitos sobre os sentimentos dos personagens”, diz o diretor.

Para ele, as pessoas tendem a desprezar o peso do passado em suas vidas. “Temos a tendência de acreditar que o futuro é nebuloso porque é desconhecido. No entanto, o passado me parece ainda mais opaco. Apesar das fotos e dos e-mails, nosso passado se tornou ainda mais obscuro do que era antigamente. A vida contemporânea tende a querer avançar ignorando o passado, mas ele continua a nos puxar para trás”, filosofou.

“Le Passé” já tem distribuição garantida no Brasil, mas sem data de estreia definida.