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Violento, novo filme de Ryan Gosling com diretor de "Drive" recebe vaias e aplausos em Cannes

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

22/05/2013 07h17

"Only God Forgives” (Só Deus perdoa), o novo filme de Ryan Gosling com o diretor de “Drive”, Nicolas Winding Refn, recebeu vaias e aplausos ao final da sessão de imprensa no Festival de Cannes nesta quarta-feira (22).

Mais violento do que “Drive”, o filme se passa em Bangkok, na Tailândia, onde um americano, Julian (Gosling), mantém uma academia de boxe de fachada para seus negócios escusos. Seu irmão mais velho, de temperamento violento, estupra e mata uma menina de 16 anos. O pai da menina se vinga matando o rapaz, e é a vez de Julian e sua mãe, a perversa Crystal (Kristin Scott Thomas), darem o troco. Para isso, eles vão ter de enfrentar um policial aposentado que se toma por Deus e maneja a espada como ninguém.

Assim como “Drive”, “Only God Forgives” tem um climão muito bem construído, com poucos diálogos e muita tensão – a violência pode explodir a qualquer momento. O tempo lento das cenas e a trilha soturna que cria uma certa irrealidade lembram muito os filmes de David Lynch misturados com o estilo dos filmes de samurai. O sangue rola solto e uma cena é especialmente violenta, quando o policial tailandês fura as mãos, pernas, olhos e ouvidos de um inimigo.

Gosling é bonito, mas segue com a mesma cara de paisagem. Quem rouba a cena é Scott Thomas, que surpreende com um visual de loiraça belzebu e uma presença de dar medo, bem diferente de tudo o que já fez. “Filmes violentos não fazem a minha cabeça, eu não costumo assisti-los. Mas fiquei empolgada em viver uma mulher diferente da elite inglesa”, disse a atriz. “Crystal se torna cada vez mais desprezível. Levei oito dias para conseguir falar a palavra ‘cunt’ [palavra vulgar para vagina] em cena”, brincou.

Gosling era esperado em Cannes, mas não veio divulgar o filme porque está nos EUA rodando seu primeiro longa como diretor, “How to Catch a Monster”.

Vendo fantasmas
Refn escolheu Bangkok depois de visitar a cidade algumas vezes com a família. “Para mim, Bangkok tem a mesma loucura de Los Angeles. Só consegui visualizar o filme depois de passear pela cidade à noite. Eu queria me colocar numa posição diferente dos meus outros filmes”. Um episódio o marcou. “Na Tailândia, minha filha pequena dizia ver fantasmas, apontava para a parede. Na Ásia, a espiritualidade e a realidade têm significados diferentes. É o oposto do Ocidente, onde precisamos dos fatos para entender a vida”.

O diretor confessa que tem um fetiche por emoções e imagens violentas. “Para mim, a arte é um ato de violência, tem a ver com penetração. Mas não sou um cara violento, e não gosto muito de pensar sobre o meu trabalho; apenas sigo aquilo que me empolga”.

Refn foi convidado a dirigir um remake de “Barbarella”, o filme cult estrelado por Jane Fonda em 1968, mas avisou aos produtores que só o faria se fosse para a TV. “A TV é o lugar onde a gente encontra criatividade hoje. Você pode fazer um filme de 13 horas, dividi-lo em episódios e exibi-lo como série”.

“Only God Forgives” ainda não tem estreia prevista no Brasil.