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Filmes e séries


Jerry Lewis quebra jejum de 18 anos, derruba protocolo e provoca risadas em Cannes

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)*

23/05/2013 13h26Atualizada em 23/05/2013 20h27

Esta talvez seja a melhor notícia de todo o festival: Jerry Lewis está de volta. O maior comediante da história do cinema falado quebrou um jejum de 18 anos longe da tela grande e está de volta em um drama, “Max Rose”, de Daniel Noah, que estreia nesta quinta (23) no Festival de Cannes.

No filme, Lewis vive um pianista de jazz de sua idade, 87 anos, que abdicou da carreira pela família e pelos filhos. Quando fica viúvo, ele descobre que a mulher com quem viveu durante 65 anos talvez não tenha sido feliz com ele, e seu casamento tenha se baseado numa mentira.

Conhecido por comédias como "Os Malucos do Ar" (1952), "Ou Vai ou Racha" (1956) e "O Professor Aloprado" (1963), Lewis estava afastado do cinema desde a comédia dramática "Rir É Viver", de 1995.

O festival quebrou o protocolo e promoveu uma entrevista coletiva com Lewis antes mesmo de exibir o filme. Lewis matou os jornalistas de rir a cada resposta. “Esse foi o melhor roteiro que recebi nos últimos 40 anos. E Daniel me trouxe os US$ 3 milhões que eu pedi, foi perfeito”, brincou pra começar.

Quando pediram a um repórter para levantar a voz para que Lewis entendesse a pergunta, desdenhou: “Por que você está gritando?”. Quando ele abaixou a voz, mandou: “Desculpe, não estou entendendo, você pode falar mais alto?”

Outro repórter pediu para ele comentar sua relação com Dean Martin. “Ele morreu, você soube? Quando eu cheguei aqui e vi que ele não estava, sabia que algo estava errado.”

Lewis começou a carreira ao lado de Martin, que era cantor. A dupla ganharou fama nos anos 1940 com apresentações em casa de shows, um programa de rádio, aparições na televisão e filmes, mas se separaram em 1956 e só se reconciliaram em 1987, sem nunca explicar os motivos do desentendimento. Martin morreu em 1995.

Ao ser indagado sobre as mudanças no humor americano, deu uma lição: “Não existe humor americano. Humor é humor, riso é riso. Se você faz um humor engraçado, as pessoas vão rir. Se você esticar muito a corda ou se esforçar demais, as pessoas não vão rir.”

Mais tarde, uma sala lotada aplaudiu Lewis de pé durante uma sessão especial de "Max Rose". Quando se sentou e o delegado geral do festival, Thierry Frémaux, lhe perguntou se queria dizer algumas palavras antes de o projetor ser ligado, o ator respondeu, em tom de zombaria, com um sonoro "não", o que provocou risos do público.

 

Compareceram a esta sessão de homenagem algumas personalidades do cinema presentes em Cannes, como as diretoras Isabel Coixet e Agnès Varda, ambas representantes do júri da Câmera de Ouro, prêmio ao qual "Max Rose" concorre como estreia. Frémaux também agradeceu ao ator Daniel Auteuil, membro do júri da competição oficial, por sua presença.

*Com informações da agência EFE