Cinema

Will Smith não salva "Depois da Terra" do tédio e falta de originalidade

Divulgação / Sony Pictures
Will Smith em cena de "Depois da Terra". Trama mostra a Terra como um planeta devastado por cataclismo imagem: Divulgação / Sony Pictures

Guilherme Solari

Do UOL, em São Paulo

"Depois da Terra", que estreia nos cinemas nacionais nesta sexta (7), marca o retorno à telas de Will Smith com seu filho Jaden, sete anos após "À Procura da Felicidade". O resultado não poderia ser mais diferente do excelente drama de 2006, no entanto, com a dupla patinando em um filme de ficção científica entediante e pouco inspirado.

Em "Depois da Terra", o planeta foi abandonado por nós e tomado por uma feroz vida selvagem que "evoluiu para caçar os seres humanos", mesmo que nenhum tenha pisado no lugar em mil anos. Após um acidente, o veterano de guerra Cypher Raige (Will Smith) se vê sozinho na Terra com seu filho Kitai (Jaden Smith). Junto deles está uma criatura chamada Ursa, desenvolvida por alienígenas para matar seres humanos perseguindo-os pelo cheiro do medo. O universo de "Depois da Terra" aparece pouco no filme, sendo mais desenvolvido no livro "A Fera Perfeita", prólogo que já foi lançado no Brasil pela editora Suma de Letras.

O subtexto que permeia o filme a cada momento é o do filho que busca seu espaço vivendo à sombra do pai famoso, tanto entre Cypher e Kitai quanto entre Will e Jaden. Em entrevistas, Will Smith conta que "Depois da Terra" nasceu porque ele estava querendo fazer algo junto de Jaden. Um pai normal levaria o filho para acampar ou assistir a um jogo, Will Smith faz um filme multimilionário com ele.

A impressão que fica é que Will Smith resolveu fazer terapia familiar com Jaden e cobrar um ingresso de cinema para quem quiser assistir. Um problema, já que para uma dupla de pai e filho, Will e Jaden mostram uma surpreendente falta de química na tela. Para piorar, na maior parte do longa nem estão lado a lado, mas falando por comunicadores. As atuações ficaram impessoais, filmadas sem a espontaneidade e a troca de um diálogo ao vivo.

Trailer legendado do filme "Depois da Terra"

Como ator, Jaden é um bom filho do Will Smith. Frases são ditas com a naturalidade de quem está lendo em um teleprompter, expressões de medo mais parecem constipação, monólogos supostamente emocionais são de fazer bocejar. Seu personagem também é inerte, o que dificulta a plateia de se identificar. O pai está no comunicador mandando ele fazer tudo. Fique parado, corra, ajoelhe, tome o remédio, pule. Até quando sonha com a irmã, ela manda que ele acorde.

O próprio Will Smith, que é um bom ator, parece estar engessado em cena. Não só seu personagem fica sentado na maior parte do filme após quebrar as pernas, como os próprios músculos faciais ficam congelados em uma mesma expressão robótica. Parece ser uma escolha consciente do ator, porém o que era para ser um personagem frio acaba sendo apenas inexpressivo. É triste quando a melhor interpretação do filme parte de uma águia gigante de computação gráfica.

"Depois da Terra" foi "DR" entre Will e Jaden Smith, contam atores

O diretor M. Night Shyamalan está mais apagado em "Depois da Terra", que não apresenta o seu estilo autoral de costume. Fato que não chega a ser uma coisa ruim. Shyamalan é um caso curioso. Fez bons filmes como "O Sexto Sentido", "Corpo Fechado" e "Sinais", começou a escorregar em "A Vila" e seguiu ladeira abaixo com "A Dama na Água", "Fim dos Tempos" e "O Último Mestre do Ar". A péssima recepção de "Depois da Terra" nos cinemas norte-americanos só deve alimentar sua fama de "Rei Midas ao contrário" das bilheterias.

"Depois da Terra" é um filme de ficção científica genérico que se destaca apenas por ser um dos maiores exemplos do nepotismo hollywoodiano desde Sofia Coppola atuando em "O Poderoso Chefão 3". Parafraseando o subtítulo do filme: "Depois da Terra" é real, mas assistir a ele por sorte é uma escolha.

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