Filmes e séries

As tentativas para ressuscitar Superman no cinema que não decolaram

Roberto Sadovski

Do UOL, em São Paulo

09/07/2013 05h00

Com meio bilhão de dólares em caixa, e ainda muito chão pela frente, "O Homem de Aço" é a mais bem-sucedida aventura do Superman nos cinemas desde que Christopher Reeve provou que o homem podia voar em 1978.

Mas não foi a primeira tentativa. Desde que Reeve pendurou a capa em 1987 com "Superman IV – Em Busca Da Paz", o estúdio tenta encontrar uma forma de fazer seu principal herói decolar de novo. Gastando, claro, centenas de milhões de dólares no processo.

O próprio Christopher Reeve não era carta fora do baralho. Apesar do fracasso retumbante de "Superman IV", o mundo passou a ver filmes baseados em heróis dos quadrinhos com outros olhos depois que Tim Burton fez de Batman, em 1989, um fenômeno global. O produtor das aventuras do "Último Filho de Krypton", Ilya Salkind, ajudou a escrever o roteiro de "Superman V", que trazia uma trama muito familiar.

“Era a melhor aventura do herói que eu vi, pelo menos no papel”, lembra Salkind. O filme traria a morte e a ressurreição de Kal-El dentro da cidade engarrafada de Kandor, uma relíquia de Krypton, tendo o computador vivo Brainiac como vilão. Nos quadrinhos, Superman morreria de fato alguns anos depois, em uma das séries mais bem-sucedidas financeiramente da história. O estúdio, entretanto, decidiu pela série de TV "Lois & Clark" e o projeto morreu.

Ironicamente, a morte do Superman nos quadrinhos (e os dólares por ela levantados) reacenderam o desejo em devolver o herói aos cinemas. Nas mãos do produtor Jon Peter, o mesmo de "Batman", e que não entendia absolutamente nada sobre quadrinhos, "Superman Reborn" tinha um texto de absurdos, como Lois Lane dando luz ao filho do herói, já morto, que cresceria aceleradamente para se tornar um novo "Homem de Aço". O vilão era o mesmo da série nos gibis: Apocalypse.

Descontente com o roteiro, o estúdio trouxe Kevin Smith, fã declarado do personagem, para reescrever o texto. Mas sua briga com Jon Peters é lendária, e ele não conseguia trabalhar com as sugestões do produtor, que incluiam uma luta de Brainiac com ursos polares, Superman com um uniforme negro e sem poder de voo, e um clímax do herói contra uma aranha gigante.

Ainda assim, o novo texto, batizado "Superman Lives", atraiu a atenção de Tim Burton, que trouxe Nicolas Cage à bordo para o papel de Clark Kent/Superman. Foi um desastre. Com as filmagens agendadas para 1997, e a pré-produção a todo vapor (com Cage testando diversas variações do traje do herói), Burton terminou por se desentender com Peters. Um ano depois, e dezenas de milhões de dólares já injetados na produção, "Superman Lives" foi para a gaveta.

  TRAILER LEGENDADO DE "O HOMEM DE AÇO"

O novo século trouxe um novo interesse em filmes de super-heróis, com "X-Men", da Marvel, e até a ficção científica "Matrix", apontando novos rumos para o gênero. O diretor Wolfgang Petersen, aproveitando o sucesso de seu "Mar em Fúria", foi colocado no comando de "Batman Vs. Superman", que tem um título auto explicativo.

A trama bizarra mostrava o Homem-Morcego aposentado há cinco anos, de casamento marcado e tendo Clark Kent como melhor amigo e padrinho – Alfred, comissário Gordon e Dick Grayson, o Robin, já estariam todos mortos. Quando o Coringa mata sua noiva, Bruce Wayne volta a usar o traje do morcego e jura vingança, batendo de frente com o Superman. Colin Farrell (como Batman) e Jude Law (no papel do "Homem de Aço") chegaram a colocar as mãos no roteiro, mas o estúdio decidiu que um retorno solo dos heróis seria mais viável.

Foi a proposta de Superman: "Flyby", escrito por JJ Abrams. O ano era 2002, e o responsável pela ressurreição de "Star Trek" e pelo sétimo episódio de "Star Wars" ainda não era a potência cinematográfica de hoje. Sua idéia era simples: reescrever a origem do Superman em uma nova trilogia. O estúdio queria Josh Hartnett, e chegou a oferecer US$ 100 milhões ao ator pelos três filmes, mas quando o roteiro vazou na internet o molho azedou. Entre as mudanças radicais propostas por Abrams, Krypton jamais explodiria, Kal-El fugiria já adolescente do planeta em plena guerra civil, e Lex Luthor se revelaria ele mesmo um kryptoniano refugiado na Terra.

As batalhas eram épicas, e as diferenças dos quadrinhos, enormes. “Hoje em dia eu não tentaria consertar o que não estava quebrado”, disse Abrams. Ainda assim, "Flyby" seguiu em frente com Brett Ratner como diretor – ele queria Anthony Hopkins como Jor El, por exemplo. As famosas diferenças criativas o tiraram do projeto, assumido por McG. Mas quando o estúdio decidiu rodar na Austrália para poupar dólares, o responsável por "As Panteras" saiu fora por um motivo inusitado: ele tinha medo de voar.

Foi quando o estúdio chamou Bryan Singer, apaixonado por "Superman – O Filme", de Richard Donner, para dirigir "Flyby". O diretor, em alta com o fãs depois de dois "X-Men", tinha suas próprias idéias, e descartou o texto de Abrams em prol de uma nova abordagem, uma que fosse continuação direta do trabalho de Donner. Assim nasceu "Superman – O Retorno", com Brandon Routh no papel do Homem de Aço.

Assumindo a conta das inúmeras tentativas de ressuscitar o herói, o novo filme teve um orçamento gigantesco (US$ 270 milhões) e um resultado menos que suficiente nas bilheterias: US$ 391 milhões em todo o mundo. Mais que "Batman Begins" faturou o ano anterior, mas pouco para Singer continuar a explorar o mundo do Último Filho de Krypton. Assim, a continuação de "Superman – O Retorno", que traria Brainiac, mais ação, e “Um clima épico como o de A Ira de Khan”, prometido pelo diretor, tornou-se mais uma nota no rodapé dos filmes nunca produzidos com o primeiro de todos os super-heróis.

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