Cinema

Clooney diz que não queria aparecer "com roupa de baixo" em "Gravidade"

Neusa Barbosa

Do UOL, em Veneza

A exibição de estreia do 70º Festival de Veneza 2013 começou nesta quarta-feira (28) com um atraso de meia hora por causa de problemas técnicos com alguns dos óculos 3D. Foi a primeira sessão do gênero da história do evento, fundado em 1932. O filme responsável pela introdução do formato no festival foi "Gravidade", o que trouxe o habitual tumulto em torno de George Clooney.

Aos 52 anos, Clooney exibe boa forma, mas revelou que "não queria aparecer com roupa de baixo" no longa --cenas que ocorrem com mais frequência com sua colega Sandra Bullock, inclusive na final, dentro de naves à deriva ou danificadas. "Eu e Sandra praticamos ioga Bikram juntos", brincou o ator sobre a preparação física para as filmagens. "Física e mentalmente, foi a coisa mais maluca, mais bizarra e mais desafiadora. Mas você descobre do que é capaz", completou Sandra Bullock.
 
Na verdade, o maior esforço foi mesmo de Sandra, que conversou com diversos astronautas que tinham vivido a situação de estarem numa estação espacial; e filmou várias cenas num compartimento mínimo, encaixada numa máquina da cintura para baixo. "Eu fazia as perguntas mais bizarras [aos astronautas], do tipo 'o que acontece com seu corpo sob gravidade zero'? Conheci pessoas incríveis, com um amor apaixonado por aquilo que faziam e pelo universo. Isto realmente te faz ter humildade".

TRAILER LEGENDADO DE "GRAVIDADE"

Claustrofobia no espaço
A maior parte da história de "Gravidade" é claustrofóbica, com seus dois protagonistas lançados no espaço, numa situação de risco, necessitando encontrar uma nave que possa trazê-los de volta à Terra, depois de explosões espaciais e chuva de fragmentos. 

Para o diretor Cuarón (o mesmo de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban"), a preocupação com a verossimilhança, a partir de contatos com inúmeros consultores técnicos, foi contrabalançada com um foco no entretenimento. "Preocupamo-nos em nos informar como um objeto empurra outro no espaço, por exemplo. Mas nem por isso deixamos de tomar liberdades. Nunca tivemos a intenção de que nosso filme parecesse um documentário".
 
Outra preocupação era com os próprios atores. "Tivemos cuidado em como os atores absorveriam todas aquelas informações sobre a perda da gravidade. De várias maneiras, sua interpretação teve que ser bem abstrata, reagindo a marcas e deixas muito específicas. É muito difícil criar uma performance a contento nestas condições. O que fizeram é realmente espantoso", observou o diretor.
 
Cuarón também admitiu que há um "aspecto metafórico" na própria escolha do espaço sideral como cenário de sua história. "Quando começamos a desenvolver o roteiro, fomos atropelados pela crise econômica e tivemos de repensar tudo. Focamos na ideia de adversidade e na possibilidade de renascer. E é óbvio que o renascimento é também uma aceitação da morte, ainda que seja a jornada de uma personagem para sair da bolha e voltar à Terra".
 
Críticos e jornalistas receberam muito bem o filme, que foi aplaudido após sua projeção. "Gravidade" tem estreia prevista para 10 de outubro no Brasil.
 
Questões políticas e Ben Afflleck
Depois da exibição do filme, Clooney foi, mais uma vez, alvo de perguntas inusitadas e de ordem política --como se acreditava que o presidente norte-americano Barack Obama deveria mandar tropas à Síria. "Estava esperando esta pergunta. Isto e mais questões sobre Ben Affleck [cuja escolha como o novo Batman, papel que já foi de Clooney, vem despertando polêmicas]. Depois das risadas que dominaram a sala de coletivas, ele continuou, dessa vez mais sério. "A verdade é que não tenho como responder a isso [Síria]", respondeu, com bom humor.
 
Outra pergunta política se referiu a um satélite, financiado por Clooney, para monitorar a instável situação do Sudão. "É nosso dever lançar alguma luz sobre esses lugares. E, felizmente, posso dizer que agora os ataques àquele país têm diminuído, ocorrendo à noite ou atrás de nuvens". Quebrando a seriedade do tema, voltou-se para o jornalista que fizera a pergunta e disse: "Estou de olho em você, cara!".

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