Filmes e séries

Comédia "Os Estagiários" parece propaganda interminável do Google

Gabriel Mestieri

Do UOL, em São Paulo

Enredo previsível, piadas desgastadas, atuações medianas e um caso de amor raso. Se não fosse pela tentativa de enaltecer o Google a cada minuto, “Os Estagiários” seria apenas mais uma comédia hollywoodiana sem graça. O filme, no entanto, tem uma missão: mostrar como é admirável a empresa fundada por Larry Page e Sergey Brin. O longa vai estrear no circuito nacional nesta sexta-feira (30).

Dirigido por Shawn Levy (“Uma Noite no Museu” e “Uma Noite Fora de Série”), a produção traz Owen Wilson (“Marley & Eu”) e Vince Vaughn (“Separados pelo Casamento”), juntos novamente pela primeira vez desde o hit "Penetras Bons de Bico" (2005), como dois quarentões que, apesar de serem ótimos vendedores, têm dificuldades para se adaptar ao mercado de trabalho da era digital.

O problema é solucionado por uma ideia do personagem de Vaughn: tentar uma vaga no Google. A entrevista inicial com os responsáveis pelo recrutamento, feita por teleconferência, deveria ser um dos primeiros momentos de risada mais intensa do filme, mas não tem nem pé nem cabeça – os protagonistas dizem algumas coisas sem sentido e, voilà, estão a caminho da empresa.

TRAILER LEGENDADO DE "OS ESTAGIÁRIOS"

O programa de estágio se revela, na verdade, uma grande maratona na qual os “estagiários” – vários jovens de 20 e poucos anos e os dois protagonistas – precisam formar times para concorrerem uns com os outros. O time vencedor fica com as vagas – de emprego, não de estágio.

A partir daí, o show de obviedades se intensifica: o personagem de Wilson se interessa por uma funcionária da empresa (interpretada por Rose Byrne), o time dos protagonistas é formado apenas com os excluídos que ninguém quer nas outras equipes, e os quarentões utilizam sua experiência de vida e de vendedores para se dar bem de maneira inusitada em algumas provas. Uma balada com o time loser dançando até o chão, entrando numa briga e, um de seus integrantes consumindo bebida alcóolica pela primeira vez completa o cenário.

Nem mesmo o aplicativo que o time desenvolve para vencer uma das provas da maratona do emprego é original. Após a bebedeira, um dos personagens quer usar o telefone para dizer a alguém algo que, sóbrio, não falaria. Por que não fazemos um aplicativo que barre o acesso do usuário embriagado ao dispositivo?, pergunta um dos personagens. Boa ideia, mas aplicativos com esse fim já existem há vários anos.

Paralelamente à trama, há seguidas passagens em que o Google e sua sede, na Califórnia, são louvados: a lanchonete dá comida de graça, há uma área para os funcionários descansarem, escorregadores estão espalhados por todos os cantos, uma pizzaria de bairro pode ser transformada numa rede de franquias graças às ferramentas oferecidas pela empresa, entre várias outras.

Ao final das quase duas horas de filme, a impressão é de ter acabado de assistir a uma interminável propaganda do Google.

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