Filmes e séries

Comédia "Os Estagiários" parece propaganda interminável do Google

Gabriel Mestieri

Do UOL, em São Paulo

29/08/2013 13h55

Enredo previsível, piadas desgastadas, atuações medianas e um caso de amor raso. Se não fosse pela tentativa de enaltecer o Google a cada minuto, “Os Estagiários” seria apenas mais uma comédia hollywoodiana sem graça. O filme, no entanto, tem uma missão: mostrar como é admirável a empresa fundada por Larry Page e Sergey Brin. O longa vai estrear no circuito nacional nesta sexta-feira (30).

Dirigido por Shawn Levy (“Uma Noite no Museu” e “Uma Noite Fora de Série”), a produção traz Owen Wilson (“Marley & Eu”) e Vince Vaughn (“Separados pelo Casamento”), juntos novamente pela primeira vez desde o hit "Penetras Bons de Bico" (2005), como dois quarentões que, apesar de serem ótimos vendedores, têm dificuldades para se adaptar ao mercado de trabalho da era digital.

O problema é solucionado por uma ideia do personagem de Vaughn: tentar uma vaga no Google. A entrevista inicial com os responsáveis pelo recrutamento, feita por teleconferência, deveria ser um dos primeiros momentos de risada mais intensa do filme, mas não tem nem pé nem cabeça – os protagonistas dizem algumas coisas sem sentido e, voilà, estão a caminho da empresa.

TRAILER LEGENDADO DE "OS ESTAGIÁRIOS"

O programa de estágio se revela, na verdade, uma grande maratona na qual os “estagiários” – vários jovens de 20 e poucos anos e os dois protagonistas – precisam formar times para concorrerem uns com os outros. O time vencedor fica com as vagas – de emprego, não de estágio.

A partir daí, o show de obviedades se intensifica: o personagem de Wilson se interessa por uma funcionária da empresa (interpretada por Rose Byrne), o time dos protagonistas é formado apenas com os excluídos que ninguém quer nas outras equipes, e os quarentões utilizam sua experiência de vida e de vendedores para se dar bem de maneira inusitada em algumas provas. Uma balada com o time loser dançando até o chão, entrando numa briga e, um de seus integrantes consumindo bebida alcóolica pela primeira vez completa o cenário.

Nem mesmo o aplicativo que o time desenvolve para vencer uma das provas da maratona do emprego é original. Após a bebedeira, um dos personagens quer usar o telefone para dizer a alguém algo que, sóbrio, não falaria. Por que não fazemos um aplicativo que barre o acesso do usuário embriagado ao dispositivo?, pergunta um dos personagens. Boa ideia, mas aplicativos com esse fim já existem há vários anos.

Paralelamente à trama, há seguidas passagens em que o Google e sua sede, na Califórnia, são louvados: a lanchonete dá comida de graça, há uma área para os funcionários descansarem, escorregadores estão espalhados por todos os cantos, uma pizzaria de bairro pode ser transformada numa rede de franquias graças às ferramentas oferecidas pela empresa, entre várias outras.

Ao final das quase duas horas de filme, a impressão é de ter acabado de assistir a uma interminável propaganda do Google.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
AFP
do UOL
Reuters
AFP
do UOL
Reuters
do UOL
Reuters
do UOL
BBC
do UOL
Chico Barney
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
UOL Entretenimento
Cinema
do UOL
AFP
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
do UOL
Cinema
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
Chico Barney
UOL Cinema - Imagens
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Roberto Sadovski

Roberto Sadovski

As 25 melhores histórias em quadrinhos da Liga da Justiça

Pincelar as melhores histórias da Liga da Justiça é um trabalho complexo. Não pela falta de qualidade, mas pelo contraste: muita coisa entre os primórdios da equipe e o final dos anos 80 tem mais valor por sua inegável importância histórica do que por seus predicados artísticos. O gibi da Liga, afinal, viveu por anos na sombra da animação Superamigos, e isso deixou o tom das histórias mais ingênuo e infantil até a reformulação pós-Crise nas Infinitas Terras. Mas garimpar todas as fases em décadas de aventuras trouxe boas surpresas e ótimas descobertas - além do perceber que, em boas, mãos, a Liga pode ser incrível! A leitura rendeu algumas conclusões. Primeiro, não há absolutamente nada errado em usar histórias de super-heróis para fazer humor! Segundo, o horrendo período dos Novos 52, que privilegiou forma, ignorou substância e fez um flashback sinistro dos primórdios da Image Comics nos anos 90 (urgh), não foi tão cruel com a Liga. Terceiro, pouca gente escreve e entende os herói tão bem quanto Grant Morrisson e Mark Waid. No mais, a Liga da Justiça, em usas diversas encarnações, ainda é aposta certeira quando o assunto é entretenimento - afinal, só uma equipe criativa muito canhestra poderia melar uma mistura de personagens e personalidades e superpoderes tão diversa e tão bacana! Acredite, se os super-heróis mais lendários do mundo sobreviveram a Extreme Justice, nada é capaz de derrotá-los!

Topo